A Fúria Feminina!

Arquivo para julho, 2011

Isso é engraçado?

Já que o assunto da vez é Amy Winehouse, resolvi tomar esse gancho para comentar sobre um outro aspecto do jornalismo/entretenimento brasileiro. Muito há que se comentar sobre esse agenda setting que está acontecendo em torno da morte da cantora inglesa, mas uma notícia veiculada nessa terça-feira me chamou a atenção para uma outra característica da nossa mídia: os programas humorísticos. Ou quase isso.

O site de entretenimento da Folha de São Paulo, o F5, divulgou nessa terça-feira a nota de que os humoristas do programa “Pânico na TV!”, veiculado na RedeTV!, invadiram o funeral da cantora Amy Winehouse para gravar um dos quadros do programa. Lembrando que, a pedido da família de Amy, o funeral foi fechado somente para amigos e parentes.

Essa foi apenas mais uma demonstração da qualidade do que alguns brasileiros costumam chamar de humor. Não foi a primeira vez que os chamados humoristas do Pânico tiveram uma atitude anti-ética, mas essa me chamou a atenção pela situação: era um funeral, um momento íntimo familiar e não um evento qualquer em que esse tipo de gente costuma se infiltrar.

Mas o que eu quero mesmo é falar desse humor que faz sucesso no nosso país. O “Pânico na TV!” já está no ar há 8 anos, desde 2003, e todos sabemos do sucesso que faz não somente entre os jovens, mas com pessoas de todas as idades, até mesmo crianças, por causa dos personagens que são colocados nas edições semanais.

Posso até dizer que uma coisa ou outra pode ser engraçada, mas não entendo a graça no tipo de humor caricato que tende ao preconceito, desrespeito, invasão de privacidade e outras características que descaracterizam o humorístico.

Aliás, um outro programa que está sendo redesenhado por essa estrutura parece ser o CQC, exibido pela Bandeirantes nas noites de segunda-feira. O programa é uma “cópia” do original argentino e está configurado em um humor inteligente, com pegadas políticas e temas mais culturais. Mas, de um tempo pra cá, tenho a impressão de que os quadros do CQC também estão tendendo para esse humor popularesco. Infelizmente.

Em uma de suas edições, o CQC exibiu uma matéria com o repórter Rafael Cortez visitando a festa Skol Sensation e conversando com meninas superproduzidas e caras bombados. Detalhe que a matéria terminou com o repórter beijando uma das entrevistadas. Me diz: pra quê isso?

Já existe uma campanha no Brasil para denunciar esses tipos de entretenimento chamada “Quem financia a baixaria é contra a cidadania” que todo ano divulga uma lista da baixaria na TV. Nesse ano de 2011, o 18º ranking divulgado colocou o Pânico da TV! no topo da lista dos mais denunciados pelo público. Foram 113 denúncias durante o ano de 2010 fundamentadas em exposição de pessoas ao ridículo, humor grotesco, excesso de nudez e palavras de baixo calão.

O site para denunciar baixarias e desrespeito na TV é o www.eticanatv.org.br

Isso é um sinal de que os brasileiros estão percebendo o baixo nível de seu entretenimento e formação cultural de massa da população? Espero que sim.

É fato que as produções humorísticas nacionais nunca foram ótimas, mas pelo menos não lidavam diretamente com a vida pessoal e íntima de famosos e anônimos e faziam disso um motivo de risadas. Fica a minha indignação com a atitude dos humoristas do “Pânico na TV!” e uma reflexão sobre o que a nossa mídia apresenta como engraçado.

Helena Ometto

Helena Ometto


Rehab termina com Some Unholy War

É isso, desde sábado, dia 23 de julho, os cadernos de cultura e as páginas principais de jornais e sites estamparam o nome de Amy Winehouse. A cantora, que já foi taxada de tantos nomes diferentes, nem está mais aqui para brigar ou levantar polêmica com ninguém.

E foi assim que terminou: sozinha, ela deixou a polêmica para a mídia que sempre fez sua vida um espetáculo… e que agora faz a morte também.

A morte rende muita matéria, principalmente das “celebridades” que ACABAM – literalmente – com a vida contada e recontada, especulações sem fim e perguntas que podem ou não encontrar respostas naqueles que ficam.

Antes desse sábado, qualquer um que ouvisse aquela voz rouca dizendo ‘no, no, no’ chegaria ao nome de Winehouse como uma moça jovem, dependente de drogas e álcool, sem nenhum vínculo familiar forte e com alguns relacionamentos amorosos bem mal-sucedidos. Além dos escândalos, é claro.

Agora, os editores reviraram a história de Amy e aproveitaram o momento. Arrisco até afirmar que alguns dizem “até que enfim morre uma celebridade!”, porque isso dá assunto. Quem acompanhou os meios de comunicação viu reportagem na TV, várias matérias todos os dias na Folha e no Estadão e muitas fofocas nos portais e revistas de famosos.

Quanto a abordagem, é bem difícil não sentir o tom de fofoca nas notícias, pois a vida de Winehouse sempre foi estereotipada. O site da folha de São Paulo faz manchete sobre o ex-marido e ex-presidiário, Blake Fielder-Civil. “Minhas lágrimas nunca vão secar” é a chamada que poderia muito bem virar algum verso das letras de Amy…

“Todo mundo que me conhecia e conhecia Amy sabia o tamanho do nosso amor. Eu nunca mais vou sentir o amor que senti por ela” ex-marido, Blake Fielder-Civil

Já no blog Arquivo do Estadão, o assunto rendeu uma mostra dos jornais impressos digitalizados com matérias feitas sobre Amy durante boa parte da carreira. Os estereótipos que marcaram a cantora ficam bem claros, mas é uma forma interessante de ver as diferentes visões do veículo em cada reportagem diferente e em épocas diferentes.

Arquivo Estadão 07.07.2008
Arquivo Estadão 09.01.2011

Todo o espetáculo feito em torno da morte de Amy imortaliza definitivamente a vida – mesmo que curta – da cantora. (Como aconteceu com Cazuza, Renato Russo etc etc etc). A dependência química dá margem para a sociedade apontar que são ÍDOLOS DE MAUS EXEMPLOS. Arrisco responder que a mídia é responsável pela fama desses ídolos, durante a vida, quando expõe a intimidade e depois da morte, nos “aplausos” finais.

O taxista e a farmacêutica que aparecem “chorando a morte de seu ‘anjo’” como colocou um jornal nos últimos dias, deveriam contar como foi a infância de Amy e supor que isso tenha algo a ver com os problemas que teve na idade adulta. No entanto, Mitch Winehouse se tornou o “inspirador do talento da filha”.

Mitch Winehouse (à esquerda), pai da cantora, o irmão Alex, o namorado Reg Traviss e Janis, mãe da cantora

Como no post anterior, vale repetir, agora em homenagem: O cabelo estilo anos 80, a maquiagem de olhos pretos bem marcados, o piercing e as tatuagens. Amy foi uma mulher que colocou para fora um interior com qualidades e defeitos que fazem contraste com seu talento musical.

Rehab termina com Unholy War porque Winehouse tinha um mundo próprio em si, viveu intensamente seus erros, paixões e acertos. Toda a guerra ao seu redor foi construída com o julgamento feito pela sociedade: na própria família, em valores padronizados e mais tarde até mesmo nos fãs.

A guerra esteve nela, que seria fiel, todo tempo: Winehouse que transpôs sua vida em músicas.

In memorian, ficamos Ouvindo no Talo!  versão inédita de Some Unholy War  com Amy Winheouse!!!

Lilian Figueiredo

Juliana Baptista


“O jornalista e o assassino” – Uma reflexão sobre a ética jornalística

“O jornalista e o assassino” é um livro de leitura praticamente obrigatória a qualquer jornalista, estudante de jornalismo ou simpatizantes. Mas a minha indicação de leitura se estende a qualquer indivíduo que se interesse por se questionar a respeito de questões humanas, questões éticas e o significado “concreto” de verdades e mentiras.

Janet Malcolm, jornalista estadunidense e autora do livro, traz à tona reflexões relacionadas principalmente à ética dentro do jornalismo. Para isso, ela aborda a história de um jornalista (Joe McGinniss) que escreveu um livro sobre o médico Jeffrey MacDonald, acusado de assassinar a esposa e as duas filhas. Entretanto, até o lançamento do livro (“Fatal Vision”) McGinniss fingir estar a favor de MacDonald, dando-lhe a entender que ele acredita que o médico seja inocente. E transmite isso através de cartas enviadas a MacDonald na prisão.

É justamente essas cartas que abrem uma brecha para o médico processar o jornalista por calúnia e difamação. É justamente nesse ponto que a autora consegue captar a atenção do leitor. “Como um homem acusado (e preso) por assassinato pode recorrer ao tribunal por calúnia?”. Esse não é o foco. O fato é que Janet quis colocar a seguinte questão em xeque: “Até que ponto o jornalista pode ir para conseguir informações que lhe sejam necessárias ou úteis?”

Ética, ética, ética… Apesar de ainda muito questionado no meio jornalístico, não existem regras definidas a respeito do que é ético o jornalista fazer ou não. Entre aí a questão daquilo que comumente chamamos de “bom senso”. Se o jornalista pode “enganar” o entrevistado afim de que se consiga o que se quer, não se pode afirmar legalmente. Mas a consciência do repórter é que dará o “xeque-mate” na questão.

Ao fim do livro não é possível saber se MacDonald foi de fato o responsável pela morte da família, ou não. O eixo da obra não é esse. E mais do que se utilizar de especificidades da área jornalística ou de moralismos excessivos, Janet, apesar de se colocar contra McGinniss, traz o tempo todo argumentos utilizados por ambas as partes do processo. Tanto por aqueles que defendiam McGinniss no tribunal, quanto aqueles que eram contra. Destaco ainda os detalhes a respeito da psicopatia e sociopatia que foram descritos no livro. Interessante  em termos de Ciências Humanas e também Sociais.

De maneira geral, apesar de Janet trazer questões a respeito da ética dentro do jornalismo, o livro serve para nos fazer refletir a respeito do nosso comportamento como indivíduo social. Até que ponto podemos caracterizar nossos “passos” como éticos ou antiéticos? Até que ponto podemos infringir certos moralismos em pró de algo? (Traga isso um bem estar social ou não)

Interessante para jornalistas, para advogados, para psicólogos, e qualquer pessoa que tenha interesse por questionar a essência do ser humano o meio social em que vive.


Helena S. Sylvestre

Helena S. Sylvestre


Porque Harry Potter faz sucesso

 Com o lançamento do filme Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2, o jovem bruxo virou pauta de praticamente todos os portais de notícia e telejornais nestes últimos dias. Com uma legião de milhões de fãs, Harry Potter consegue fazer sucesso e movimentar várias cifras com seus livros e filmes por vários anos.

 J.K. Rowling lançou o primeiro livro sobre Harry Potter em 1997, porém apenas em 2001 a história ganhou visibilidade quando foi adaptada para o cinema por Chris Columbus. Com o enorme sucesso, Rowling continuou a escrever a saga do bruxo até o sétimo (e último) livro.

Muitas pessoas não entendem o porquê dessa história fazer tanto sucesso, porém apenas quem acompanhou a história de Harry quando era pré-adolescente consegue explicar o amor à primeira vista: identificação com o personagem.  Grande parte dos fãs tinha uns 10 anos quando o filme foi exibido, a identificação com o personagem aconteceu e isso despertou a vontade de acompanhar a história do garoto de Hogwarts.

Porém não é só a idade o fator de identificação dos fãs com Potter. A história do bruxo envolve valores pouco explorados por outras narrativas: mudança nos moldes da família, aceitação das diferenças, quebra de regras para uma causa maior, valorização do intelecto ao invés da força física… As narrativas dos anos 2000 voltadas para as “crianças” eram muito repetitivas, sempre com aquelas lições de moral clichês e Harry Potter acabou explorando com mais profundidade o universo dos jovens, mas sempre sendo um exemplo a ser seguido. Você jamais veria um protagonista Disney desobedecendo alguma autoridade, roubando alguma coisa ou mentindo, mesmo que fosse por uma causa nobre (todo mundo que faz algo negativo é punido nessas histórias). A grande sacada de Rowling foi abordar todos esses valores sem abandonar a magia, todas as crianças têm essa necessidade de magia na infância. Conforme o protagonista vai crescendo e amadurecendo, seus leitores também. Assim, a identificação não perde seu vínculo.

O lançamento da saga aconteceu simultaneamente com a “popularização da tecnologia”. No início dos anos 2000 os computadores e a internet ficaram mais acessíveis, assim como os videogames. A narrativa ganhou mais força graças à multiplicidade de plataformas: era possível assistir o filme, ler o livro, acessar o site, dividir opiniões nos fóruns, jogar os games… Harry Potter foi beneficiado pelo fenômeno transmedia e hoje não é só uma marca, é um capital emocional (uma lovemark).

Sem contar que a história de Harry segue os moldes do Monomito e os heróis sempre acabam conquistando seguidores desde que o mundo é mundo. Harry Potter é o herói contemporâneo, adapta os valores da nova sociedade em sua história e conquista o amor e devoção dessa nossa Geração Y.

Se quiser saber mais como o processo de transmedia popularizou a história de Harry Potter, clique aqui.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

Dia Mundial do Rock

Hoje, 13 de julho, mais conhecido como dia mundial do rock. Claro que o TPMídia não podia deixar de fazer sua homenagem a algumas personalidades femininas que marcaram o cenário rock n’ roll.

The Donnas é um grupo de hard rock formado em1993.Amigas desde o ginásio, aos 14 anos começaram a ensaiar e provocar a todos com suas letras e seu som pesado e irreverente. Inicialmente a banda se chamava Ragady Anne, dois anos mais tarde, mudam o nome para The Donnas. Brett Anderson, Allison Robertson, Maya Ford, e Torry Castellano alcançaram o sucesso com o álbum American Teenage Rock And Roll Machine.


Bikini Kill foi uma banda de punk rock dos anos 90 formada por Kathleen Hanna, Tobi Vail e Kathi Wilcox e tinham o intuito de lançar um fanzine, também chamado Bikini Kill. Liderado por Kathleen Hanna quem escreveu a maioria das canções, acabou se tornando uma das maiores banda entre o cenário das riot grrrls. Kathleen e o Bikini Kill não estavam preocupados em vender uma imagem, mas sim, uma mensagem feminista de fortalecimento e crescimento num cenário dominado pelos homens. A música pode ser classificada como punk, mas a música do riot grrrl é feminista e direcionada às jovens, transmitindo auto-respeito e união e pregando o respeito a cada indivíduo.

A idéia de formar o L7 surgiu em 85 quando Suzi Gardner conheceu Donita Sparks em Los Angeles. Em 1986, depois de muitos ensaios, a banda se consolidou e  Jennifer Finch se tornou a baixista do recém formado L7. A partir daí a banda passa a fazer vários concertos em clubes da cidade, com Suzi e Donita nos vocais e guitarras, Jennifer no baixo e o baterista Roy Koutsky completando a formação. A banda se desfez em 2000, mas seu fim não foi declarado oficialmente pelas integrantes.

Garbage foi formado em 93 e integrada por Shirley Manson, Butch Vig, Steve Marker e Duke Erikson. Bem antes de se iniciar o Garbage, três de seus integrantes já tinham uma vasta experiência com música. Butch Vig, o baterista, teve a maior notoriedade no meio sendo produtor de álbuns excepcionais como Nevermind (Nirvana), Siamese Dream (Smashing Pumpkins) e Dirty (Sonic Youth). Steve Marker e Duke Erikson também eram produtores. Porém o Garbage só foi tomar forma mesmo, após a entrada de Shirley Manson em 1995. Os garotos acabaram conhecendo Shirley pelo programa 120 Minutes da MTV americana, tocando com o Angelfish.

 

Patti Smith é uma poetisa, cantora e musicista norte-americana. Ela tornou-se proeminente durante o movimento punk com seu álbum de estréia, Horses em 1975. Conhecida como “poetisa do punk”, ela trouxe um lado feminista e intelectual à música punk e tornou-se uma das mulheres mais influentes do rock and roll.

 

Debbie Harry ganhou fama por ser a vocalista e líder da banda Blondie. Após o despertar ao sucesso, Deborah desenvolveu carreira solo como cantora, gravando cinco álbuns e também como atriz, atuando em mais de 30 filmes.

Siouxsie & The Banshees  foi uma banda britânica formada em Londres em 1976. A base principal do grupo era a parceria nas composições de Siouxsie Sioux e Steven Severin. Alguns críticos consideram como a banda de pós-punk mais importante a surgir no cenário musical britânico.  A banda se separou em 1996 em meio a um crescente número de desentendimentos entre Siouxsie e Severin.

Suzi Quatro nasceu em uma família católica e musical, em Detroit e começou sua carreira musical aos quatorze anos. Já tocou baixo nas bandas femininas Pleasure Seekers e Cradle com suas irmãs Patti, Nancy, e Arlene. Patti Quatro mais tarde se juntou à banda Fanny, uma das primeiras bandas de rock só com mulheres para ganhar a atenção nacional. Suzi Quatro mudou-se para o Reino Unido em 1971, após ser descoberta em Detroit pelo produtor musical Mickie Most.

Kittie foi formada em 1996, mas só conheceu o sucesso em 1999, quando a faixa Brackish tornou-se um hit único. A banda também apoiou, durante o início da década de 2000, o Slipknot em turnê pelo Reino Unido, abrindo-lhes vários concertos aumentando a popularidade da banda.

Gathering – Em 1989 os irmãos René Rutten e Hans Rutten juntaram-se a Bart Smits para formar uma banda. Mais tarde a formação ficou completa com a entrada de Hugo Prinsen Geerligs,Jelmer Wiersma e Frank Boeijen. Em 1995 Anneke van Giersbergen entra para a banda e eles lançam seu terceiro álbum. Em 2006 é lançado o álbum Home, com sonoridade etérea e em grande parte sintetizada. Anneke van Giersbergen ganha um Devil Award, na categoria de melhor cantora. Em 2007 Anneke deixa a banda para se dedicar a um novo projeto chamado Agua de Annique. Apesar de rumores a respeito de uma possível volta aos vocais masculinos, a cantora Silje Wergerland é escalada para o posto.

Gostaria de ter citado muitas outras mulheres e bandas como exemplo, mas daí o post ficaria imenso! Antes tarde do que nunca, a homenagem do TPMídia ao Dia Mundial do Rock \m/

Juliana Baptista

Juliana Baptista