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O poder de persuasão na internet

Nesta semana o New York Times publicou uma entrevista com Rafinha Bastos, mais conhecido como “a pessoa mais influente do Twitter”. Alguém que ficou a frente de Barack Obama, Conan O’Brien e Kim Kardashian obviamente chamaria a atenção dos americanos. Mas o que gostaria de analisar especificamente não é a personalidade Rafinha Bastos, mas sim, todos os webstars brasileiros e seu poder de persuasão em massa.

Webstar é um termo muito novo, provavelmente criado há alguns anos e define as pessoas que são personalidades da internet. Não são famosas exclusivamente por sua profissão ou por algum ato heróico/polêmico, mas sim pelas coisas que propagam pela internet.

As personalidades da internet são muito ativas nas redes sociais, principalmente o Twitter, o lugar perfeito para disseminar informações desenfreadamente. Rafinha tem mais de dois milhões e meio de seguidores, Felipe Neto um milhão e duzentos mil, PC Siqueira tem mais de 860 mil, já os blogueiros do Não Salvo, Jacaré Banguela, Kibeloco variam de meio milhão a 200 mil seguidores.

Por serem críticos, engraçados ou até mesmo polêmicos, muitos internautas acabam se identificando com os webstars. Mas o problema disso tudo está no fato dos seguidores perderem o seu senso crítico e começarem a adotar a ideologia das personalidades internéticas como se fossem a única verdade no mundo.

Greimás defendia que o receptor possui um senso crítico, capaz de ter suas próprias reflexões e não aceita passivamente todas as informações que recebe. Mas será que isso está valendo pra grande maioria? Obviamente que a manipulação ocorre porque existe uma espécie de cumplicidade entre o manipulador e o manipulado e provavelmente isto ocorre porque algumas de suas percepções de mundo são semelhantes.

Tenho algumas teorias para explicar o sucesso de algumas destas personalidades: Rafinha Bastos surgiu em uma hora em que nós brasileiros estávamos esgotados de humor massificado, mastigado e sem graça. Então os shows de humor que ele fazia, cheios de sacadas inteligentes, duras críticas às celebridades e às pessoas comuns nos aparece como uma luz no fim do túnel. Satisfez aquela necessidade de “inteligência” no humor que o público precisava. Junto com isso, ele ganha um espaço num programa de formato diferenciado na TV brasileira. Pronto, está criado o herói. E mesmo que ele faça algumas piadas sem graça, force a barra diversas vezes, os dois milhões de seguidores não vão se importar, porque ele já conseguiu credibilidade o suficiente para poder dar algumas bolas foras.

Já Felipe Neto só se deu bem porque ninguém conhecia muito bem o gênero Videolog, hoje totalmente massificado e aderido por centenas de jovens. Ele só pegou uma câmera e começou a falar o óbvio: criticar coisas ruins e hábitos idiotas. Lógico que muitas pessoas concordariam, já que ele só estava falando o que todo mundo pensava, a única diferença é que ele gravava as reclamações e as colocava no Youtube. Sinceramente não acho inovador alguém falar mal de Restart, Justin Bieber, Crepúsculo, Políticos, Micareta… Milhares de pessoas também pensam isso e ele não é um gênio por criticar tais coisas.

Mas o mais estranho é que os fãs, mesmo sendo insultados, não deixam de acompanhar cada frase que eles tuitam. Quantas vezes não vi o Felipe Neto e o PC Siqueira chamando seus fãs de estúpidos, babacas e idiotas? Mas mesmo assim, o número de seguidores não para de crescer.

Uma das coisas que podem comprovar a minha teoria de que as pessoas estão perdendo seu senso crítico é quando vejo, por exemplo, o videolog do PC Siqueira. São centenas de comentários “PC fala de tal assunto” ou “PC o que você acha de tal banda?”. Pra quê as pessoas querem saber o que ele pensa? Se ele achar que alguma coisa é ruim, todos nós deveríamos achar também? Será que a juventude está precisando de um aval de alguém pra pensar? PC é criticado por dezenas de pessoas quando fala que não gosta de alguma banda que o público adora. O público não aceita que ele possua alguma preferência musical distinta deles. Por acaso o videologger deve ter 100% de compatibilidade com o público? Não sei o que se passa na cabeça destes jovens.

É só um desses webstars escrever alguma coisa no twitter, em um blog ou dizer em seu videolog, que automaticamente o público adere. É impressionante como as pessoas recebem as informações sem questionamentos nem reflexão.

Algo estranhamente assustador é a categoria Desafio Aceito feito pelo blog Não Salvo. Cid, o proprietário do blog pensa em alguma trollagem e pede a ajuda de seus fãs para os “desafios” que ele propõe. Um deles era assustar uma garota que promoveu sua festa de 15 anos no Facebook e deixou o evento como “público”. Cid queria que os leitores confirmassem presença na festa para zoar a garota. Assim que ele tuitou o desafio, o evento que tinha 9 pessoas, em 2 horas tinha mais de 6 mil pessoas confirmando presença. Ou em um Fórum de Segurança da internet, que em menos de 2 minutos, Cid conseguiu que mais de 3 mil seguidores entrassem no site e o derrubassem comprovando a falta de segurança.

Com apenas um tweet, 140 caracteres ou menos, eles podem mobilizar milhares de pessoas. Entendo que o Desafio Aceito não passa de uma série de brincadeiras para zoar uma pessoa e divertir outras tantas, mas o que me assusta é o poder de mobilização que essas pessoas tem.  Eles mandam um link, em coisas de segundos, centenas de pessoas compartilharam aquela informação.

A internet pode ser uma ferramenta muito útil quando o internauta sabe como utilizá-la. Porém enquanto estivermos retrocedendo e apenas recebendo passivamente as informações, sem questionamentos, sem formar nossa própria opinião, a internet servirá apenas para repassar “desinformação” para um amontoado de papagaios com banda larga.

Juliana Baptista

Juliana Baptista


A ação da Globo no carnaval carioca



Na tarde dessa quarta-feira de cinzas aconteceu a apuração dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Por causa do incêndio ocorrido na cidade do samba na madrugada do dia 6 para o dia 7 de fevereiro, as escolas Grande Rio, Portela e União da Ilha não entraram na disputa pelo título, além de nenhuma escola ser rebaixada esse ano. Mas, o bafafá pegou mesmo foi entre as favoritas.

Ao que tudo indicava, o título do carnaval 2011 seria disputado entre a Beija Flor, Unidos da Tijuca, Mangueira e Imperatriz, mas já nos primeiros quesitos a Imperatriz saiu da disputa, restando apenas as 3 concorrentes, que se mantiveram até o final. Mas as seguidas notas 10 que foram dadas à Beija Flor começaram a destoar muito da nota das concorrentes.

Conforme a leitura das notas seguia, a Beija Flor despontava e se distanciava em primeiro lugar, deixando a tradicional Mangueira e a campeã do ano passado, Unidos da Tijuca, na disputa da vice liderança. Mas a leitura das notas tomou um rumo absurdo: a Beija Flor recebia 10 de todos os jurados em todos os quesitos, enquanto as outras duas se cansaram de receber 9,9; 9,7 a até mesmo 9 em quesitos nas quais eram favoritas, como a inexplicável nota 9 para a bateria da Mangueira.

 

Beija Flor levou Roberto Carlos no enredo

A história foi se repetindo por tantas vezes que as torcidas começaram a suspeitar da compra do carnaval pela Beija Flor, aliada ao fato do favoritismo e da torcida explicita da Rede Globo pela escola de Nilópolis, lembrando que a Globo tem o monopólio da transmissão de desfile e apuração (dá até pra reparar com a logomarca da Globeleza em tamanho gigante na bancada das notas e nas cabines dos comentaristas).

Nessa confusão, o presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, já revoltado com a palhaçada que estava acontecendo com as notas, se retirou da mesa da diretoria e foi se juntar à torcida da escola. Decisão que eu achei acertada diante das notas injustas que vinham dos “jurados”. A diretoria da Tijuca também registrava sua indignação com caras e bocas. A revolta foi tanta que as torcidas passaram a gritar: “Ei Globo, vai tomar no cu!”. O engraçado foi ver a emissora, que não esperava pela reação, transmitir os xingamentos em rede nacional por alguns instantes e tentar abafar em seguida, mas não sem escapar dos ouvidos atentos e revoltados dos espectadores.

O último ponto que causou trelelê foi entre os mangueirenses ao ver Carlinhos de Jesus, que se dizia apaixonado pela escola, de coração verde e rosa, virar a casaca para a Beija Flor, montar a comissão de frente da escola e sentar-se entre a diretoria para vibrar com as notas recebidas da escola. O povo não perdoou mesmo e Carlinhos caiu na boca do povo.

 

Comissão de Frente da Unidos da Tijuca

Eu, particularmente, concordo com a reação das torcidas. Ficou absolutamente explicito que a Rede Globo estava torcendo pela Beija Flor. Aliás, o comentarista da emissora estava irritando demais com as seguidas falas: -Aí vem a nota da líder; “-E agora mais um dez pra Beija Flor”; “-E a Beija Flor vai garantindo a liderança”, com aquele timbre de felicidade e vibração na voz e sem ficar calado no anúncio das notas das concorrentes. Simplesmente irritante. De verdade, espero que a Globo não coloque a Glenda Kozlowski e desse repórter como comentaristas do carnaval 2012. Nada contra os profissionais, que são muito bons em outros estilos de reportagem, mas para o carnaval realmente não dá.

A repercussão tão foi instantânea que em plena apuração as tags Beija Flor; marmelada; Mangueira; Globo; Ivo Meirelles se tornaram TT Brasil e algumas subiram para os TT mundial. A maioria dos tweets comentava a manipulação da Rede Globo sobre o carnaval carioca. Após o término das notas e da consagração da Beija Flor campeã, os sites publicaram comentários de famosos também revoltados com as notas injustas e ironizando o enredo que tratou sobre Roberto Carlos. Parece que a combinação Beija Flor + Globo + Roberto Carlos = campeã. Por que será?

Não acho que a Beija Flor tenha apresentado um desfile ruim, até por que o desfile foi lindo, completo, deslumbrante com tudo o que a escola sempre apresenta na avenida. Mas o que me indigna é que a Mangueira, a Unidos da Tijuca e algumas outras escolas também mostraram tudo isso, com a mesma intensidade e emoção e não foram reconhecidas. Aliás, elas não foram julgadas no meu entendimento de justiça. Concordo com a tese de que a Globo manipulou esse carnaval como nunca antes. É claro que a Beija Flor poderia ter ganhado, tinha grande potencial para levar esse título, mas com notas justas e numa disputa igualitária e independente com as concorrentes. Dessa maneira ficou feio para a escola, para a emissora e para a organização do carnaval carioca que está perdendo cada vez mais a credibilidade.
Enfim, esse campeonato foi absurdo.

Mangueira homenageou Nelson Cavaquinho
Helena Ometto

Helena Ometto