A Fúria Feminina!

Arquivo para agosto, 2011

Humor no Telejornalismo Tradicional

Desde maio deste ano, o Jornal da Record News passou por uma reformulação. Colocou o renomado jornalista Heródoto Barbeiro para apresentar o telejornal diário junto com Thalita Oliveira. Além de Heródoto Barbeiro o jornal contratou um time de 10 colunistas que revezam todos os dias, trazendo comentários de cultura, saúde, futebol, audiência e mídia, política, economia e o até humor.

Todas as segundas-feiras o humorista Bruno Motta apresenta sua coluna no telejornal. Bruno já tem uma carreira consolidada em stand-up comedy, um gênero que ganhou força nos últimos anos no país e também já era conhecido por ter um quadro no Furo MTV. A tentativa de trazer uma abordagem mais descontraída para um telejornal tradicional é algo novo. Alguns jornais já tentaram trazer charges, como o Jornal Nacional da Rede Globo, mas foi uma experiência que está bem longe de ter alguma graça.

A dificuldade em aliar humor ao jornalismo é saber estabelecer limites. Bruno Motta faz um resumo das notícias de maior destaque da semana anterior e faz alguns comentários inusitados sobre tais fatos. Só que como não tem como fazer piada sem dar nomes aos bois, Bruno não faz apenas referências aos acontecimentos e sim, cita nomes de celebridades, empresas, programas de TV – inclusive da concorrência – e até tira sarro de algumas gafes dentro de algum programa da própria Rede Record.

Claro que ele não faz nenhum comentário ofensivo nem força a barra com piadas mais pesadas. Mas mesmo sendo contido, não deixa de perder a graça. Heródoto sabe como conduzir os comentários e deixa o diálogo fluir entre apresentador e colunista. Heródoto acerta, mas não se pode dizer o mesmo de Thalita Oliveira. A jornalista que já foi aspirante a “Loira do Tchan” não consegue fazer o diálogo fluir e acaba deixando a conversa sem graça.

Thalita parece que está ali para “mediar” a situação, tentando de alguma forma, defender os alvos das piadas, seja uma celebridade ou uma empresa em questão. Pois é, a moça faz aquele papel de chato da conversa, com comentários opostos ao de Bruno, tentando colocar panos quentes na situação. A idéia de trazer um humorista num jornal tradicional foi uma tentativa ousada, mas que os produtores acertaram. Bruno Motta não tem um histórico polêmico como seu colega de profissão Rafinha Bastos da Band.

Bruno faz alguns comentários ácidos, alguma brincadeira com algum time de futebol que perde um jogo, algum deslize de celebridades ou algum político envolvido em escândalo. Sempre dando um ar descontraído até mesmo para notícias mais polêmicas. Ter um comentarista que possui um olhar diferente dos demais jornalistas é uma renovação positiva no cenário do telejornalismo. Ainda mais se o humorista é alguém comedido, que mescla momentos sérios com piadas e ironias.

O comentarista é bem aproveitado quando o jornalista entende a brincadeira e não tenta dar uma colaboração sem graça, cortando os comentários do humorista e deixando um ar constrangedor no quadro. Sorte que o jornal da Record News tem uma dupla de apresentadores e pelo menos Heródoto sabe aproveitar o convidado e promover um momento de entretenimento inteligente para os telespectadores.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

TPMídia ON RADIO #11

Nesta última edição do TPMídia você confere: a falta de infra-estrutura dos transportes públicos, aulas como redução de pena para presidiários, a careca do Uchôa confundindo Bonner e a tentativa de inserir humor no jornalismo tradicional. E no De Volta para o Futuro fizemos o perfil de Marilyn Monroe e Amy Winehouse!


Uma breve reflexão sobre o jornalismo para os jovens

O período da pré-adolescência até a vida adulta é um momento muito delicado, principalmente porque o jovem está formando seu caráter, adotando valores e definindo quem ele realmente é. Por isso o jornalismo voltado para este público, garotos e garotas entre 12 e 18 anos, deve ser tratado de forma cuidadosa. Porém o que podemos ver em sua grande maioria é que os assuntos voltados para os jovens tanto em revistas, jornais ou sites são basicamente com o foco em entretenimento. Obviamente que quando se é jovem é quando temos mais tempo para o entretenimento, mas será que essa deve ser a única preocupação?

Revistas voltadas para o público jovem masculino, pra mim é uma lenda. Procurei rapidamente pela internet e o máximo que encontrei foi uma meia dúzia de sites. Será que as empresas de comunicação acham que os garotos de hoje só se interessam por esportes, vídeo games e pornografia? Ninguém se interessa em fazer uma revista especializada para esse público?

Já para as jovens garotas, revistas é o que não faltam! Podemos encontrar dezenas de sites especializados para esse público, mas será que eles abordam tudo o que elas precisam? A grande maioria das publicações para o público feminino traz basicamente: garotos, moda, sexo, comportamento e celebridades juvenis. Será que isso é o que importa para as jovens ou é o que é imposto como importante?

Os jovens, durante toda a adolescência, se preocupam em serem aceitos pelo grupo do qual fazem parte ou almejam, logo são facilmente influenciados por atitudes coletivas e padrões pré-estabelecidos. As publicações voltadas para este público deveriam incitar debates, discussões e reflexão, porém o que vemos aos montes são futilidades, superficialidades e alienação.

Será que as únicas preocupações das garotas deveriam ser o que diz o seu horóscopo, qual esmalte é a tendência, saber se o garoto está correspondendo ou como perder tantos quilos em tantos dias? Os jornalistas que escrevem para este público tem de ter a consciência que podem estar estimulando distúrbios alimentares, psicológicos e incentivando cada vez mais a superficialidade e a “coisificação” dos adolescentes.

Mas como prometi no título do texto, esta é uma BREVE reflexão. Não entrarei em questões mais profundas, senão o post ficará interminável. Para não terminar o texto com uma visão predominantemente pessimista, afirmo que esse ramo do jornalismo não está completamente perdido. Estão surgindo alguns sites e revistas online para o público jovem com o intuito que estava faltando: reflexão e informações pertinentes. A Revista Tag, Aliás e o Motim são ótimos exemplos, trazem informações de qualidade e assuntos variados para o público jovem, independente de sexo.

Escrever para o público jovem não é uma tarefa fácil e é algo que deve ser repensado. Já está mais do que na hora da mídia perceber que os jovens precisam ser estimulados a pensar e repensar seus valores.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

“Dia do Orgulho Hétero”. Qual o propósito?

A criação do projeto de lei do “Dia do Orgulho Hétero” deu o que falar nas últimas semanas. Carlos Apolinário (DEM) foi quem deu o pontapé inicial, criando o projeto, mas uma atitude um tanto quanto inesperada foi tomada por parte de Gilberto Kassab (PSD): o prefeito da capital paulista vetou o projeto. O engraçado é que há apenas dez dias, Kassab disse que não sancionaria nem vetaria o projeto, deixando para a Câmara decidir.

O que será que teria acontecido para ele mudar de ideia em um prazo de tempo tão curto? Sua colocação anterior era a de que o “Dia do Orgulho Hétero” não incentivaria a homofobia. Hoje, ele diz que o projeto é totalmente despropositado, uma vez que os heterossexuais não sofrem qualquer tipo de discriminação social. Correto. De fato não sofrem. Mas essa “conscientização” teria vindo à tona por pura espontaneidade? Acho difícil…

Agora… O ponto de discussão que eu quero trazer está ligado diretamente com o post abaixo, da Juliana Baptista. Tudo bem… A mídia por si só não interfere de fato em decisões legislativas, mas é totalmente capaz de pressionar os órgãos que têm esse poder de decisão. Para mim, foi o que de fato aconteceu.

Após o projeto ser aprovado, Apolinário teve seu site pessoal invadido por alguns ativistas, os quais deixaram como “lembrança” críticas ferrenhas às suas posições supostamente homofóbicas. Além disso, a hashtag #orgulhohetero reinou nos Trending Topics (tópicos mais comentados) do Twitter por um tempo bem razoável (bem longo, na verdade). Seria porque a maior parte dos twitteiros de plantão é a favor do projeto? Não… Muito pelo contrário. A hashtag foi parar nos TT’s justamente por indignação dos internautas.

Primeiramente coloco-lhes uma observação: temos o direito de livre expressão, à informação “democratizada”. De fato sim, mas que todos saibam que, se você tem o direito de se expressar, também tem o dever de arcar com as conseqüências da exposição de suas ideias e ideais.

Na minha humilde opinião, criar um dia para comemorar o orgulho hétero é no mínimo bastante questionável. Qual o propósito de se criar uma data comemorativa como essa? Héteros orgulham-se de que? De serem discriminados, de serem julgados o tempo todo por uma sociedade hipócrita, de ter seus direitos restritos devido à sua orientação sexual? Acho que não… Mas o melhor é a alegação do próprio Apolinário: “temos que alertar a sociedade contra esta grande mentira, que vem sendo dita pelos gays e repetida pela mídia e por formadores de opinião, dizendo que os gays são discriminados e perseguidos, quando, na verdade, querem nos calar, implantando uma verdadeira ditadura gay, pois eles se consideram intocáveis”.

OK. Agora, permitam-me fazer uma analogia. Há séculos, as mulheres também eram alvo (e ainda são) de discriminação. Foi impulsionado por essa realidade que nasceram os protestos femininos por igualdade de direito entre os sexos, e futuramente o Dia da Mulher. Resultado: foi implantada uma ditadura feminista, tornando os homens meros objetos dignos de dó? Não, também acho que não…

Mas no fim, a questão é que apesar das tentativas de imposições pela ala conservadora em uma nação que se diz “democrática”, o apelo proveniente do meio virtual vem ganhando forças, SIM! Foram principalmente o Twitter e o Facebook os responsáveis pela mobilização dos internautas, e inclusive possibilitou aos internautas a criação de flashmobs contra o projeto. Como eu havia dito, a mídia de fato não teve qualquer influência direta com a mudança de opinião de Kassab, mas a “pressão popular” interferiu de alguma forma na mudança de posicionamento do prefeito de São Paulo. Provavelmente foi o receio de ter o seu cargo político e o partido em risco.

Seja qual for o motivo, o fato é que a internet vem mostrando que nem sempre é dominada pela Disfunção Narcotizante, previamente apresentada pela TV. Apesar dos pesares, a internet pode SIM ser a ferramenta protagonista de mudanças significativas na sociedade.

Helena S. Sylvestre

Helena S. Sylvestre


O poder de persuasão na internet

Nesta semana o New York Times publicou uma entrevista com Rafinha Bastos, mais conhecido como “a pessoa mais influente do Twitter”. Alguém que ficou a frente de Barack Obama, Conan O’Brien e Kim Kardashian obviamente chamaria a atenção dos americanos. Mas o que gostaria de analisar especificamente não é a personalidade Rafinha Bastos, mas sim, todos os webstars brasileiros e seu poder de persuasão em massa.

Webstar é um termo muito novo, provavelmente criado há alguns anos e define as pessoas que são personalidades da internet. Não são famosas exclusivamente por sua profissão ou por algum ato heróico/polêmico, mas sim pelas coisas que propagam pela internet.

As personalidades da internet são muito ativas nas redes sociais, principalmente o Twitter, o lugar perfeito para disseminar informações desenfreadamente. Rafinha tem mais de dois milhões e meio de seguidores, Felipe Neto um milhão e duzentos mil, PC Siqueira tem mais de 860 mil, já os blogueiros do Não Salvo, Jacaré Banguela, Kibeloco variam de meio milhão a 200 mil seguidores.

Por serem críticos, engraçados ou até mesmo polêmicos, muitos internautas acabam se identificando com os webstars. Mas o problema disso tudo está no fato dos seguidores perderem o seu senso crítico e começarem a adotar a ideologia das personalidades internéticas como se fossem a única verdade no mundo.

Greimás defendia que o receptor possui um senso crítico, capaz de ter suas próprias reflexões e não aceita passivamente todas as informações que recebe. Mas será que isso está valendo pra grande maioria? Obviamente que a manipulação ocorre porque existe uma espécie de cumplicidade entre o manipulador e o manipulado e provavelmente isto ocorre porque algumas de suas percepções de mundo são semelhantes.

Tenho algumas teorias para explicar o sucesso de algumas destas personalidades: Rafinha Bastos surgiu em uma hora em que nós brasileiros estávamos esgotados de humor massificado, mastigado e sem graça. Então os shows de humor que ele fazia, cheios de sacadas inteligentes, duras críticas às celebridades e às pessoas comuns nos aparece como uma luz no fim do túnel. Satisfez aquela necessidade de “inteligência” no humor que o público precisava. Junto com isso, ele ganha um espaço num programa de formato diferenciado na TV brasileira. Pronto, está criado o herói. E mesmo que ele faça algumas piadas sem graça, force a barra diversas vezes, os dois milhões de seguidores não vão se importar, porque ele já conseguiu credibilidade o suficiente para poder dar algumas bolas foras.

Já Felipe Neto só se deu bem porque ninguém conhecia muito bem o gênero Videolog, hoje totalmente massificado e aderido por centenas de jovens. Ele só pegou uma câmera e começou a falar o óbvio: criticar coisas ruins e hábitos idiotas. Lógico que muitas pessoas concordariam, já que ele só estava falando o que todo mundo pensava, a única diferença é que ele gravava as reclamações e as colocava no Youtube. Sinceramente não acho inovador alguém falar mal de Restart, Justin Bieber, Crepúsculo, Políticos, Micareta… Milhares de pessoas também pensam isso e ele não é um gênio por criticar tais coisas.

Mas o mais estranho é que os fãs, mesmo sendo insultados, não deixam de acompanhar cada frase que eles tuitam. Quantas vezes não vi o Felipe Neto e o PC Siqueira chamando seus fãs de estúpidos, babacas e idiotas? Mas mesmo assim, o número de seguidores não para de crescer.

Uma das coisas que podem comprovar a minha teoria de que as pessoas estão perdendo seu senso crítico é quando vejo, por exemplo, o videolog do PC Siqueira. São centenas de comentários “PC fala de tal assunto” ou “PC o que você acha de tal banda?”. Pra quê as pessoas querem saber o que ele pensa? Se ele achar que alguma coisa é ruim, todos nós deveríamos achar também? Será que a juventude está precisando de um aval de alguém pra pensar? PC é criticado por dezenas de pessoas quando fala que não gosta de alguma banda que o público adora. O público não aceita que ele possua alguma preferência musical distinta deles. Por acaso o videologger deve ter 100% de compatibilidade com o público? Não sei o que se passa na cabeça destes jovens.

É só um desses webstars escrever alguma coisa no twitter, em um blog ou dizer em seu videolog, que automaticamente o público adere. É impressionante como as pessoas recebem as informações sem questionamentos nem reflexão.

Algo estranhamente assustador é a categoria Desafio Aceito feito pelo blog Não Salvo. Cid, o proprietário do blog pensa em alguma trollagem e pede a ajuda de seus fãs para os “desafios” que ele propõe. Um deles era assustar uma garota que promoveu sua festa de 15 anos no Facebook e deixou o evento como “público”. Cid queria que os leitores confirmassem presença na festa para zoar a garota. Assim que ele tuitou o desafio, o evento que tinha 9 pessoas, em 2 horas tinha mais de 6 mil pessoas confirmando presença. Ou em um Fórum de Segurança da internet, que em menos de 2 minutos, Cid conseguiu que mais de 3 mil seguidores entrassem no site e o derrubassem comprovando a falta de segurança.

Com apenas um tweet, 140 caracteres ou menos, eles podem mobilizar milhares de pessoas. Entendo que o Desafio Aceito não passa de uma série de brincadeiras para zoar uma pessoa e divertir outras tantas, mas o que me assusta é o poder de mobilização que essas pessoas tem.  Eles mandam um link, em coisas de segundos, centenas de pessoas compartilharam aquela informação.

A internet pode ser uma ferramenta muito útil quando o internauta sabe como utilizá-la. Porém enquanto estivermos retrocedendo e apenas recebendo passivamente as informações, sem questionamentos, sem formar nossa própria opinião, a internet servirá apenas para repassar “desinformação” para um amontoado de papagaios com banda larga.

Juliana Baptista

Juliana Baptista