A Fúria Feminina!

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Edir Macedo VS. Valdemiro Santiago: a “guerra santa” dos tempos modernos

Nos últimos dias, as redes sociais on-line, blogs e grandes portais têm colocado em debate a edição do dia quatro de março do programa Fala Que Eu Te Escuto. Motivo? O programa da TV Record ficou com a vice-liderança no IBOPE ao declarar “guerra” ao apóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago.

Para quem não sabe, Valdemiro era membro da Igreja Universal do Reino de Deus, que tem como líder e também dono da Record, o bispo Edir Macedo. MAS… Valdemiro resolveu largar a barra da saia do bispo e criou sua própria igreja (a Mundial).

A Record não deixou barato, e resolveu se colocar explicitamente contra a Mundial no Fala Que Eu Te Escuto do dia quatro. O argumento usado é que o apóstolo desvia o dinheiro da Igreja para o próprio bolso. Verdade ou mentira, o fato é que a “guerra santa” deu pano para a manga nas discussões da mídia on-line.

Alguns taxam a Record de hipócrita, uma vez que acusam Edir Macedo de também desviar verba da Igreja para o próprio bolso. De qualquer maneira, os pontos de debate que eu levanto aqui são outros.

A princípio eu me pergunto o seguinte: embora a TV Record seja uma emissora com uma explícita vertente religiosa, na posição de uma das maiores emissoras de TV aberta do Brasil, e, portanto, extremamente influente entre milhões de telespectadores, teria ela o direito de colocar em xeque uma crença religiosa diferente da sua? Como entendedora supérflua do assunto, arrisco-me a dizer que o intuito das religiões cristãs é disseminar a palavra de Deus, correto? Pois eis a contradição. Cada uma deveria cumprir seu papel afim de se alcançar este objetivo, sem querer rebaixar as demais. Pode até haver alguma competição, mas uma competição saudável, em que as igrejas deveriam buscar o melhor da sua essência religiosa para transmitir aos fiéis. Mas em minha humilde opinião, ganhar notoriedade desmoralizando a religião “concorrente”, é no mínimo anti ético. E pelos números da audiência, sem dúvida alguma o embate ganhou dimensões enormes.

Na verdade meu principal questionamento é esse. Não estaria a Record e a Igreja Universal equivocadas ao agirem assim enquanto emissora de TV e religião? Não bateria de frente com os princípios básicos de ambas? Não sejamos inocentes a ponto de dizer que outras emissoras não têm posicionamento editorial. Sim, têm. Mas a forma como isso vem à tona na programação não deve ter caráter ofensivo, discriminatório e explicitamente tendencioso. Quanto às religiões, nego-me a achar normal que instituições com um objetivo em comum “pequem” por maldizerem umas às outras. E tenho dito.

Helena Sylvestre
Helena S. Sylvestre


Zeca Camargo “fora do ar”

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Quem assistiu ao Fantástico, no último domingo, pôde perceber ao final do programa algo inusitado. Com certeza não-proposital, mas no mínimo digno de comentários. E o mundo on-line que o diga…

Ao final do programa global, houve uma pequena (grande) falha técnica que deixou a princípio o apresentador desconcertado. E depois, falando sozinho enquanto o estúdio ficava escuro e os créditos subiam na tela do telespectador.

Não demorou muito (nada!) para que os grandes, pequenos e médios portais de notícia na internet noticiassem o fato. Logo, em âmbito nacional, as principais redes sociais on-line tinham como um dos principais focos de discussão a falha da TV Globo. Essa enorme repercussão provavelmente se deu devido ao grande porte da emissora, e à experiência de longo prazo do apresentador, que apesar disso, não conseguiu colocar sua capacidade de improviso à prova.

Zeca ficou explicitamente atordoado com a falha técnica. Não soube se portar diante do imprevisto, embora tivesse se esforçado para isso. Inexperiência? Creio que em partes, sim. Não inexperiência enquanto profissional de jornalismo, mas enquanto apresentador que sabe improvisar diante de erros esporádicos durante as transmissões do programa. Falta de profissionalismo? Acho que na verdade é falta de costume de se deparar com as falhas técnicas da emissora.

Não que a TV Globo seja a perfeição em termos técnicos e profissionais, mas de fato não é muito comum o telespectador (até mesmo mais assíduo) perceber falhas de grandes proporções por parte da Globo.

Na realidade, o que mais vem se questionando ultimamente, é quanto às “falhas” de material do programa dominical. Quem opta (ou não tem escolha) por assistir à TV aberta no domingo, sem dúvida se frustra pela pobreza de conteúdo, pela falta de inovação e pelo baixo nivelamento dos programas. Há anos, o Fantástico conseguia sair desse padrão, e prendia a atenção do telespectador interessado em um programa descontraído, mas de caráter altamente informativo. Hoje, o que se vê é apenas mais do mesmo. Pautas previsíveis, com abordagens clichês e pouco exploradas em sua profundidade. Acredito que a Rede Globo deve rever o editorial do Fantástico, e realizar mudanças bastante acentuadas, uma vez que a internet cresce a cada dia, e com ela, a possibilidade de mobilização se espalhar com uma rapidez assustadora na web. Enquanto isso, conteúdos que fogem do padrão das mídias tradicionais são veiculados na rede. Conteúdos que chamam a atenção pela ousadia e por abordagens que nunca puderam ser feitas anteriormente. Com isso, o único modo do meio televisivo sobreviver, é, além de conversar com o mundo virtual, é oferecer exclusividade de material audiovisual. É buscar novas conceituações para este meio tradicional e convergência com os novos meios, novas linguagens, angulações nunca pensadas antes diante de assuntos aparentemente comuns (ou não).

Usei o fato ocorrido no Fantástico como gancho para trazer esta reflexão para o blog. Porém, deixo claro que é preciso que não só a Rede Globo pense sobre alguns dos pontos expostos aqui, mas sim a rede brasileira de televisão aberta de um modo geral.

Comunicadores, pensem nisso. Consumidores de mídia, cobrem isso.

Helena Sylvestre

Helena Sylvestre


Camila Vallejo em protesto da UNE: abordagens da Carta Maior e da Veja

No fim do mês de Agosto, os veículos de comunicação foram tomados por notícias sobre a vinda de Camila Vallejo para Brasília. A jovem chilena de 23 anos é líder do movimento estudantil do Chile, e foi convidada para participar do protesto da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Brasil.

Entre os veículos nacionais que deram destaque ao fato, estão a publicação eletrônica Carta Maior e a revista Veja. E, como ambas têm posicionamentos políticos e ideológicos muito contrastantes, o enquadramento que cada uma delas deu ao acontecimento tomou rumos opostos.

Por este se tratar de um movimento que tem como principal propósito combater o neoliberalismo, afim de que a educação pública no país tenha uma qualidade maior, ou seja, por se tratar de um movimento “de esquerda”, Carta Maior optou por retratar Camila como uma heroína, com um perfil construído com base nas maiores qualidade da estudante: garra, esforço, compromisso e obstinação. A matéria é totalmente focada na personagem protagonista, e isso fica explícito através da entrevista “ping-pong” que a revista realiza com ela. Sendo assim, é dado um grande destaque e importância às idéias da líder estudantil chilena, a partir da construção de perguntas que possibilitam um posicionamento favorável aos ideais esquerdistas de Camila Vallejo. Isso fica explícito, por exemplo, ao final da entrevista, quando Carta Maior questiona Camila sobre o destaque que a mídia está dando para sua beleza física em detrimento das suas habilidades intelectuais. Como resposta, ela diz que os “ataques” vêm da direita política, que segundo ela, detém a grande maioria dos veículos de comunicação.

Em contrapartida, a revista Veja, de direita política, usa as características de Camila para desmerecê-la, ou tirar credibilidade de seus argumentos. No início da matéria, Veja dá a entender que a garota só está ganhando destaque nas mídias, em partes, por ser bonita. A seguir, a matéria diz que Camila quer uma intervenção estatal na educação no país, mas Veja tira o valor de seus argumentos quando deixa explícito que foi justamente esse modelo econômico (o neoliberalismo) que tirou o Chile do atraso econômico.

Na segunda parte da matéria, Veja fala sobre a manifestação em Brasília feita pela UNE, mas novamente a revista tenta descredibilizar o movimento, ao dizer que, embora o movimento estudantil tenha elaborado uma lista de 43 reivindicações, nenhuma delas diz respeito à corrupção ou transparência do governo Brasileiro (que atualmente é dirigido pela esquerda política).

É possível perceber ainda, que, embora o título da notícia seja outro, no link da matéria no site da revista, lê-se: une-ignora-corrupcao-em-protesto-na-capital. Ou seja, para defender seus ideais políticos, Veja tenta desviar o foco do protesto contra o modelo neoliberal para a omissão dos protestantes com relação à corrupção do atual governo brasileiro.

 Helena S. Sylvestre
Helena S. Sylvestre

 


“Dia do Orgulho Hétero”. Qual o propósito?

A criação do projeto de lei do “Dia do Orgulho Hétero” deu o que falar nas últimas semanas. Carlos Apolinário (DEM) foi quem deu o pontapé inicial, criando o projeto, mas uma atitude um tanto quanto inesperada foi tomada por parte de Gilberto Kassab (PSD): o prefeito da capital paulista vetou o projeto. O engraçado é que há apenas dez dias, Kassab disse que não sancionaria nem vetaria o projeto, deixando para a Câmara decidir.

O que será que teria acontecido para ele mudar de ideia em um prazo de tempo tão curto? Sua colocação anterior era a de que o “Dia do Orgulho Hétero” não incentivaria a homofobia. Hoje, ele diz que o projeto é totalmente despropositado, uma vez que os heterossexuais não sofrem qualquer tipo de discriminação social. Correto. De fato não sofrem. Mas essa “conscientização” teria vindo à tona por pura espontaneidade? Acho difícil…

Agora… O ponto de discussão que eu quero trazer está ligado diretamente com o post abaixo, da Juliana Baptista. Tudo bem… A mídia por si só não interfere de fato em decisões legislativas, mas é totalmente capaz de pressionar os órgãos que têm esse poder de decisão. Para mim, foi o que de fato aconteceu.

Após o projeto ser aprovado, Apolinário teve seu site pessoal invadido por alguns ativistas, os quais deixaram como “lembrança” críticas ferrenhas às suas posições supostamente homofóbicas. Além disso, a hashtag #orgulhohetero reinou nos Trending Topics (tópicos mais comentados) do Twitter por um tempo bem razoável (bem longo, na verdade). Seria porque a maior parte dos twitteiros de plantão é a favor do projeto? Não… Muito pelo contrário. A hashtag foi parar nos TT’s justamente por indignação dos internautas.

Primeiramente coloco-lhes uma observação: temos o direito de livre expressão, à informação “democratizada”. De fato sim, mas que todos saibam que, se você tem o direito de se expressar, também tem o dever de arcar com as conseqüências da exposição de suas ideias e ideais.

Na minha humilde opinião, criar um dia para comemorar o orgulho hétero é no mínimo bastante questionável. Qual o propósito de se criar uma data comemorativa como essa? Héteros orgulham-se de que? De serem discriminados, de serem julgados o tempo todo por uma sociedade hipócrita, de ter seus direitos restritos devido à sua orientação sexual? Acho que não… Mas o melhor é a alegação do próprio Apolinário: “temos que alertar a sociedade contra esta grande mentira, que vem sendo dita pelos gays e repetida pela mídia e por formadores de opinião, dizendo que os gays são discriminados e perseguidos, quando, na verdade, querem nos calar, implantando uma verdadeira ditadura gay, pois eles se consideram intocáveis”.

OK. Agora, permitam-me fazer uma analogia. Há séculos, as mulheres também eram alvo (e ainda são) de discriminação. Foi impulsionado por essa realidade que nasceram os protestos femininos por igualdade de direito entre os sexos, e futuramente o Dia da Mulher. Resultado: foi implantada uma ditadura feminista, tornando os homens meros objetos dignos de dó? Não, também acho que não…

Mas no fim, a questão é que apesar das tentativas de imposições pela ala conservadora em uma nação que se diz “democrática”, o apelo proveniente do meio virtual vem ganhando forças, SIM! Foram principalmente o Twitter e o Facebook os responsáveis pela mobilização dos internautas, e inclusive possibilitou aos internautas a criação de flashmobs contra o projeto. Como eu havia dito, a mídia de fato não teve qualquer influência direta com a mudança de opinião de Kassab, mas a “pressão popular” interferiu de alguma forma na mudança de posicionamento do prefeito de São Paulo. Provavelmente foi o receio de ter o seu cargo político e o partido em risco.

Seja qual for o motivo, o fato é que a internet vem mostrando que nem sempre é dominada pela Disfunção Narcotizante, previamente apresentada pela TV. Apesar dos pesares, a internet pode SIM ser a ferramenta protagonista de mudanças significativas na sociedade.

Helena S. Sylvestre

Helena S. Sylvestre


“O jornalista e o assassino” – Uma reflexão sobre a ética jornalística

“O jornalista e o assassino” é um livro de leitura praticamente obrigatória a qualquer jornalista, estudante de jornalismo ou simpatizantes. Mas a minha indicação de leitura se estende a qualquer indivíduo que se interesse por se questionar a respeito de questões humanas, questões éticas e o significado “concreto” de verdades e mentiras.

Janet Malcolm, jornalista estadunidense e autora do livro, traz à tona reflexões relacionadas principalmente à ética dentro do jornalismo. Para isso, ela aborda a história de um jornalista (Joe McGinniss) que escreveu um livro sobre o médico Jeffrey MacDonald, acusado de assassinar a esposa e as duas filhas. Entretanto, até o lançamento do livro (“Fatal Vision”) McGinniss fingir estar a favor de MacDonald, dando-lhe a entender que ele acredita que o médico seja inocente. E transmite isso através de cartas enviadas a MacDonald na prisão.

É justamente essas cartas que abrem uma brecha para o médico processar o jornalista por calúnia e difamação. É justamente nesse ponto que a autora consegue captar a atenção do leitor. “Como um homem acusado (e preso) por assassinato pode recorrer ao tribunal por calúnia?”. Esse não é o foco. O fato é que Janet quis colocar a seguinte questão em xeque: “Até que ponto o jornalista pode ir para conseguir informações que lhe sejam necessárias ou úteis?”

Ética, ética, ética… Apesar de ainda muito questionado no meio jornalístico, não existem regras definidas a respeito do que é ético o jornalista fazer ou não. Entre aí a questão daquilo que comumente chamamos de “bom senso”. Se o jornalista pode “enganar” o entrevistado afim de que se consiga o que se quer, não se pode afirmar legalmente. Mas a consciência do repórter é que dará o “xeque-mate” na questão.

Ao fim do livro não é possível saber se MacDonald foi de fato o responsável pela morte da família, ou não. O eixo da obra não é esse. E mais do que se utilizar de especificidades da área jornalística ou de moralismos excessivos, Janet, apesar de se colocar contra McGinniss, traz o tempo todo argumentos utilizados por ambas as partes do processo. Tanto por aqueles que defendiam McGinniss no tribunal, quanto aqueles que eram contra. Destaco ainda os detalhes a respeito da psicopatia e sociopatia que foram descritos no livro. Interessante  em termos de Ciências Humanas e também Sociais.

De maneira geral, apesar de Janet trazer questões a respeito da ética dentro do jornalismo, o livro serve para nos fazer refletir a respeito do nosso comportamento como indivíduo social. Até que ponto podemos caracterizar nossos “passos” como éticos ou antiéticos? Até que ponto podemos infringir certos moralismos em pró de algo? (Traga isso um bem estar social ou não)

Interessante para jornalistas, para advogados, para psicólogos, e qualquer pessoa que tenha interesse por questionar a essência do ser humano o meio social em que vive.


Helena S. Sylvestre

Helena S. Sylvestre


“12 homens e uma sentença”: da simplicidade ao inovador

Simples, mas não simplista. É assim que posso descrever o clássico do cinema “Doze homens e uma sentença”, de 1957. O filme pode ser velho, mofado e preto e branco, mas com certeza digo que ultrapassa gerações e continua trazendo à tona questões contemporâneas, que provavelmente jamais deixarão de ser bastante pertinentes.


A história se desenrola em apenas dois ambientes. Sim, DOIS. O primeiro é o tribunal, no qual um rapaz de 18 anos está sendo acusado de ter assassinado seu pai. São doze os jurados que irão julgá-lo inocente ou culpado, mas antes disso o juiz deixa bem claro: “só julguem o rapaz culpado se não houver qualquer dúvida que ele é de fato culpado. Se houver a menor dúvida que ele não seja, julguem-no inocente”.

O segundo cenário é o que permanece até o fim da história. 12 jurados em uma sala de júri norte-americana, e uma votação para decidirem qual seria o destino do rapaz. 12 votos, 11 condenando e apenas UM inocentando.

É aí que começam as críticas sociais e de comportamento sutilmente colocadas. De acordo com o que o júri havia ouvido no tribunal, de acordo com o que as testemunhas disseram, 11 deles acharam que o réu era culpado. Por convicção? Talvez… Mas o fato é que dali uma hora (após o início da votação) iria começar um jogo pelo qual quase todos eles estavam ansiosos (leia-se: desesperados) para assistir. Se o rapaz fosse condenado, a pena seria a cadeira elétrica. “E o que que tem? Um grande jogo nos espera! Votemos logo para podermos ir pra casa apreciar nosso momento de lazer!” poder-se-ia ler na mente de muitos dos jurados…

Obviamente o único que tinha dado um voto contrário aos outros foi questionado e sofreu a ira dos seus colegas de júri. Cada um desses 12 personagens é construído por figuras estereotipadas dos sujeitos sociais. O típico “bronco” que não consegue utilizar argumentos plausíveis e isentos de preconceitos, o famoso “Maria-vai-com-as-outras”, que segue o rumo da maioria, mas que na verdade não sabe nem o motivo de estar fazer aquilo. Tem também aquele que acha óbvio o rapaz ser culpado, mas o fato é que está votando apenas para se livrar rapidamente da situação. Mas também existe aquele mais consciente, que pára pra refletir sobre as conseqüências de seus atos e de que maneira os fatos devem ser pensados. Foi justamente este sujeito que foi contra a maré de votos “culpados”.

O intuito do filme não é revelar se o rapaz é de fato culpado, ou se é inocente. A questão que o personagem coloca é a seguinte: “Temos certeza se ele é inocente? Não… Mas temos certeza que ele é culpado? Também não…” E através de argumentos muitíssimo bem colocados, o personagem invalida todos os indícios que acusavam o réu. Consequência: no final das contas TODOS os votos se converteram em 12 a zero. 12 votos a favor da inocência do rapaz. E daí, dentre outras diversas lições, podemos tirar uma principal: todos são inocentes até que se prove o contrário.

Esse é um clássico em preto e branco que não tem qualquer efeito especial, nenhuma cena de ação emocionante e nenhuma cena dramaticamente apelativa. Diria que o filme é um tanto quanto racional por completo. Mais do que questões legislativas, questões de ética e moral são as mais trazidas à tona ao longo do filme.  Simples, absolutamente simples, mas com um propósito louvável.

Helena S. Sylvestre

Helena S. Sylvestre

Pimenta Neves: Na mídia, por quê?

No fim do mês passado, o jornalista Pimenta Neves e réu confesso de Sandra Gomide, foi condenado a 15 anos de prisão após o Supremo Tribunal Federal ter rejeitado o último recurso apresentado pelos advogados. Pimenta Neves assassinou a jornalista e ex-namorada em 2000, e após 11 anos do assassinato, o STF decretou sua prisão.

A notícia sobre a prisão de Pimenta Neves foi publicada, entre outros veículos, pela VEJA, pela Folha de São Paulo e pelo portal G1. Porém, as abordagens dos três veículos foram diferentes.

Tanto a VEJA quanto o G1 publicaram notícias pequenas sobre o caso Pimenta Neves. Além disso, os dois veículos escreveram sobre o local onde o jornalista ficará encarcerado. Entretanto, a VEJA enquadra a matéria de maneira a mostrar o suposto conforto da cela em que Pimenta Neves ficará. Para isso, destaca o fato de que apesar de ele estar em uma cela de nove metros quadrados, o local tem o dobro do tamanho da cela onde passou sua primeira noite preso. Além disso, a matéria também enfatiza o fato de ele ficar alojado no Pavilhão 2 da penitenciária, que é destinado a presos com nível superior.

Em contrapartida, o G1 também descreve a situação do jornalista na prisão, mas dessa vez sob um aspecto negativo. Diferentemente da VEJA, o G1 destaca o fato de ele estar sendo tratado como um preso comum, sem qualquer regalia. G1 também coloca que a penitenciária na qual Pimenta Neves se encontra, suporta 239 pessoas, mas abriga 322. Além disso, o portal diz que ele passará pelo procedimento padrão de todo preso. Essas informações também acentuam a intenção do G1 de mostrar que o jornalista não está em vantagem.

Ao final de ambas as matérias, tanto a VEJA quanto o G1 relembram o ocorrido e colocam qual foi a decisão do STF em relação à defesa do jornalista. A VEJA ainda coloca que a também jornalista Sandra Gomida, rompeu o relacionamento de dois anos com Pimenta Neves, e isso lhe rendeu a demissão do jornal O Estado de S. Paulo, veículo do qual Pimenta Neves era diretor de redação.

O G1, porém, continua insistindo em mostrar que o jornalista não vai receberá vantagens, e garante isso quando coloca que Pimenta Neves “não poderá conceder entrevistas durante o período de observação e apenas receberá visitas da advogada”.

No caso específico da Folha de São Paulo, a contextualização da matéria foi mais ampla. O jornal, além de dar a notícia da condenação de Pimenta Neves, colocou informações essenciais sobre o assassinato de Sandra Gomides. A Folha também justificou um dos motivos para caso ter ganhado tanta repercussão nas mídias: por ser o caso mais emblemático de impunidade da história do Brasil.

Apesar de crimes similares a este acontecerem com freqüência no Brasil, os veículos de comunicação deram destaque ao caso Pimenta Neves pelo fato de ele ser ex-diretor do Estadão. Ou seja, por ser uma figura de alto escalão dentro do círculo jornalístico do país. É possível, portanto, que essa seja uma situação em que, mais do que refletir a realidade, os veículos pautam a sociedade, tornando público aquilo que é colocado pela mídia.


“Pimenta Neves pega sentença de 15 anos pelo assassinato da jornalista Sandra”


Mídias sociais: ferramentas conscientizadoras ou narcotizantes?

Nos últimos anos ficou evidente o enorme crescimento das mídias sociais, e junto com ele colocou-se em questão qual seria o suposto potencial que essas novas mídias têm para contribuir socialmente de alguma maneira.

De fato, as mídias sociais como o Facebook, o Orkut e Twitter são ferramentas interativas que têm o intuito de aumentar a participação dos internautas na rede. O que antes era pregado pela Teoria Hipodérmica, hoje já caiu por terra. O usuário não tem o papel de simples receptor passivo de informação. Mais do que receber e absorver, o internauta hoje influencia de maneira direta naquilo que é publicado via web. Com o auxílio das redes sociais, o internauta ainda tem a capacidade de disseminar os conteúdos que recebe a uma velocidade e eficiência espetaculares. Quanto maior o número de laços sociais, maior a repercussão e consequentemente há um aumento do fluxo de informações. Essa é a estratégia das mídias sociais.

Que fique claro que as tecnologias digitais têm um propósito louvável, dependendo da maneira como são aplicadas. As mídias sociais têm um grande poder de persuasão, conscientização e divulgação? Sim… Mas pensar nas mídias sociais apenas em seus aspectos positivos é ver a web 2.0 com um olhar de inocência.

Pare para pensar no seguinte… Quantas vezes você já não assistiu ao telejornal da noite, viu-se bombardeado de informações e pensou: “Pronto. Agora já sei o que está acontecendo. Estou politizado, e então já posso ir pro bar beber umas cervejas com os amigos”. Não é verdade?

Pois é… Isso é o que expõe a Teoria da Disfunção Narcotizante. O que isso quer dizer? Que os indivíduos estão expostos o tempo todo a um número infinito de informações disseminadas por diversos veículos de comunicação. Assim, o sujeito sente-se muito bem politizado, a par de tudo o que está acontecendo ao redor do mundo, e, portanto, sente-se satisfeito por fazer sua parte. OK. Mas esse mesmo sujeito, além de obter informação, está tomando alguma atitude prática, cumpre seu papel social, ou fica em estado “vegetativo”? A Teoria diz que de fato, a sociedade continua em estado inerte diante dos problemas sociais.

E eu estendo a questão: o surgimento das mídias sociais está causando o mesmo efeito narcotizante na sociedade? Ou pior, estariam as mídias sociais virando as atuais protagonistas da Teoria da Disfunção Narcotizante? Qual é a porcentagem dos internautas que além de retwittarem mensagens de campanhas, “põe a mão massa” para ajudar de fato o que estas campanhas propõem?

Essa é uma dúvida que paira no ar… Por ora é preferível não se afirmar nada, mas fica aí a reflexão.

Helena S. Sylvestre


E Lady Gaga continua surpreendendo… Born This Way a caminho.

Para aqueles que já sabem, vos lembro. Para os que não sabem, vos aviso: Born This Way, o novo álbum de Lady Gaga será lançado amanhã, dia 23 de maio.

Sim, novamente farei um post sobre Lady Gaga. Motivo? Não, não é porque sou absurdamente fã da cantora. Nem porque ela é autora das mais variadas polêmicas no cenário pop atual. Bom, pelo menos não só por esse motivo.

Primeiro veio o lançamento do single Born this Way. A promoção em cima da música foi absurdamente grande, mas parece que não chegou a agradar tanto quanto era esperado. Depois veio o lançamento de Judas. Aí novamente vieram as comparações de Lady Gaga com Madonna, já que a rainha do pop lançou singles polêmicos que também abordavam figuras religiosas (vide Like a Prayer e Isaac).

Nos últimos dias saiu The Edge of Glory. Divulgação? Quase nenhuma… E olha a controvérsia: o single surpreendeu os fãs, e MUITO! Sim, eu particularmente sinto certa simpatia por Born This Way e Judas, mas confesso que fiquei realmente impressionada quando escutei The Edge of Glory pela primeira vez.

A letra é excepcional? Não. A melodia é absurdamente cativante? Também não. Mas basta ouvir TEOG uma vez só para perceber o tamanho da carga emocional que a cantora colocou na música. É tocante, é arrepiante, sem contar que Gaga tem um talento musical absurdamente grande. Gostem ou não, isso é inegável.

Não ouviu ainda? Então ouça já!

Talvez esse novo CD demore um pouco para cair nas graças do público. Provavelmente porque as músicas de Born This Way fogem um pouco do padrão. Não que este seja composto por sons alternativos ou grotescos. Pelo contrário. Entretanto, a faixa que mais destoa no álbum todo é Judas. É a única música que não cabe muito bem na temática do álbum.

Em contrapartida, senti uma simpatia muito grande por quase todas. Tenho a nítida impressão que Lady Gaga consegue de fato refletir seu verdadeiro íntimo na maioria das faixas de Born This Way. Ela transparece sinceridade, emoção e talento de sobra em “The Edge of Glory”, “You and I” e “Hair”.

Os frankfurtianos (Escola de Frunkfurt) podem dizer que Lady Gaga é uma cantora totalmente inserida nos padrões da indústria cultural. Podem dizer que faz música pra grande massa e que seu grande objetivo é vender. OK, não discordo. Aliás, nem a própria cantora discorda. Mas, sinto lhes dizer que discordo MUITO quando questionam o talento de Gaga. Isso ela tem, e de sobra. Como disse a própria Gaga quando questionada sobre sua originalidade: “Tire minha roupa, meu cabelo, mas não tire o piano que eu te faço chorar”.

“You and I” – AO VIVO

“The Edge of Glory” – AO VIVO

Helena S. Sylvestre


Osama: motivo de “rebuliço” na mídia

23h52. Horário em que foi anunciada a morte do terrorista Osama Bin Laden pela imprensa norte-americana, no domingo, dia primeiro de maio. Sim, primeiro de maio. Data em que é comemorado o Dia Mundial do Trabalho. E pelo visto, as Forças Armadas Estadunidenses quiseram fazer jus à data, matando o homem mais procurado pelo país nos últimos 10 anos.

Pelo menos isso é o que diz Barack Obama. Atual presidente dos EUA que foi “assassinado” pela Fox, quando a emissora anunciou a morte do terrorista: “Reports: OBAMA Bin Laden Dead”. Quiseram realmente matar o presidente americano? Não… Foi puramente um erro de digitação, então? Também não diria isso… Sim, houve erro de digitação (obviamente), mas seria um erro absurdamente grotesco a deixar passar em branco…

Se não houvesse um motivo tão justificável para isso: o furo de notícia. Aí entramos naquele velho dilema do jornalismo atual: qualidade de informação VS. Velocidade de informação. O que tem mais valor? Um fato noticiado no momento em que ele acontece, mas sem uma apuração mais completa, ou um fato noticiado algum tempo depois do ocorrido, mas com informações mais concretas e confiáveis? Eis a questão… De qualquer maneira, a “sede” por notícias quentes ainda é muito grande entre os veículos de comunicação. Isso explica alguns pequenos (ou grandes) erros, como esse cometido pela Fox, e a ausência de publicação de um conteúdo mais denso.

Pensemos a respeito de mais alguns pontos de observação. O casamento “real” aconteceu no dia anterior (um sábado), e a lua-de-mel do casal William e Kate aconteceria logo após o fim de semana. Entretanto, o casal adiou a viagem. De acordo com o diário inglês The Daily Telegraph, a lua-de-mel seria na Jordânia (nada confirmado), e esse adiamento teria acontecido devido à “agitação contínua no Médio Oriente”. Se esse foi o real motivo da decisão tomada pelo casal “real”, não se sabe. Mas o que se pode ter quase certeza é que a cobertura midiática dos pombinhos seria bastante ofuscada pelo caso “Osama”. Fica aí então algo a se pensar…

Curiosidade número dois: A cantora Lady Gaga tinha marcado a estreia para o clipe de seu novo single “Judas” para o dia 5 deste mês (quinta-feira). Mas como sempre, a cantora havia resolvido antecipar a estreia para o dia primeiro (domingo). Porém, contudo, entretanto, todavia, a cantora mudou de ideia e “jogou” a data de lançamento para o dia 5 novamente. Motivo? Também não se pode afirmar nada, mas o que se pode afirmar é que novamente, o caso “Osama” ofuscaria (e muito) a repercussão da estreia de Judas na mídia. Fica aí uma reflexão sobre o poder da mídia de interferir na ordem dos acontecimentos (sejam eles relevantes, ou não).


Helena S. Sylvestre


A Era de Aquário persiste entre nós…

Atual. É assim que posso descrever Hair. O musical foi lançado em 1979, mas mesmo depois de 32 anos, o filme faz com que ano a ano, cada geração que o assiste, se identifique de alguma forma com o propósito da trama. Talvez você se pergunte: Por qual motivo ou circunstância, um filme tão antigo foi escolhido para virar pauta do TPMídia? O motivo, como disse acima, é justamente o fato de Hair percorrer gerações sem se tornar um filme ultrapassado, “mofado” ou esquecido. Duvida? Então preste atenção: música; luta política; insatisfação social; desejo de mudança; nacionalismo. Essas palavras lhe soam familiar?


Pois é… São essas palavras que resumem a trama do musical. Pode parecer coincidência, mas não  é…  Hair mostra a história de um jovem de Oklahoma que foi recrutado para lutar na guerra do  Vietnã (1959-1975). Quando vai pra Nova York, o rapaz conhece um grupo de hippies, figuras  representativas da contracultura que se negavam a aceitar os padrões impostos pela sociedade, o  nacionalismo doentio estadunidense e as guerras de um modo geral (mas principalmente a  Guerra do Vietnã). OK… Vai pode dizer que os hippies já não são mais figuras que ainda estão na  “moda”, mas dizer que hoje em dia a sociedade não dá motivos para ser contestada seria um  absurdo bastante grande. A diferença é que hoje, a rebeldia acontece por baixo dos panos, os  movimentos anti-sociais já estão mais ociosos e sem muita força.

Mas veja bem…

Harmonia e compreensão. Simpatia e confiança. Liberação da verdadeira mente. Paz e amor. Estas não são palavras as quais buscamos seu verdadeiro significado até hoje? Então certamente temos motivo SIM para chegar lá, já que ainda estamos bem longe de sequer chegar perto do que podemos chamar de “sociedade harmônica”.

Guerras… Existiram, existem e possivelmente ainda existirão. Pelo menos é o que tudo indica.

1980

1990

2000

2011

Não é coincidência… É apenas a contemporaneidade do lado negro da humanidade. E querendo ou não, a letra de “Let the Sun shine in” cabe como uma luva no atual contexto de guerras. E o sentimento de indignação ainda continua tomando conta dos “lúcidos”.
Hair é uma produção cinematográfica que permanecerá encantando gerações, por mostrar que acima de tudo, devemos prezar a simplicidade que a vida tem a oferecer e tentar combater a intolerância socialmente imposta. A amizade está acima de um nacionalismo desacreditado, padrões devem ser quebrados para que se fique claro o real significado da diversidade e a utopia ainda deve se tornar realidade. Assista a este musical sensível, perspicaz, genial e bastante pertinente. Provavelmente você perceberá que o filme é antigo, mas que a intolerância humana é mais antiga ainda e infelizmente persiste na sociedade “moderna”.

Pense nisso…

Helena S. Sylvestre


Roxette está de volta às terras brasileiras!

Sim, jovens mancebos. O Roxette voltou ao Brasil! Depois de a dupla se apresentar dia 12 em Porto Alegre (Pepsi On Stage) e dia 14 em São Paulo (Credicard Hall), Marie Fredriksson e Per Gessle se apresentarão hoje (dia 16) no Rio de Janeiro (CityBank Hall), amanhã (dia 17) em Belo Horizonte (Chevrolet Hall), e no dia 19, para alegria dos fãs paulistas, haverá mais um show em São Paulo (Credicard Hall).

Pra quem curte o Roxette e descobriu só agora que eles vieram para o Brasil, desculpe, mas é muita alienação pro meu gosto! Brincadeirinhaaa!!! Pra quem ainda tem interesse em ver algum dos shows da dupla sueca, acesse o site Tickets For Fun, e garanta seu ingresso!

Bom, mas se você nem sabe quem são Marie e Per, ou não se recorda muito bem da dupla, preste atenção…

Aos novelistas de plantão:


“Listen To Your Heart” – Novela O Sexo dos Anjos – Rede Globo, 1989 


“Spending My Time – Novela Perigosas Peruas – Rede Globo, 1992 


“Milk And Toast And Honey” – Novela Um Anjo Caiu do Céu – Rede Globo, 2001

Aos cinéfilos:


“It Must Have Been Love” – Filme Uma Linda Mulher – 1990

 
“Almost Unreal” – Filme Super Mario Bros. – 1993


“It Will Take A Long Long Time” – Filme Noiva Em Fuga – 1999

Lembrou? Há… Não conhece? Então saiba o que está perdendo!

1986: Esse foi o ano em que surgiu o Roxette. Antes, seus dois integrantes (Marie Fredriksson e Per Gessle) já seguiam carreira musical, ela solo, e ele como integrante da banda Gyllene Tider. Na metade da década de 80, os suecos resolveram unir suas forças e criar um dos maiores ícones da música pop.

Com 33 singles nas paradas de sucesso e mais de 75 milhões de cópias vendidas, pode-se dizer que o Roxette certamente marcou o cenário musical da época. E mais, continua ganhando fãs ao redor do mundo todo até os dias de hoje. Depois de uma operação para retirada de um tumor cerebral, Marie Fredriksson manteve-se fora do foco da mídia por algum tempo, mas nem mesmo a doença fez a moça abrir mão de sua grande paixão: a música.

A dupla ficou parada por alguns anos, mas Per Gessle continuou atuando na banda Gyllene Tider durante esse período. Enquanto isso, o Roxette preparava um retorno triunfal, que aconteceu em 2009. Em 2010, a dupla começa a compor o nono álbum da carreira, e no começo de 2011 “Charm School” é lançado, vindo juntamente com uma grande turnê.

O Roxette esteve no Brasil pela última vez em 1999, mas depois de 12 anos de espera, os fãs brasileiros finalmente vão poder se emocionar novamente com os sucessos de Marie Fredriksson e Per Gessle, dois nomes de grande talento musical. E você? Vai perder essa??

Confira algumas imagens da dupla!

       

OPS! IMAGENS ERRADAS! 


  

                           

AGORA SIM! 

Helena S. Sylvestre


CIDH vs. Belo Monte

(TPMídia ON RADIO)

A CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) da Organização dos Estados Americanos, não está querendo que a Usina de Belo Monte seja construída.

No dia primeiro, a CIDH aprovou medidas de proteção às comunidades indígenas que habitam o rio Xingu, no Pará. A Organização também alega que várias medidas sócio-ambientais devem ser tomadas antes do início da construção da usina.
No portal online Folha.com, essa notícia sobre Belo Monte foi publicada na editoria Mercado. Mas não é possível perceber logo de cara, nenhum foco econômico nela. Em compensação, quando se lê a notícia, nota-se que o foco principal é sobre as questões ambientais que envolvem a construção da Usina. O Folha.com tem uma categoria chamada Ambiente. Apesar disso, o portal preferiu publicar a notícia na editoria Mercado. Por pertencer a essa editoria, a notícia poderia ter outro enquadramento, dando destaque, por exemplo, às conseqüências econômicas que a construção da Usina poderia trazer à população que habita o local. De qualquer forma, a construção da Usina de Belo Monte vem criando polêmica, pois ainda não se sabe ao certo que impactos econômicos, sociais e ambientais a obra poderá gerar.

E você? É a favor ou contra a construção da Usina? Não sabe? Então primeiro entenda como funciona uma usina hidrelétrica:

Conheça a opinião de quem é contra e quem é a favor da construção da usina:

(OBS: Nosso objetivo ao mostrar os vídeos, não é nos posicionarmos a favor do PT ou do PV. Estamos apenas mostrando quais as opiniões de ambos os partidos).

Helena S. Sylvestre


Polêmico Bolsonaro = Redundância Extrema

Depois de dar uma polêmica declaração ao programa CQC, o deputado do Partido Progressista, Jair Bolsanaro continua declarando à imprensa que é contra os movimentos homossexuais. Bolsonaro ficou conhecido por suas ideias nacionalistas e conservadoras, e por defender abertamente o regime militar de 1964 instalado no Brasil.
Quando se acessa os sites da Veja e da Carta Capital, o posicionamento de cada veículo em relação ao assunto é clara. No campo de buscas do site da Veja, quando se digita o nome “Bolsonaro”, nenhum resultado aparece nos arquivos da revista. Já no campo de buscas da Carta Capital, os primeiros resultados que aparecem têm os títulos: “Homofobia e racismo do deputado Bolsonaro geram onda de indignação” e “Declarações favorecem o combate à homofobia, diz senadora Marta Suplicy”, os dois do dia 31 de março. E “Bolsonaro diz que “está se lixando” para movimento gay” e “Deputado carioca será processado por homofobia e racismo”, ambos do dia 30.

A Veja tem uma linha editorial voltada para a direita política. Provavelmente isso explica o fato da revista não publicar no site, notícias a respeito do assunto. Por outro lado, a Carta Capital adota um posicionamento de esquerda. Isso explica o tom crítico dos títulos no site da revista. As notícias da Carta Capital também mostram grande parcialidade ao expor apenas aquilo que culpa o deputado Bolsonaro. As duas revistas deixam bem claras quais são suas posições políticas. Por isso existe essa parcialidade tão explícita tanto por parte da Veja, como por parte da Carta Capital. Mas, de acordo com a ética jornalística, a Veja não poderia ter ficado quieta sobre o que aconteceu, e a Carta Capital também não poderia ter pendido tanto para o lado da acusação de Bolsonaro.

Nota da matéria:

O deputado Bolsonaro já foi mencionado mais de 90 mil vezes no Twitter. Também circula na rede social uma petição para cassar o mandato do deputado, que já tem mais de 13 mil assinaturas. No Facebook, uma página de protesto contra Bolsonaro já conta com mais de 27 mil usuários.

Helena Sylvestre


Hora do Planeta estampa capas do Estadão e da Folha

No último sábado, dia 26, 134 países ao redor do mundo participaram da Hora do Planeta. A iniciativa é da ONG ambiental WWF, e o objetivo é fazer com que os cidadãos apaguem as luzes de suas casas por uma hora. Assim como em todos os outros anos, a mobilização aconteceu entre as oito e meia e às nove e meia da noite.

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O jornal Folha de São Paulo e o Estadão publicaram a notícia sobre a Hora do Planeta em seus portais na internet. O Folha de São Paulo fez uma notícia curta, dizendo que a proposta da ação é “conscientizar a população sobre o aquecimento global, e a necessidade de se preservar o ambiente. Ele também informa quem é a organização responsável pela iniciativa e quantas cidades brasileiras participaram no último sábado.

O Estadão, por outro lado, publicou uma matéria mais completa e com fontes de informação. A versão online do jornal colocou que o objetivo da Hora do Planeta é apenas simbólico, mas que serve como reflexão para as cidades e seus moradores. Fábio Cidrin é ativista da WWF, e explica na matéria que cada país usa essa iniciativa para discutir sobre questões ambientais locais. O jornal também diz que neste ano, o primeiro minuto da Hora do Planeta foi celebrado em silêncio. Uma forma de homenagear as vítimas dos desastres naturais de 2011. De um modo geral, então, o Estadão publicou uma matéria mais completa que o Folha de São Paulo. Mas nenhum dos dois jornais colocou a opinião daqueles que são contra a iniciativa da ONG.

 

Helena S. Sylvestre

 


Julia Roberts “estampada” no corpo alheio. (Fanatismo?)

“Fã tem 82 tatuagens do rosto de Julia Roberts”. Deparei-me agora a pouco com essa manchete no site do UOL, e por pura curiosidade cliquei no link para ler sobre o que se tratava exatamente. Miljenko Parserisas Bukovic, de 56 anos, ao que tudo indica, é absolutamente fanático pela Julia Roberts. Consequência: o cara fez OITENTA E DUAS tatuagens do rosto da atriz pelo corpo. Loucura? Insanidade?

Bom… Confesso que em um primeiro momento eu pensei: “O que leva uma pessoa a agir de maneira tão irracional assim?” E então encostei minha cabeça na cabeceira da cama e passei a refletir sobre o assunto sob um aspecto mais amplo. OK, a notícia em si não tem nada de relevante e não agrega qualquer valor ao leitor, mas em compensação me fez parar para pensar… Até que ponto pode chegar a admiração por alguém, sem que isso interfira negativamente no cotidiano de quem admira? E aí entra a questão da idolatria. Não coloco em xeque aqui a idolatria religiosa especificamente. Refiro-me à idolatria em seu aspecto fanático e doentio de um modo geral.

Todo mundo, pelo menos alguma vez na vida, já admirou aquele cantor que marcou a sua adolescência, aquela atriz com a qual se identificou por algum motivo ou aquele jogador que inspirou suas jogadas na quadra da escola. Até aí tudo bem… Não vejo problema algum em se tornar fã de um indivíduo quando existe uma admiração saudável, e que traga inspiração ao admirador. O grande problema é quando existe a idolatria excessiva, que acaba resultando no desgaste emocional e até mesmo físico dos fãs. A partir do momento em que alguma figura pública é colocada sob um “altar”, começa a existir um sentimento de admiração, mas uma admiração que não inspira, mas sim rebaixa quem a idolatra.

A idolatria acaba interferindo constantemente no cotidiano do fanático, e o fato é que a irracionalidade sobre seus atos (quando estes envolvem o “admirável”) dificilmente não traz como resultados, conseqüências negativas. Tomemos como exemplo as brigas nos estádios de futebol. Fica aí então a reflexão: Vale a pena nos alienarmos em prol de um fanatismo excessivo? Bukovic acha que sim, e suas tatuagens são demonstrações do quanto o rapaz venera a atriz Julia Roberts. Será que essa idolatria toda não interfere de maneira negativa na vida de Bukovic? Pense nisso…

Fonte: UOL


Helena Sylvestre

Helena Sylvestre