A Fúria Feminina!

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A nossa charmosa Flip!

Entre os dias 6 e 10 de julho aconteceu a 9ª Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP! O evento já é bastante conhecido entre os literatos brasileiros e até mesmo internacionais e todos os anos leva centenas de turistas para a pequena e chamosa cidade carioca!

Esse ano a FLIP fez uma homenagem para Oswald de Andrade e sua Antropofagia e mais uma vez eu fiquei me lamentando por não ter ido prestigiar um dos eventos culturais mais importantes e reconhecidos do país. Mas enfim, vou deixar as lamentações de lado e falar um pouco mais de literatura!

A Festa começou com a palestra Oswald de Andrade: devoção e mobilidade, por Antonio Candido e José Miguel Wisnik. Candido é um dos ensaístas e críticos literários mais reconhecidos do Brasil e conviveu com Oswald, num diálogo literário e pessoal. Já Wisnik é professor de literatura, escritor  e compositor e falou sobre a potência antropofágica proposta por Oswald!

Antonio Candido deu uma nova entrevista para falar de sua carreira e de sua relação com Oswald de Andrade:

Essa foi apenas a conferência de abertura da Flip 2011, que teve mais 4 dias de palestras, mesas, oficinas e debates pelo mundo das letras! Intelectuais como Elza Soares, Celso Sim, Zé Kleber, Michèle Petit, Dominique Gauzin-Müller, Paulo Henriques Brito e uma série de outros nomes produziram debates sobre as idéias propostas por Oswald e a aceitação literária hoje.

Enquanto os intelectuais debatiam novos conceitos em literatura, acontecia também a Flipinha, uma vertente da festa dedicada às crianças e a Flipzona, focada no público adolescente! É a forma encontrada para despertar nas crianças e jovens o gosto e interesse pela leitura! E está fazendo sucesso!

Durante o ano todo a Casa Azul ajuda as escolas interessadas a produzirem trabalhos de acordo com o tema da Flip daquele ano e do autor homenageado para serem apresentados durante a Festa. Já a Flipzona acontece desde 2009 e promove a inclusão digital e o despertar literário!

Colocando minha visão pessoal, o que me passa pela cabeça é o fato de ser um evento seleto, que reúne os literatos mais conceituados do país, mas que ao mesmo tempo consegue chamar a atenção de tanta gente leiga no assunto para um universo ainda distante. Afinal, quem conhece a fundo as origens dos movimentos literários e artísticos e quer discutir seus rumos sem ser os intelectuais? Na Flip, Flipinha e Flipzona a gente percebe que o Brasil está cheio de novos talentos e de gente que vai dar certo!

Para conhecer mais sobre o evento e se programar para a Flip 2012 acesse Flip 2011 , Flipzona e Flipinha! Para assistir aos vídeos da Flip 2011, acesse o canal do evento no YouTube !

A Flip virou notícia, é claro! Essa foi uma das matérias veiculadas no Jornal da Globo sobre o evento!

Todos os anos a pequena Paraty se enche de letras, palavras, pessoas, olhares e fica mergulhada nesse universo literário. Ao final do evento, as pessoas se vão, a enorme quantidade de livros diminui, mas o charme acolhedor da pequena cidade histórica continua lá para receber novos turistas e preparar-se para recepcionar mais uma Festa Literária no ano que ainda virá! E, se tudo permitir, será sempre assim!

Helena Ometto

Helena Ometto

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Enfim, casados…

Nessas últimas semanas escrevemos alguns posts analisando a cobertura da imprensa sobre o Casamento Real, acontecido na última sexta-feira, dia 29 de abril de 2011. O príncipe William e a plebéia Kate Middleton se tornaram o novo casal real da Inglaterra.

Como vocês estiveram conosco nesses posts, achei justo escrever uma última matéria para mostrar o desfecho da cobertura e o início desse verdadeiro conto de fadas da vida real. Nesse post vou me permitir postar minha opinião sobre o casamento e sua relevância na mídia.

Na manhã da última sexta-feira, dia 29 de abril de 2011 (uma data memorável), mais de um bilhão de pessoas assistiram à união de William e Kate, o mais novo casal real. Milhares de pessoas assistiram diretamente das ruas de Londres, presenciando a passagem das carruagens, o trajeto da realeza, os caminhos da nobreza, a chegada do príncipe e noivo e a tão aguardada cena da noiva e seu vestido de sonhos. Outras milhares só acompanharam o evento pela transmissão via Internet, televisão ou rádio, mas com a tecnologia utilizada nessa transmissão as sensações foram similares.

 

No Brasil, a Rede Globo começou sua transmissão às 7 horas da manhã da sexta-feira, interrompendo toda a sua programação (e olha que para a Globo interromper a programação eles acreditavam muito na grande audiência do evento. E não erraram) e o canal GNT, também afiliado aos canais GloboSat transmitiu desde as 6 horas da manhã (o GNT fez um especial durante toda a semana sobre a Família Real britânica para contextualizar os telespectadores).

Confesso que assisti à transmissão pelo GNT com os comentários de Julia Petit, Lilian Pacce, Astrid Fontenele e um professor de história contemporânea responsável por inserir esse evento numa contextualização histórica da monarquia (não me recordo seu nome). Gostei da forma como comentaram e colocaram as questões reais. Por mais que algumas pessoas insistam em achar perda de tempo assistir a uma transmissão com essa, eu acho que é uma obrigação jornalística produzir esse tipo de cobertura. Um evento como esse marca época e vai ser relembrado por centenas de vezes, não somente pelos britânicos, mas por todo o mundo.

Aliás, considero que uma cobertura desse tipo esteja além de um simples factual que atenda ao desejo de espectadores de se sentirem presentes no evento, mas está incluída num catálogo de Jornalismo Cultural, se considerarmos que mostra a cultura e os costumes da realeza mais consolidada e famosa nos dias de hoje: a britânica.

Confesso-me apaixonada e encantada pelas histórias da realeza, não somente a britânica, mas de qualquer outra nação que ainda a preserve. Mas atente para o detalhe de que simpatizar com os costumes e histórias reais não significa que eu aceite uma soberania tirana, até porque hoje em dia as monarquias são apenas figuras representativas, elas não exercem o poder de fato no governo de seus países.

Um casamento como o de William e Kate nos dia de hoje, representa muito mais a realização de um conto de fadas, do que um ato político em si. É claro que por ser uma monarquia, o casal terá uma representatividade de poder, William será rei um dia e Kate sua rainha, mas suas decisões não afetarão o país da mesma maneira que as decisões do primeiro ministro.

Lembrando que por ser um evento da monarquia, alguns líderes de Estado foram convidados, mas a impressão foi de que os convites foram feitos apenas aos mais chegados e simpatizantes da rainha. O primeiro ministro do Japão, Naoto Kan, e sua sua esposa receberam o convite, já o presidente os Estados Unidos, Barack Obama e sua mulher, Michelle, ficaram de fora da lista.

Talvez esse aspecto político-econômico do casamento devesse ter sido mais abordado nas coberturas da imprensa, mas houve poucos comentários a esse respeito, o que foi uma falha jornalística. Deu-se muito destaque à festa e aos detalhes da cerimônia, mas não houve uma cobertura mais social em cima, indicando de que forma essa união pode ou não interferir nas relações políticas e econômicas da Inglaterra. Aliás, deve-se ter em vista que o Reino Unido acaba de sair de uma recessão econômica e a festa foi paga majoritariamente por dinheiro público, dos cofres britânicos.

Mas enfim, a cobertura que aconteceu em cima do casamento em si, da festa, dos detalhes foi de ótima qualidade (estou excluindo aqui as inúmeras noticias inúteis que foram veiculadas durante semanas graças ao agenda setting do evento, já comentado em post anterior). A imprensa teve espaço de destaque durante todo o evento e sua importância foi reconhecida pelos organizadores e pela segurança do evento. Foram criados espaços especiais para a imprensa de todo o mundo em meio à multidão nas ruas de Londres.

Todas as gravações e matérias realizadas durante esses dias serão exibidas inúmeras vezes durante toda a história, assim como as imagens do casamento de Charles e Diana, pais do noivo, que foram veiculadas incessantemente durante esses dias.

Para quem assistiu ao vivo ao casamento, pessoalmente ou pelas tecnologias ficarão as lembranças da data (como para mim). Para quem não pôde assistir, ficam as gravações e os especiais que ainda serão exibidos por muito tempo nos veículos de comunicação.

Há quem diga que Kate, ou melhor Catherine, foi a noiva princesa mais fotografada e filmada de todos os tempos. Mas é claro, seu casamento aconteceu em 2011, em plena era de tecnologia, com câmeras digitais acessíveis a qualquer pessoa  e uma infinidade de tecnologias profissionais de gravação e imagem.

A chegada da noiva, a revelação do vestido Alexander McQueen, da estilista e diretora criativa da grife Sara Burton, a aparição de Charles com Camila, a presença da rainha Elizabeth II, o beijo oficial na sacada do Palácio de Buckingham (ou melhor, dois), a daminha de honra irritada com o barulho da multidão, o show da Força Aérea Britânica para seu funcionário da realeza, William, a saídas dos noivos em carro conversível com destino à lua de mel, todas essas pequenas lembranças é o que vai ficar.

Detalhes de um conto de fadas

Os noivos saíram da festa em um carro conversível.

A irritação da dama de honra, Grace Van Cutsem, com o barulho da multidão.

A mãe de Kate, Carole Middleto, a Rainha Elisabeth II e Camila Parker Bowles.

Charles, o pai do noivo, e Camila Parker Bowles.

Assim termino esse post e resumo esse conto de fadas. Uma impressão de ter sido um casamento mais desinibido, menos tradicionalista e até mesmo mais feliz, leve e apaixonado do que o de Diana e Charles há 30 anos. Tomara que o destino de William e Catherine (é assim que ela deve ser chamada agora), duques de Cambridge, seja mais feliz do que dos pais do noivo.

Diante de minha inspiração com o assunto, esse post renderia mais umas 5 páginas, mas como meu espaço é limitado e a paciência de vocês também pode estar se esgotando, vou me deter a essas observações sobre o casamento mais assistido de todos os tempos! Que as lembranças desse 29 de abril de 2011 fiquem guardadas nas memórias e na imprensa.

Felicidades ao casal e muita sorte a partir de agora!

Helena Ometto

Helena Ometto