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O puxão de orelha de Bonner

No Crítica do Plural dessa semana eu fiz uma análise da repercussão desnecessária que o deslize de Bonner no Jornal Nacional teve na mídia! O que na verdade (pelo menos ao meu ver ) não foi nada mais do que uma falta de atenção sem maior destaque.

Parece que a mídia faz questão de apontar e ironizar as pessoas com um comportamento mais certinho, eu diria. Bonner é conhecido por ser um profissional correto, que quase nunca erra e não tem deslizes na vida pessoal, sendo considerado conservador e sério demais na opinião de algumas pessoas.  O mesmo acontece com a Sandy, que desde sempre foi estereotipada pela mídia como a menina certinha, sem rebeldia, sempre obediente, que não erra e quer ser exemplo de tudo para todos.

Sabemos que as pessoas não são sempre certas o tempo todo. Ninguém é assim. Elas são humanas, se divertem, erram e tem até mesmo um lado Devassa, mas essa atitude da mídia de estereotipar as celebridades conquista o público.

Eu considero irritante essa construção de pessoas, mas o público aceita e passa a enxergar os famosos dentro das características pressupostas. Consequentemente, isso acarreta numa venda de matérias e publicações cada vez maior e faz girar a bola de neve.

Voltando à crítica de mídia produzida para essa edição do TPMidia ON RADIO! Vale conferir!

Na edição do Jornal Nacional do dia 25 de agosto, quinta-feira passada, uma cena chamou a atenção do público. E principalmente da mídia. William Bonner confundiu a careca de Marcos Uchoa com um capacete.

A noticia era sobre a situação da Líbia e o repórter Marcos Uchoa estava lá como correspondente da Rede Globo. O conselho geral era que os repórteres usassem capacete durante a realização das matérias e aí aconteceu a confusão.

Bonner pensou que Uchoa estivesse de capacete e elogiou a atitude do colega, mas Fatima corrigiu o erro e Bonner transformou o elogio em um puxão de orelha.

Não aconteceu nada demais na situação, mas alguns portais noticiaram o fato com uma importância desnecessária.

Bonner e Uchoa: bronca?

O F5, seção de entretenimento da Folha.com trouxe uma matéria com o tema, destacando o puxão de orelha e falou da citação do caso no Twitter de Bonner. Em alguns comentários da notícia há um debate dizendo que esse tipo de matéria é que é uma gafe e merece um puxão de orelha dos leitores. Outros falam que o trabalho de Uchoa deveria ser noticiado e não essa situação.

A UOL também mostrou o fato, dando a entender que a atitude do apresentador foi uma bronca ao vivo no repórter e o teria deixado chateado Notícias como essa deixam a impressão de que não há nada mais importante para ser transmitido e noticiado pelos portais que se prendem a situações como essa.

A possibilidade e, até mesmo, obrigação de atualizar os sites a todo momento levam os portais a procurarem notícias em qualquer acontecimento e mudam a definição do que chamamos de jornalismo. Matérias como essa indicam uma tendência ao sensacionalismo da profissão e a perda dos critérios de noticiabilidade que trazem seriedade ao jornalismo. Chegou o momento de rever até que ponto essa procura desesperada por notícias vale a pena.

É hora de esclarecer novamente os limites e padrões do jornalismo.

Helena Ometto

Helena Ometto
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A saúde da presidenta…

A crítica de mídia de hoje será sobre a saúde da nossa presidente e como seu quadro médico foi veiculado na mídia, especificamente na Revista Época. Na edição do dia 27 de maio, a revista trouxe na capa uma foto da presidente Dilma com a seguinte manchete: “A saúde de Dilma”. Época teve acesso a exames, lista de remédios e relatos médicos. Por que seu estado ainda exige atenção?

A matéria é necessária para explicar à população o que está acontecendo com a saúde de Dilma, afinal ela é a presidente do país e os brasileiros precisam conhecer sua situação política. Mas a Época exagerou na importância e repercussão que deu à matéria. Já na capa, a impressão foi a de que quiseram transformar a pneumonia de Dilma em uma doença terminal. A foto de capa mostra Dilma sobre um fundo preto, vestida de vermelho e com os olhos fechados. A expressão é de cansaço e mal estar. A Época pretendeu mostrar uma presidente literalmente fraca em termos de saúde, mas teria sido também uma analogia à sua suposta fraqueza de atuação política?

A matéria também trouxe o histórico da doença, desde o primeiro resfriado,  a temperatura da febre, a sequência de remédios e opiniões dos médicos, os sintomas e mal estares da presidente e até mesmo o nível das enzimas de seu organismo. Esse panorama deixou a impressão de que Dilma estaria sofrendo cada vez mais e enfraquecendo gradativamente. Será que ela teria que sair do cargo para se recuperar? Talvez esse tenha sido o objetivo de interpretação da revista.

(clique em cima da imagem para aumentar a visualização)

Fotos de Dilma tossindo nas últimas semanas em eventos públicos foram colocadas lado a lado com imagens da época de seu tratamento contra o câncer linfático. No mínimo essa montagem quis lembrar aos leitores que se ela já foi afastada uma vez por motivo de doença isso poderia acontecer de novo a qualquer momento.

Não há nada de errado em produzir uma matéria sobre o quadro de saúde de Dilma, muito pelo contrário. Ela é a presidente do país e deve satisfações para os brasileiros, mesmo que informações sejam mais íntimas que de costume. Mas o problema é saber até onde uma notícia desse porte pode ser vinculada com a imagem profissional de alguém, saindo do âmbito pessoal. Parece que essa foi a intenção da Revista Época ao sugerir tantas recaídas: Dilma pode ser tão fraca politicamente como é fisiologicamente.

Imagens: Época online

Helena Ometto

Helena Ometto


TPMídia ON RADIO #7

Oi gente!

O programa desta semana já está disponível!

Nesta edição você confere: a polêmica do kit anti-homofobia, a prisão de Pimenta Neves, a situação das universidades brasileiras e o caso Zelaya.

No De Volta Para o Futuro trouxemos um especial de artistas e filmes dos anos 80. Simplesmente imperdível!