A Fúria Feminina!

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Pepsi e os Memes: uma estratégia eficaz

Hoje me deparei com a notícia de que a Pepsi está divulgando em suas redes sociais uma nova promoção, desta vez com o trio gospel desafinado do Para Nossa Alegria. Segundo a Info, a empresa de bebidas promete que o trio lançará um novo hit se a fanpage da Pepsi alcançar 500 mil likes (atualmente a fanpage tem quase 400 mil fãs).

O vídeo do desafio Pepsi pode ser visto neste link

Já não é a primeira vez que a Pepsi se utiliza de memes da internet para promover a marca. Há alguns meses estava rolando um comercial de tv com Joel Santana fazendo referência à aquele vídeo que ele falava inglês maravilhosamente. Apesar de que o comercial apareceu muito tempo depois do vídeo ter feito sucesso, eu mesma nem lembrava mais!

Acho uma boa sacada das empresas se utilizarem destes virais da internet para promover a marca (mas é claro que a propaganda tem mais chances de funcionar se o público-alvo for jovem e antenado com as novidades que surgem diariamente na internet).

Normalmente os memes da internet quando conseguem uma grande repercussão em um curto espaço de tempo, ganham visibilidade apenas em programas dominicais falidos desesperados por pautas que garantam audiência.

Se as empresas conseguirem se utilizar dos virais de forma criativa, eles podem se tornar uma ferramenta muito efetiva. Lembrando que o vídeo do Para Nossa Alegria já soma 15 milhões de visualizações e do Joel Santana tem 1 milhão (podemos considerar que um grande número de pessoas conhece o assunto e não ficará sem entender a campanha da empresa). O único problema é se as agências de marketing não conseguirem fazer algo bacana e inovador. Apenas “espremer” o meme e fazer mais do mesmo, pode fazer do que era inicialmente engraçado, um negócio irritante!

Juliana Baptista

Juliana Baptista


Upworhty: viralizando conteúdos relevantes na internet

Quem nunca reclamou ou ouviu alguém dizer que a internet está cheia de inutilidades e nós somos obrigados a aguentar esta avalanche de besteira por causa das redes sociais?

Ou ainda: quem nunca entrou num portal de notícias e acabou se perdendo na editoria de bizarrices só porque a manchete era atrativa e no final, até se esqueceu de dar uma olhada nos fatos mais “importantes”?

Com o intuito de filtrar todo esse conteúdo wébico e compartilhar com o público, temas relevantes, mas de forma atrativa e visual, Peter Koechley (ex-editor do The Onion) e Eli Pariser (presidente da organização política MoveOn) criaram o Upworthy. O site ainda está numa fase inicial, mas já possui uma fanpage no Facebook com mil pessoas e 660 seguidores no Twitter. Um bom começo para um site criado ONTEM.

A proposta do Upworthy é interessante: tornar questões “sérias” como problemas políticos, econômicos, sociais em conteúdos atrativos e interessantes de se compartilhar na web. Porque não deixar um assunto importante tão atrativo quanto vídeos de gatinhos?

Na internet, os conteúdos mais compartilhados são ligados a entretenimento e diversas vezes não agregam nada para os usuários. Então, porque não viralizar os assuntos considerados chatos e fazê-los serem compartilhados tanto quanto vídeos de “pessoas fazendo coisas FAIL” ou piadas com memes?

Mas será que viralizar é a solução para alcançar visibilidade significativa nas redes?

Não que isso seja o ideal, mas é uma iniciativa para atrair novos leitores, principalmente os jovens. Se o assunto é muito sério ou complexo, as pessoas tendem a se afastar e buscarem conteúdos mais “fáceis de digerir” e permanecem indiferentes a questões significativas.

Particularmente, acho que esta ideia tem tudo pra dar certo. Eu mesma já passei por uma situação no 9GAG: durante as eleições na Russia, só fiquei sabendo dos problemas das irregularidades e fraudes vendo memes no site. Não que me orgulhe disso, mas confesso que normalmente não procuro me informar sobre a situação política russa.

O Upworthy tem um site bem básico que explica qual é seu intuito de forma bem humorada e criativa. No Facebook, os compartilhamentos da fanpage são em sua maioria infográficos sobre questões políticas americanas (já que esse é o ano das eleições nos EUA), o conteúdo é bem atrativo e engraçado. Vale a pena conferir e dar uma chance ao Upworthy!

Veja um infográfico que eles postaram sobre “O que os americanos ricos poderiam fazer pelo país

Juliana Baptista

Juliana Baptista


Edir Macedo VS. Valdemiro Santiago: a “guerra santa” dos tempos modernos

Nos últimos dias, as redes sociais on-line, blogs e grandes portais têm colocado em debate a edição do dia quatro de março do programa Fala Que Eu Te Escuto. Motivo? O programa da TV Record ficou com a vice-liderança no IBOPE ao declarar “guerra” ao apóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago.

Para quem não sabe, Valdemiro era membro da Igreja Universal do Reino de Deus, que tem como líder e também dono da Record, o bispo Edir Macedo. MAS… Valdemiro resolveu largar a barra da saia do bispo e criou sua própria igreja (a Mundial).

A Record não deixou barato, e resolveu se colocar explicitamente contra a Mundial no Fala Que Eu Te Escuto do dia quatro. O argumento usado é que o apóstolo desvia o dinheiro da Igreja para o próprio bolso. Verdade ou mentira, o fato é que a “guerra santa” deu pano para a manga nas discussões da mídia on-line.

Alguns taxam a Record de hipócrita, uma vez que acusam Edir Macedo de também desviar verba da Igreja para o próprio bolso. De qualquer maneira, os pontos de debate que eu levanto aqui são outros.

A princípio eu me pergunto o seguinte: embora a TV Record seja uma emissora com uma explícita vertente religiosa, na posição de uma das maiores emissoras de TV aberta do Brasil, e, portanto, extremamente influente entre milhões de telespectadores, teria ela o direito de colocar em xeque uma crença religiosa diferente da sua? Como entendedora supérflua do assunto, arrisco-me a dizer que o intuito das religiões cristãs é disseminar a palavra de Deus, correto? Pois eis a contradição. Cada uma deveria cumprir seu papel afim de se alcançar este objetivo, sem querer rebaixar as demais. Pode até haver alguma competição, mas uma competição saudável, em que as igrejas deveriam buscar o melhor da sua essência religiosa para transmitir aos fiéis. Mas em minha humilde opinião, ganhar notoriedade desmoralizando a religião “concorrente”, é no mínimo anti ético. E pelos números da audiência, sem dúvida alguma o embate ganhou dimensões enormes.

Na verdade meu principal questionamento é esse. Não estaria a Record e a Igreja Universal equivocadas ao agirem assim enquanto emissora de TV e religião? Não bateria de frente com os princípios básicos de ambas? Não sejamos inocentes a ponto de dizer que outras emissoras não têm posicionamento editorial. Sim, têm. Mas a forma como isso vem à tona na programação não deve ter caráter ofensivo, discriminatório e explicitamente tendencioso. Quanto às religiões, nego-me a achar normal que instituições com um objetivo em comum “pequem” por maldizerem umas às outras. E tenho dito.

Helena Sylvestre
Helena S. Sylvestre


Zeca Camargo “fora do ar”

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Quem assistiu ao Fantástico, no último domingo, pôde perceber ao final do programa algo inusitado. Com certeza não-proposital, mas no mínimo digno de comentários. E o mundo on-line que o diga…

Ao final do programa global, houve uma pequena (grande) falha técnica que deixou a princípio o apresentador desconcertado. E depois, falando sozinho enquanto o estúdio ficava escuro e os créditos subiam na tela do telespectador.

Não demorou muito (nada!) para que os grandes, pequenos e médios portais de notícia na internet noticiassem o fato. Logo, em âmbito nacional, as principais redes sociais on-line tinham como um dos principais focos de discussão a falha da TV Globo. Essa enorme repercussão provavelmente se deu devido ao grande porte da emissora, e à experiência de longo prazo do apresentador, que apesar disso, não conseguiu colocar sua capacidade de improviso à prova.

Zeca ficou explicitamente atordoado com a falha técnica. Não soube se portar diante do imprevisto, embora tivesse se esforçado para isso. Inexperiência? Creio que em partes, sim. Não inexperiência enquanto profissional de jornalismo, mas enquanto apresentador que sabe improvisar diante de erros esporádicos durante as transmissões do programa. Falta de profissionalismo? Acho que na verdade é falta de costume de se deparar com as falhas técnicas da emissora.

Não que a TV Globo seja a perfeição em termos técnicos e profissionais, mas de fato não é muito comum o telespectador (até mesmo mais assíduo) perceber falhas de grandes proporções por parte da Globo.

Na realidade, o que mais vem se questionando ultimamente, é quanto às “falhas” de material do programa dominical. Quem opta (ou não tem escolha) por assistir à TV aberta no domingo, sem dúvida se frustra pela pobreza de conteúdo, pela falta de inovação e pelo baixo nivelamento dos programas. Há anos, o Fantástico conseguia sair desse padrão, e prendia a atenção do telespectador interessado em um programa descontraído, mas de caráter altamente informativo. Hoje, o que se vê é apenas mais do mesmo. Pautas previsíveis, com abordagens clichês e pouco exploradas em sua profundidade. Acredito que a Rede Globo deve rever o editorial do Fantástico, e realizar mudanças bastante acentuadas, uma vez que a internet cresce a cada dia, e com ela, a possibilidade de mobilização se espalhar com uma rapidez assustadora na web. Enquanto isso, conteúdos que fogem do padrão das mídias tradicionais são veiculados na rede. Conteúdos que chamam a atenção pela ousadia e por abordagens que nunca puderam ser feitas anteriormente. Com isso, o único modo do meio televisivo sobreviver, é, além de conversar com o mundo virtual, é oferecer exclusividade de material audiovisual. É buscar novas conceituações para este meio tradicional e convergência com os novos meios, novas linguagens, angulações nunca pensadas antes diante de assuntos aparentemente comuns (ou não).

Usei o fato ocorrido no Fantástico como gancho para trazer esta reflexão para o blog. Porém, deixo claro que é preciso que não só a Rede Globo pense sobre alguns dos pontos expostos aqui, mas sim a rede brasileira de televisão aberta de um modo geral.

Comunicadores, pensem nisso. Consumidores de mídia, cobrem isso.

Helena Sylvestre

Helena Sylvestre


Meme da Semana: Para nossa alegria

Um vídeo simples com três pessoas cantando uma música gospel. Mas cantando mal, muito mal.

Até aí nenhuma novidade, o Youtube está cheio de cantores fail! Mas o que me surpreendeu foi que Para Nooooossa Alegria em apenas 3 dias já tem mais de 7 milhões de visualizações só no Youtube. Ontem a noite, dos 10 vídeos mais vistos da seção Humor do Youtube, 8 eram Para nossa alegria, 1 era uma versão de umas garotas imitando este vídeo e só 1 não tinha nada a ver com o meme da semana,

Então, qual é a diferença deste vídeo e dos outros cantores sem noção que permeiam a internet?

1º Tem a senhora mãe do Jefferson e da Suelen que fica puta quando o garoto grita o refrão

2º Porque ele começou a ser divulgado pelos blogs mais famosos da intrwebs (eu mesma assisti no Não Salvo)

Blogs popstar da internet como Não Salvo, Não Intendo, Jacaré Banguela, conseguem atingir um ENORME número de pessoas em um curtíssimo espaço de tempo. Pensem que esses blogs possuem milhares de visitas diárias e estes visitantes compartilham seu conteúdo pelas redes sociais. E quando você vê, todo mundo só está falando da mesma coisa.

Os blogueiros são os gatekeepers da internet e por diversas vezes, também acabam pautando a mídia tradicional. Quando algum meme faz muito sucesso, acaba aparecendo em algum programa de TV ou ganha um espacinho nos portais de notícia.

Não se surpreenda se no final de semana este trio aparecer em algum programa de “entretenimento” dominical. Já faz um tempo que tais programas andam se pautando por estes virais da internet e acabam deixando mais popular algum conteúdo que era exclusivo da web.

O que eu achei interessante foi a paródia que a Luciana Mello, Jair Oliveira e Jair Rodrigues fizeram para promover o show deles. Ficou sensacional, eles imitaram muito bem!

Depois do sucesso do vídeo, apareceram algumas versões (claro!) e algumas imagens no Facebook para noooooossa alegria.

E adivinhem, as imagens acima foram obra do Cid do Não Salvo. Além de “lançar” os memes, ele consegue potencializar o viral fazendo o assunto render mais um pouco.

Eu tenho medo da internet.

Juliana Baptista

Juliana Baptista


Kony 2012, Revoluções de Sofá e a Disfunção Narcotizante

O vídeo que chamou atenção de muitas pessoas na última semana foi o Kony2012. O vídeo de 30 minutos que mostra a proposta da ONG Invisible Children em tornar Joseph Kony em um cara famoso. Mas a fama deste homem não seria positiva, já que a ONG quer conscientizar o público das atrocidades feitas por este homem contra milhares de crianças africanas. Só o vídeo postado no Youtube, sete dias atrás, já tem quase oitenta milhões de visualizações, se tornando o maior viral de todos os tempos.

Mas claro que junto com o vídeo, vieram as críticas. A ONG Invisible Children foi acusada pelas grandes mídias de enriquecimento ilícito, de doar apenas uma pequena porcentagem das doações para caridade de fato, que seus membros podem estar envolvidos com grupos rebeldes armados e que os Estados Unidos tem interesse no país por causa de possíveis reservas de petróleo.

Mas a principal questão que gostaria de levantar é sobre a Revolução do Sofá. Muitas pessoas criticam o ciberativismo e caímos no problema da disfunção narcotizante. Tal disfunção, discutida pela Teoria da Comunicação, trata do excesso de informação que a massa recebe e as torna menos crítica. Sabe aquela falsa sensação de “fiz a minha parte” só porque repassou a informação para outras pessoas? Então, é mais ou menos isso.Image

Óbvio que você não vai se tornar um ativista só porque assistiu a um vídeo de 30 minutos e descobriu que crianças africanas são sequestradas e forçadas a fazer parte de um grupo rebelde. Óbvio que a vida dessas crianças não vai mudar só porque você deu um “like” no Facebook e retuitou uma mensagem da ONG no Twitter. A questão é que mesmo que as pessoas não possam fazer  mudanças efetivas no conforto de seus lares, elas podem se engajar em uma ideia e conscientizar outras pessoas.

O vídeo do Kony só se tornou um viral porque mobilizou algumas pessoas que se sentiram comovidas e “aderiram” sua causa. De uma forma ou de outra, isto é um engajamento social. Fazer com que esta juventude individualista pense em alguma coisa além de seus próprios problemas, já é algo positivo. (Pense que muita gente nem sabia onde ficava a Uganda e quantas delas ainda achavam que a África é um país).

De tanto ser citado no Twitter e ter compartilhamentos no Facebook, Kony teve uma visibilidade maior do que tinha uma semana atrás. A mídia tradicional foi “forçada” a falar sobre isso em seus portais de notícias e telejornais. Particularmente acho que esta tática de usar as redes sociais e a cultura participativa para interferir nos meios de comunicação tradicionais, é válida. No mundo online, as iniciativas colaborativas podem alterar o papel do gatekeeper e dar visibilidade a causas pouco valorizadas.

A “população” das redes sociais é maior do que de muitos países e não há como negar sua influência e poder de disseminação de informações entre as pessoas. Claro que entre esses 80 milhões que se conscientizaram com a causa, muitos continuarão em frente as telas de computador, mas quantos deles realmente são pessoas que tem vontade e fazer alguma coisa e só estão precisando de um empurrãozinho? Não que você aí da sua casa possa mudar a vida de alguém na África, mas pode começar com iniciativas locais.

ImageMas também não podemos deixar os pontos negativos de lado: muitos só assistiram o vídeo, curtiram a página e não foram checar se a história narrada pelo vídeo realmente era verdadeira. Não tiveram nem a capacidade de abrir uma nova aba e dar uma pesquisadinha rápida no Google. Com esse péssimo hábito de não checar a notícia em outras fontes, o leitor fica mais passível de manipulação de opinião pública. (compartilhar informações equivocadas podem dar uma dor de cabeça inimaginável)

Não creio que o X da questão seja se as revoluções de sofá realmente são efetivas, mas sim a diferença que ela faz na vida dos usuários das redes sociais. Se você vai sair de casa, fazer um protesto, interditar uma avenida (e se isso realmente é efetivo) é uma incógnita. Se o viral deu uma visibilidade maior ao Invisible Children e 80 milhões de pessoas conheceram Joseph Kony, isso se pode afirmar sem sombra de dúvida.

Juliana Baptista

Juliana Baptista


Ana Botafogo: há 35 anos na ponta dos pés

Ana Botafogo, a bailarina clássica brasileira mais reconhecida de todos os tempos, completou 35 anos de carreira no dia 1 de outubro.  Além de 30 anos como a primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Para comemorar ela está em turnê pelos palcos brasileiros com o clássico A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho. A peça conta a história de Marguerite e Armand que vivem um amor mal sucedido.

A primeira apresentação dessa turnê foi no Teatro Guaíra, em Curitiba, onde Ana Botafogo fez sua estréia como bailarina profissional. Para esse espetáculo seu partner é Federico Fernández, bailarino do Teatro Cólon de Buenos Aires.

Ana Maria Botagofo Gonçalves Fonseca é carioca da Urca, nascida em 9 de julho de 1957. Começou a estudar ballet ainda no Rio de Janeiro, mas logo foi dançar profissionalmente no Ballet de Marselle, de Roland Petit, na França. A partir daí sua carreira deslanchou na ponta dos pés.

Não demorou muito para se tornar a primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e ter sua apresentação de estréia com o Ballet Coppélia.

Ao longo de sua carreira Ana já interpretou os principais papéis do repertório da dança clássica como em O Quebra Nozes, Romeu e Julieta, Dom Quixote, O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida, A Megera Domada, além de um espetáculo feito em sua homenagem que viajou pelos palcos brasileiros: Ana Botafogo in concert.

Nesses 35 anos de carreira ela já se apresentou em 11 países e em 100 cidades brasileiras, ajudando a popularizar a dança clássica. Ela diz que seu objetivo é aproximar o clássico do povo, levar as pessoas ao teatro e para isso criou espetáculos embalados por MPB e outras músicas brasileiras.

Além de primeira bailarina do Municipal, Ana recebeu outros títulos no Rio de Janeiro, como Embaixatriz da Cidade do Rio de Janeiro e Benemérita do Estado. O reconhecimento internacional também veio em forma de títulos como o de “Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras”, pelo Ministério de Cultura da França, entre outros.

Ana Botafogo é referência para as meninas que desejam construir uma carreira dentro do Ballet Clássico e está sempre muito acessível à elas, principalmente em sua casa: o Municipal do Rio de Janeiro.

Aliás, ela recusou o papel de Julieta na nova montagem da peça que está sendo produzida no Municipal para dar oportunidade às novas bailarinas brasileiras e uma continuidade à tradição do ballet no Brasil.

Alguns comentam que a encenação de Marguerite e Armand será a última turnê de Ana Botafogo, mas a bailarina não comenta a hipótese e mantém a data de aposentadoria em segredo.

O Brasil tem outras bailarinas de destaque não só pelo talento, mas também pelo tempo de carreira. As mineiras Lina Lapertosa, de 58 anos e Sonia Mota, de 63. Lina tem 32 anos de careira e é bailarina do Palácio das Artes. Sonia tem 45 anos de público e hoje é diretora da companhia de dança do Palácio das Artes, além de se apresentar nos palcos.

Isso mostra que idade não é um impedimento para a dança e Ana Botafogo ainda pode mostrar seu talento e brilho aqui e no exterior por mais alguns bons anos de carreira.

Ficam os nossos parabéns pelo talento e por representar tão bom o ballet brasileiro pelo mundo!

Para saber mais sobre a vida e carreira de Ana Botafogo acesse o site oficial.

Assista a uma entrevista que Ana Botafogo concedeu ao programa Mosaica, da TV UTV da Net RJ:

Assista ao vídeo de uma das primeiras apresentações de Ana Botafogo como primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro:

 

Ficam os nossos parabéns pelo talento e vontade de popularizar e disseminar o Ballet Clássico pelo Brasil e a nossa dança mundo à fora! Vida longa à sua carreira….

Helena Ometto

Helena Ometto


Rafinha Bastos: o humor, o ego e o insulto

Depois de vários comentários dispensáveis, Rafinha Bastos foi convidado a “tirar uma folga” do CQC. No programa de ontem, Monica Iozzi substituiu o humorista na bancada e deu a desculpa de que Rafinha estava com cãibra na língua, por isso não estava apresentando o programa. Segundo a Band, Rafinha foi afastado do CQC, mas não da Liga, talvez seja porque na Liga o programa segue um roteiro, já no CQC o que rende dor de cabeça aos produtores são os comentários “improvisados” do apresentador.

Nesta semana, o humorista estampou a capa da Veja São Paulo, que o denominava O Rei da Baixaria e trazia a foto de Rafinha com um chapéu de bobo da corte. A revista trouxe uma reportagem sobre as piadas ofensivas que ele já protagonizou e afirma que no Brasil, os humoristas se escondem por trás da desculpa da liberdade de expressão.

A matéria trouxe a opinião de vários humoristas sobre as atitudes e brincadeiras de mau gosto do comediante. Também não esqueceu de mostrar o que pensa “os ofendidos” pelas piadas, relembrando das outras declarações que insultaram judeus, mulheres vítimas de abuso sexual e deficientes mentais. Deu a voz a Rafinha também, que preferiu não comentar muito sobre sua postura.

Porém o que mais irritou a mídia e alguns telespectadores foi o deboche de Rafinha ontem pelo twitter:

E nas fotos, ele aparecia com modelos gostosonas ao lado da TV que transmitia o CQC, outra foto está numa banheira com uma mulher lendo a Veja citada acima e na última, sendo massageado por uma moça de lingerie. Isso mostra que o humorista além de querer “ficar por cima” da situação, está tentando provar que seu afastamento não o atingiu e que não existe arrependimento em relação às suas declarações.

O que pode surpreender alguns, é o fato de seus seguidores do Twitter apoiarem a atitude do humorista. Nas fotos, muitas pessoas postaram mensagens de apoio e mais uma vez aplaudiram o deboche e a ironia de Rafinha. Fatos como estes apenas inflam o ego do rapaz e mostra que não importa o que ele faça, sempre terá alguém para aprovar suas atitudes. Não é a toa que ele possui o título de “pessoa mais influente do Twitter”.

Vários seguidores defendem a “liberdade” de expressão. Mas a discussão é: que liberdade e até onde ela vai? No momento em que se tem um canal de comunicação com abrangência nacional, é necessário medir as palavras e pensar duas vezes antes de falar qualquer coisa.  Talvez essa polêmica nos mostre a identidade do público de Rafinha Bastos: pessoas que apóiam insultos, engolem qualquer coisa sem questionar e não possuem senso crítico.

Pessoalmente, gosto de alguns quadros do CQC e sempre tive uma certa simpatia por Rafinha, mas confesso que de uns tempos pra cá reconheço que o sucesso “lhe subiu à cabeça” e o programa está pecando em qualidade.  Não podemos colocar o CQC no patamar “Pânico”, em que o escracho e baixaria são prioridades e que o público é tratado como uma massa de acéfalos sedentos por nudismo e riso gratuito. Mas faz alguns meses que o programa anda repetitivo e meio que perdeu a proposta de humor saudável com prestação de serviço.

A atitude arrogante de Rafinha fez com que o programa corra o risco de perder anunciantes. Hoje, na coluna Outro Canal da Folha de São Paulo, saiu a informação de que Marcus Buaiz (o marido de Wanessa Camargo) e Ronaldo (“o fenômeno”) estão ameaçando retirar os anúncios do CQC depois das atitudes inconseqüentes do apresentador. O programa lidera o faturamento da emissora e cobra R$130 mil reais por 30 segundos de comercial e os merchandings variam de R$240 mil a R$2,4 milhões. A Band ainda não se pronunciou sobre o caso, mas como todo mundo sabe, quando mexe no bolso, a situação muda de cara. Provavelmente esse ocorrido ainda vai dar muita discussão e repercussão.

Deve-se lembrar que antes de ser humorista, Rafinha Bastos é um comunicador. E quando se trata de meios de comunicação de massa, existem muitas coisas envolvidas. Não existe essa de “dane-se, vou falar o que quero”, o comunicador antes de tudo tem um papel social e um compromisso com o público. A empresa de comunicação deve se preocupar com a ideologia que está transmitindo e qual é a impressão que ela quer passar. Comunicadores despreparados e inconseqüentes podem dar audiência, mas não credibilidade.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

Camila Vallejo em protesto da UNE: abordagens da Carta Maior e da Veja

No fim do mês de Agosto, os veículos de comunicação foram tomados por notícias sobre a vinda de Camila Vallejo para Brasília. A jovem chilena de 23 anos é líder do movimento estudantil do Chile, e foi convidada para participar do protesto da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Brasil.

Entre os veículos nacionais que deram destaque ao fato, estão a publicação eletrônica Carta Maior e a revista Veja. E, como ambas têm posicionamentos políticos e ideológicos muito contrastantes, o enquadramento que cada uma delas deu ao acontecimento tomou rumos opostos.

Por este se tratar de um movimento que tem como principal propósito combater o neoliberalismo, afim de que a educação pública no país tenha uma qualidade maior, ou seja, por se tratar de um movimento “de esquerda”, Carta Maior optou por retratar Camila como uma heroína, com um perfil construído com base nas maiores qualidade da estudante: garra, esforço, compromisso e obstinação. A matéria é totalmente focada na personagem protagonista, e isso fica explícito através da entrevista “ping-pong” que a revista realiza com ela. Sendo assim, é dado um grande destaque e importância às idéias da líder estudantil chilena, a partir da construção de perguntas que possibilitam um posicionamento favorável aos ideais esquerdistas de Camila Vallejo. Isso fica explícito, por exemplo, ao final da entrevista, quando Carta Maior questiona Camila sobre o destaque que a mídia está dando para sua beleza física em detrimento das suas habilidades intelectuais. Como resposta, ela diz que os “ataques” vêm da direita política, que segundo ela, detém a grande maioria dos veículos de comunicação.

Em contrapartida, a revista Veja, de direita política, usa as características de Camila para desmerecê-la, ou tirar credibilidade de seus argumentos. No início da matéria, Veja dá a entender que a garota só está ganhando destaque nas mídias, em partes, por ser bonita. A seguir, a matéria diz que Camila quer uma intervenção estatal na educação no país, mas Veja tira o valor de seus argumentos quando deixa explícito que foi justamente esse modelo econômico (o neoliberalismo) que tirou o Chile do atraso econômico.

Na segunda parte da matéria, Veja fala sobre a manifestação em Brasília feita pela UNE, mas novamente a revista tenta descredibilizar o movimento, ao dizer que, embora o movimento estudantil tenha elaborado uma lista de 43 reivindicações, nenhuma delas diz respeito à corrupção ou transparência do governo Brasileiro (que atualmente é dirigido pela esquerda política).

É possível perceber ainda, que, embora o título da notícia seja outro, no link da matéria no site da revista, lê-se: une-ignora-corrupcao-em-protesto-na-capital. Ou seja, para defender seus ideais políticos, Veja tenta desviar o foco do protesto contra o modelo neoliberal para a omissão dos protestantes com relação à corrupção do atual governo brasileiro.

 Helena S. Sylvestre
Helena S. Sylvestre

 


Dilma, Brasil, ONU…


No último dia 21 de setembro a presidente Dilma Roussef teve uma importante participação na história das assembléias da ONU: Dilma foi a primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral de Debates da ONU. E também a primeira brasileira.

Como não poderia deixar de ser a imprensa adaptou esse fato de mil maneiras e fez dele uma pauta para toda a semana.

Todos os dias os telejornais mostravam boletins dos debates, sempre ressaltando a participação de Dilma. Até aí nada de errado. A cobertura foi pertinente, mostrando a nova cara do Brasil e a força e representatividade que o país está ganhando frente às potências mundiais. Ressaltar a participação de Dilma também foi interessante no sentido de reforçar a mudança política e social no Brasil.

Os veículos de comunicação fizeram questão de mostrar o evento como o mais marcante até o momento no governo e já entre as melhores participações internacionais do Brasil na Era Dilma.

O ponto que pode ser debatido aqui é o foco das matérias em torno desse evento.

Ao esmiuçar os fatos na tentativa de preencher as pautas de toda a semana, dada a importância do evento, a participação brasileira e exposição do momento político-econômico do país foi mostrada, mas não trabalhada em profundidade.

Muito se mostrou da performance, elogios e aplausos destinados à Dilma, mas e as questões políticas que foram debatidas? Qual a opinião dos países da ONU em relação a política brasileira nesse momento? Essas questões mais aprofundadas e focadas na política em si não foram noticiadas em profundidade.

Algumas colocações de Dilma enquanto presidente do Brasil foram citadas, como a posição do Brasil em relação à extinção das armas nucleares e a colocação do governo como favorável à formação do Estado Palestino. Assim como a priorização das relações do Brasil com o Mercosul e os emergentes do Brics.

Uma análise da cobertura televisiva indica uma prioridade em mostrar a “imagem pop” do Brasil e não a imagem política.

Não é um erro mostrar esse aspecto. Ele deve ser mostrado até mesmo para a auto estima da população e maior confiança no governo, mas as outras questões deveriam ser noticiadas para esclarecer a situação governamental do país.

Matérias como essas deixam os cidadãos alienados com o pensamento de que está tudo bem com o Brasil e sua imagem no exterior é excelente. Aliás, a oposição do governo disse em entrevistas que Dilma mostrou uma “Brasil cor-de-rosa” que na verdade não existe. Aqui pode-se pensar também numa analogia ao Brasil cor-de-rosa pela ascensão das mulheres em cargos importantes e até mesmo na esfera social comum.

Essa é uma realidade também, mas que está acontecendo aos poucos, com muito caminho pela frente.

A imprensa precisa saber mostrar todos os lados de eventos desse nível justamente para deixar os brasileiros realmente informados dos rumos do país. E não somente da atuação de uma brasileira.

Helena Ometto

Helena Ometto


A trágica cobertura do Rock In Rio

Um grande evento. Sites de notícias desesperados e canais de TV despreparados. Isso foi o que podemos ver na cobertura do Rock In Rio quatro.

Com apenas três dias de evento, a mídia já conseguiu proporcionar uma overdose de Rock In Rio nos telespectadores e internautas. Quem não tinha interesse no evento, não tinha como escapar da avalanche de informações e cobertura intensa. O evento foi tratado como “o carnaval da vez”. Mesmo sendo alvo de críticas, o Rock In Rio deste ano rendeu poucas matérias críticas. A mídia em geral, cobriu o evento como se ele fosse a Copa do Mundo, como se o país tivesse parado pra ele acontecesse.

A Globo prometeu muito, mas exibiu apenas segundos contados das apresentações e o Fantástico deste domingo trouxe alguns perfis de bandas, entrevistas e uma curtíssima transmissão. Quem estava dependendo da TV aberta para acompanhar o evento, teve que se contentar com matérias superficiais e segundos de shows.

Já a Multishow, só falava de Rock in Rio. O canal da TV paga exibiu todos os shows principais na íntegra e fez uma cobertura intensa do evento. Boa opção pra quem queria acompanhar o evento de casa. Mas só pra quem tem paciência e muita paciência.

As VJs Didi Wagner e Luisa Micheletti mostraram falta de experiência e desenvoltura, soltando as mais diversas pérolas. Já Dani Monteiro tinha a árdua tarefa de entrevistar o público entre os intervalos de shows. Obviamente fazendo perguntas desnecessárias, sendo alvo dos engraçadinhos da platéia e ganhando destaque na internet por entrevistar celebridades embriagadas no maior estilo Amaury Júnior.

Já Beto Lee, que também tinha a missão de entreter o público com informações dispensáveis nos intervalos, também nos proporcionou uma enxurrada de besteiras e comentários sem sentido. Beto tinha que encher lingüiça, mas não sabia como. Teve uma hora em que ele falava de experiências pessoais e até uma possível ligação do Motorhead com a Astrologia.

De longe, a cobertura da Multishow foi a pior em termos televisivos. Uma equipe pequena, apresentadores e repórteres despreparados e desinformados e falta de reportagens entre os intervalos marcaram a programação durante as 12 horas de evento.

Em relação aos sites de notícia, a cobertura despreparada não foi muito diferente. O G1 para encher a página especial do Rock In Rio, fez várias matérias desnecessárias além da cobertura dos shows.

Podemos nos deparar com matérias do tipo “Vote no visual metaleiro das famosas” ou “Cabeludos fazem escova e hidratação” e até mesmo “Veja as fotos da moda dos fãs de metal”. Que não ficaram restritas à seção EGO.

Mas a cobertura mais desesperada foi da Folha.com. No twitter da seção Ilustrada, dedicada ao entretenimento e cultura, a cada minuto surgiam matérias dispensáveis.  A Folha.com se preocupou em encher os internautas de informações, mas não que elas fossem de qualidade.

Em questão de minutos, eram publicadas várias notas de dois parágrafos sobre os assuntos mais variados. Entre eles, furto de câmera de fotógrafos, cheiro de urina no ambiente e como João Gordo traiu o movimento punk.

A cobertura do Rock In Rio nos mostra que a mídia está mais preocupada na quantidade de informação do que a qualidade dela. Se os canais de TV não estão preparados para cobrir um evento que tiveram mais de um ano para se preparar, imagine então como o caos deve reinar nas coberturas de imprevistos.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

O lado feminino do Grunge

No mês de novembro, várias bandas grunge virão ao Brasil fazer shows. Stone Temple Pilots, Chris Cornell, Pearl Jam, Sonic Youth, Faith No More e Alice in Chains serãos os responsáveis de fazer o revival do gênero aqui no país.

O Grunge foi um movimento musical muito forte nos anos 90 que surgiu em Seattle e popularizou bandas como Nirvana e Soundgarden. Com seus cabelos sujos, camisetas de flanela xadrez e guitarras cheias de distorções, o maior ícone do grunge é Kurt Cobain.

Mas é claro que movimento também teve representantes femininas e o De Volta para o Futuro relembra algumas delas.

 L7 era formado por Donita Sparks, Suzi Gardner, Jennifer Finch e  Dee Plakas. O nome deriva de uma gíria americana e significa Quadrado.  A banda se formou em 1985 em Los Angeles e terminou em 2000, mesmo seu fim não ter sido oficialmente declarado.

A banda lançou seu primeiro disco em 1988 que foi produzido por Brett Guretwitz do Bad Religion que na época possuía um selo próprio.  Fizeram shows com Nirvana, Hole, Soundgarden, Joan Jett, Red Hot Chili Peppers e se tornaram mundialmente conhecidas.

 

Babes in Toyland foi formada em 1988 Lori Barbero, Kat Bjelland e Michelle Leon em Mineapolis. Mas só em 1990 lançaram o Spanking Machine e foram convidadas para ser a banda de abertura do Sonic Youth e ganharam prestígio e fama.

O single To Mother entrou para o Top 10 da gravadora e permaneceu por lá por 13 semanas. Depois de entra e sai de integrantes, em 2001 o Babes in toyland fizeram seus últimos shows com a turnê The Last Tour. Em 2002 Kat Bjelland fez alguns shows solo com o nome Babes in Toyland, mas foi processada pelas ex-integrantes por usar o nome da banda sem autorização dos outros membros

 

Com certeza você já ouviu falar do Bikini Kill. Além de fazer parte do movimento grunge, Kathleen Hanna, líder da banda, também se tornou ícone do movimento Riot Girrl. Referência do feminismo dentro do cenário musical, que inspirou milhares de jovens durante os anos 90.

Rebel girl se tornou o hino da ala feminina do movimento grunge e é até hoje símbolo da participação feminina no movimento grunge. O Bikini Kill fez shows até 1998 e depois disso as integrantes resolveram se separar. Atualmente todas ainda estão ativas no mundo musical, porém em bandas distintas.

O Hole é uma das únicas bandas grunge femininas que sobreviveu até hoje. Liderada pela polêmica Courtney Love, o Hole possui 20 anos de carreira e 7 álbuns. Apenas Courtney é um membro fixo no Hole, a banda já teve 10 formações diferentes. Mas os integrantes mais populares ao lado de Courtney são Eric Erlandson e Melissa Auf Der Maur.

O Hole vendeu mais de um milhão de cópias com Live Through This e Celebrity Skin, que tinha uma pegada mais pop. Depois de um hiato de sete anos, voltaram com o álbum Nobody’s Daughter, alguns shows e várias promessas.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

TPMídia ON RADIO #13

Nesta última edição do TPMídia, o Primeira Página trouxe a problemática da obrigatoriedade do Enen e a “preocupação ambiental” do Tribunal Eleitoral.

No Crítica no Plural, Helena Sylveste faz uma comparação entre a abordagem da Carta Maior e Veja sobre visita de Camila Vallejo ao Brasil. Já Helena Ometto discute o enfoque sobre os 10 anos dos atentados de 11 de setembro pelos canais da Globosat.

E no De Volta Para o Futuro, trouxemos o enfoque feminino do movimento Grunge e o perfil de Joss Stone


A saúde da televisão

O Crítica de Mídia da semana passada tratou sobre a enorme quantidade de programas sobre saúde que invadiram as grades da televisão ultimamente. Todas as emissoras tem programas desse tipo, mas nem todos conseguem alcançar a qualidade desejada e necessária. É sobre isso que vou tratar aqui!

CRÍTICA

Não é segredo que saúde é a preocupação número 1 de todas as classes sociais e um assunto comum a todos os públicos. Isso faz com que o tema seja um coringa para as emissoras de televisão que precisam lançar novas produções e preencher seu espaço na programação.

O problema é quando essa possibilidade torna-se exagerada e preenche a grade com programas sobre o mesmo tema, com o mesmo estilo, falando as mesmas coisas, com profissionais de mesmo gabarito e uma produção de pautas que sempre traz mais do mesmo.

 

Esse ano a Rede Globo lançou o Bem Estar, um programa especializado em saúde que prometia trazer novas informações para o público da manhã, geralmente as senhoras e as donas de casa. Mas o objetivo não foi totalmente cumprido por falta de competência da dupla de apresentadores aliada às pautas nada criativas.

Outros programas da emissora também trazem quadros especiais para falar de saúde, como no Mais Você, de Ana Maria Braga, no Fantástico e até mesmo no Domingão do Faustão, como se já não bastassem as atrações de todo domingo.

Na Record o problema se repete com o “E aí, doutor?”, apresentado pelo médico Antonio Sproesser, clínico geral há 34 anos, no período da tarde. A Record News traz o “Estilo e Saúde”, apresentado por Amanda Françozo e a programação segue nas demais emissoras…

Programas voltados para a saúde são fundamentais em um veículo que atinge grande parte da população de todo o país, além de exercerem a função de serviço público do jornalismo. A questão aqui é a repetição exagerada que torna a pauta indiferenciada e cansativa.

Além disso, essa enxurrada de informações sobre saúde e bem estar pode deixar os espectadores paranóicos. Lembrando que as emissoras trazem profissionais diferentes e, com isso, as dicas de bem estar também podem ser variadas, confundindo a cabeça do espectador.

Uma outra questão a ser discutida é o preparo de jornalistas para transmitir informações sobre saúde e o cuidado dos médicos para adequar a linguagem da medicina para a televisiva.

Por se tratar de um assunto de grande interesse público é fundamental que haja esse preparo em ambas as partes. Os espectadores devem ter um entendimento homogêneo e correto das informações.

O comunicador tem que superar as formalidades da medicina, assim como os médicos devem se adequar aos critérios de uma comunicação eficiente.

Selecionar os programas que vão ocupar a grade de programação nos canais abertos da televisão brasileira também pode ser uma solução. Até porque os espectadores de um canal aberto estão espalhados pelas diferentes classes sociais e não tem as mesmas condições de acessos aos medicamentos, procedimentos clínicos e tratamentos médicos que são oferecidos na mídia.

É necessário levar em conta essa diferença de públicos e dar informações que sejam acessíveis a todas as classes sociais para validar o principio democrática da televisão.

Helena Ometto

Helena Ometto


Brasileira, com muito orgulho, com muito amor…

A data significa muito para o Brasil, para os brasileiros e também para o mundo que ganhou uma nova nação aos 7 de setembro de 1822. Não mais uma como as demais, mas um país de todas as raças, todos os povos, que abraça os novos habitantes e sempre acolhe os que desejam voltar.

O fato de eu ser brasileira conta (muitos) pontos nessa descrição, mas hoje o mundo sabe do potencial brasileiro e reconhece o valor de nossa gente. Apesar de o estereótipo de país do carnaval, mulher bonita e futebol ainda existir no cenário internacional. E até mesmo nacional.

Apesar do otimismo, tenho consciência de que ainda há muito crescimento e desenvolvimento esperando pelo Brasil. Por mais que o trabalho seja intenso e a vontade de competir entre as grandes potências seja maior ainda, o atraso tecnológico, econômico, social e outros fatores ainda faz do Brasil um país emergente. Mas já que brasileiro não desiste nunca, aqui estamos nós construindo (tentando) um verdadeiro país de todos.

Não posso ser hipócrita e acreditar que o nacionalismo é o único motivo de alegria e comemoração do 7 de setembro: o Brasil se lembra de sua independência mais pelo feriado e pela folga (eu me incluo nessa categoria também) do que pela data e significância em si, mas lá no fundo existe uma lembrança da nação.

Nada comparado ao ufanismo e brasilidade que parece tomar conta do país nas épocas de Copa do Mundo, mas o Brasil fica levemente tingido pela bandeira em 7 de setembro.

Nesse ano de 2011, além dos tradicionais desfiles e paradas nas ruas de cada cidade escondida por esse território verde-amarelo, outros protestos e manifestações marcaram a data, como a passeata contra a corrupção em Brasília. Aliás, esse foi o maior destaque das comemorações desse ano.

Nasceu uma nova forma de declarar o “orgulho de ser brasileiro”: protestando pelos direitos da nação!

 

A data foi repercutida mundo a fora pelo doodle do Google que trouxe a Independência do Brasil em destaque e fez nossa propaganda! Merecidamente.

Aqui no país, o Estadao.com trouxe as fotos do desfile de 7 de setembro que aconteceu no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Além das imagens das manifestações que aconteceram pelo Brasil.

 

 

Outros jornais de repercussão nacional, como O Globo e o Jornal de Brasília também mostraram o tradicional desfile na capital, primeiro de Dilma Roussef como presidente. Até mesmo Barack Obama nos mandou os parabéns.

Parabéns Brasil! Por sua independência e pela conscientização dos brasileiros que buscam um futuro digno para essa Pátria Amada!

E assim seguimos entoando: “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor…”

Helena Ometto

Helena Ometto


Balanço da semana

Pra você que não passa muito tempo na internet e não conseguiu acompanhar todos as pérolas da mídia desta última semana, nós do TPMídia que sempre prezamos pela sua informação, resumimos os acontecimentos esdrúxulos que ocuparam a atenção da mídia.

Logo no começo da semana, a Fiat lançou seu comercial do Cinquecento com o já esquecido cigano Igor Ricardo Macchi e Dustin Hoffman. Uma vergonha alheia sem limites. Porém admiro que consegue rir de si mesmo e fazer piada com sua própria falta de habilidades.

Já a quarta-feira foi movimentada! Logo pela manhã, no maravilhoso programa da RedeTV Manhã Maior, a apresentadora Keila Lima que estava fazendo seu último programa, resolveu se despedir de uma forma nada pacífica e resolve fazer aloka no meio do programa. Daniela Albuquerque, primeira dama da RedeTV, fica visivelmente surpresa com a atitude da outra apresentadora e protagoniza sua melhor cara de peixe (a melhor desde aquela vez que ligaram ao vivo no programa e mandaram todo mundo tomar naquele lugar). O despreparo da produção do programa é ótima, todo mundo perde o controle do que está acontecendo e deixam a mulher descer a lenha até o fim. Um simples delay podia ter resolvido e cortariam o momento “Maria do Bairro” de Keila. Sinceramente? Perdeu a classe nessa despedida cheia de mágoas!

O que acontece na internet fica na internet? Mas é claro que não! Tanta coisa excepcional, inteligente e criativa pipocando diariamente na interwebs e o que vai parar no Jornal da Globo? A paródia matemática de Telephone da Lady Gaga daquelas duas meninas sem noção. Tudo bem, deve ter sido engraçado para o pessoal da escola, para os leitores do Não Salvo, mas colocar no Jornal da Globo? Faça-me o favor! Desnecessário define. E ainda por cima, o jornal nem deu os créditos para o  Não Salvo alegando posteriormente que por não ser um site hospedado pela Globo e sim pelo IG, eles não citariam na matéria. Que feio.

E você que gosta de xingar muito no twitter, cuidado!

A atriz Nivea Stelmann, segundo o site EGO, foi à delegacia prestar queixa contra algumas pessoas que a ofendiam no microblog. Sim, isso é possível. Você, celebridade, que não aguenta críticas, pegações no pé e perseguições em geral, NÃO FAÇA UM TWITTER. Se não aguenta, beba leite. Enquanto você mais pega febre, mais o pessoal adora. Ficadica!

E no sábado, o fato que me fez esboçar 30 segundos de sorriso: o site da Revista Capricho foi hackeado e postaram uma notícia na qual Justin Bieber assumia sua homossexualidade e cancelava os shows no Brasil.

Acredito que a taxa de chiiliques entre adolescentes de 10 e 15 anos aumentou 85%.

E termina aqui nossa retrospectiva do caos midiático da semana. Aguardem, no próximo domingo tem mais!


O retorno de Marilyn Monroe

Na semana passada foi divulgado o cartaz do filme My Week With Marilyn, que será lançado em novembro deste ano e se trata de uma documentação de Colin Clark, um assistente de produção do filme O Príncipe Encantado sobre Marilyn. O filme conta com Michele Williams interpretando a diva e pelo o que podemos ver, ela ficou realmente muito parecida com Marilyn. Nos resta aguardar o filme!

Marilyn Monroe, nasceu no ano de 1926, em Los Angeles, na verdade se chamava Norma Jeane Mortensen. A moça, que foi considerada um dos maiores símbolos sexuais dos anos 50, com apenas 16 anos, casou-se com Jimmy Dougherty, de 21. Mas a felicidade do jovem casal durou pouco. Descrita por Jimmy como uma menina doce, generosa e religiosa, Norma assinou seu primeiro contrato como atriz no ano de 1946, e foi a partir daí que a atriz começou a tingir seu cabelo de loiro e a adotar o nome artístico Marilyn Monroe.

No ano seguinte, Marilyn participou de três filmes. “Sua Alteza, a Secretária”,  “Torrentes de Ódio” e “Idade Perigosa”. Então, em 1949, sem qualquer dinheiro no bolso, a atriz americana concordou em posar nua para um calendário. Ela só não esperava que o sucesso fosse ser tão grande, a ponto de virar a capa da primeira revista Playboy, no ano de 1953. Mas todos eles de pouco sucesso. Depois disso, seu contrato foi cancelado.

A partir daí, o destaque nas telas do cinema foi inevitável. Em 1951, ganhou seu primeiro papel importante em “O Segredo das Viúvas”. Monroe casou-se mais duas vezes depois do primeiro divórcio. A segunda vez foi com o famoso ex-jogador de beisebol Joe Di Maggio. Mas os ciúmes de Joe não deixaram que o casamento durasse muito tempo.

E depois de outros títulos de sucesso, em 1959, Marilyn Monroe brilhou em “Quanto Mais Quente Melhor”, um filme que atraiu multidões ao cinema, e que foi considerado a melhor comédia de todos os tempos. Dois anos depois, em 1956, a atriz casou-se com o dramaturgo Arthur Miller. E foi no ano de 1961 que Miller criou a personagem Roslyn Taber, de “Os Desajustados” especialmente para a esposa. Mas este acabou sendo a última atuação da carreira da atriz.

A versão oficial dos fatos dizia que a atriz teria morrido de overdose. Mas existia uma suspeita muito forte de que Monroe teria sido assassinada pela máfia, que era inimiga do presidente.  A partir daí começaram a correr rumores de um suposto relacionamento entre Marilyn e o presidente americano John Kennedy. Os boatos de que eram amantes aumentaram quando a atriz cantou “Parabéns a você” para Kennedy de um jeito um tanto quanto especial.

Na manhã de 5 de agosto de 1962, Marilyn Monroe foi encontrada morta em seu quarto, ao lado de um vidro de barbitúricos.  A jovem talentosa, morta com seus poucos 36 anos, tornou-se desejada por sua beleza, inocência e sensualidade. Além disso, Marilyn caiu nas graças do público com seu imenso talento. A maior prova disso é o conjunto de 30 atuações em filmes, que a diva deixou como herança para o cinema mundial.

Helena Silvestre

Helena Sylvestre

O puxão de orelha de Bonner

No Crítica do Plural dessa semana eu fiz uma análise da repercussão desnecessária que o deslize de Bonner no Jornal Nacional teve na mídia! O que na verdade (pelo menos ao meu ver ) não foi nada mais do que uma falta de atenção sem maior destaque.

Parece que a mídia faz questão de apontar e ironizar as pessoas com um comportamento mais certinho, eu diria. Bonner é conhecido por ser um profissional correto, que quase nunca erra e não tem deslizes na vida pessoal, sendo considerado conservador e sério demais na opinião de algumas pessoas.  O mesmo acontece com a Sandy, que desde sempre foi estereotipada pela mídia como a menina certinha, sem rebeldia, sempre obediente, que não erra e quer ser exemplo de tudo para todos.

Sabemos que as pessoas não são sempre certas o tempo todo. Ninguém é assim. Elas são humanas, se divertem, erram e tem até mesmo um lado Devassa, mas essa atitude da mídia de estereotipar as celebridades conquista o público.

Eu considero irritante essa construção de pessoas, mas o público aceita e passa a enxergar os famosos dentro das características pressupostas. Consequentemente, isso acarreta numa venda de matérias e publicações cada vez maior e faz girar a bola de neve.

Voltando à crítica de mídia produzida para essa edição do TPMidia ON RADIO! Vale conferir!

Na edição do Jornal Nacional do dia 25 de agosto, quinta-feira passada, uma cena chamou a atenção do público. E principalmente da mídia. William Bonner confundiu a careca de Marcos Uchoa com um capacete.

A noticia era sobre a situação da Líbia e o repórter Marcos Uchoa estava lá como correspondente da Rede Globo. O conselho geral era que os repórteres usassem capacete durante a realização das matérias e aí aconteceu a confusão.

Bonner pensou que Uchoa estivesse de capacete e elogiou a atitude do colega, mas Fatima corrigiu o erro e Bonner transformou o elogio em um puxão de orelha.

Não aconteceu nada demais na situação, mas alguns portais noticiaram o fato com uma importância desnecessária.

Bonner e Uchoa: bronca?

O F5, seção de entretenimento da Folha.com trouxe uma matéria com o tema, destacando o puxão de orelha e falou da citação do caso no Twitter de Bonner. Em alguns comentários da notícia há um debate dizendo que esse tipo de matéria é que é uma gafe e merece um puxão de orelha dos leitores. Outros falam que o trabalho de Uchoa deveria ser noticiado e não essa situação.

A UOL também mostrou o fato, dando a entender que a atitude do apresentador foi uma bronca ao vivo no repórter e o teria deixado chateado Notícias como essa deixam a impressão de que não há nada mais importante para ser transmitido e noticiado pelos portais que se prendem a situações como essa.

A possibilidade e, até mesmo, obrigação de atualizar os sites a todo momento levam os portais a procurarem notícias em qualquer acontecimento e mudam a definição do que chamamos de jornalismo. Matérias como essa indicam uma tendência ao sensacionalismo da profissão e a perda dos critérios de noticiabilidade que trazem seriedade ao jornalismo. Chegou o momento de rever até que ponto essa procura desesperada por notícias vale a pena.

É hora de esclarecer novamente os limites e padrões do jornalismo.

Helena Ometto

Helena Ometto

Humor no Telejornalismo Tradicional

Desde maio deste ano, o Jornal da Record News passou por uma reformulação. Colocou o renomado jornalista Heródoto Barbeiro para apresentar o telejornal diário junto com Thalita Oliveira. Além de Heródoto Barbeiro o jornal contratou um time de 10 colunistas que revezam todos os dias, trazendo comentários de cultura, saúde, futebol, audiência e mídia, política, economia e o até humor.

Todas as segundas-feiras o humorista Bruno Motta apresenta sua coluna no telejornal. Bruno já tem uma carreira consolidada em stand-up comedy, um gênero que ganhou força nos últimos anos no país e também já era conhecido por ter um quadro no Furo MTV. A tentativa de trazer uma abordagem mais descontraída para um telejornal tradicional é algo novo. Alguns jornais já tentaram trazer charges, como o Jornal Nacional da Rede Globo, mas foi uma experiência que está bem longe de ter alguma graça.

A dificuldade em aliar humor ao jornalismo é saber estabelecer limites. Bruno Motta faz um resumo das notícias de maior destaque da semana anterior e faz alguns comentários inusitados sobre tais fatos. Só que como não tem como fazer piada sem dar nomes aos bois, Bruno não faz apenas referências aos acontecimentos e sim, cita nomes de celebridades, empresas, programas de TV – inclusive da concorrência – e até tira sarro de algumas gafes dentro de algum programa da própria Rede Record.

Claro que ele não faz nenhum comentário ofensivo nem força a barra com piadas mais pesadas. Mas mesmo sendo contido, não deixa de perder a graça. Heródoto sabe como conduzir os comentários e deixa o diálogo fluir entre apresentador e colunista. Heródoto acerta, mas não se pode dizer o mesmo de Thalita Oliveira. A jornalista que já foi aspirante a “Loira do Tchan” não consegue fazer o diálogo fluir e acaba deixando a conversa sem graça.

Thalita parece que está ali para “mediar” a situação, tentando de alguma forma, defender os alvos das piadas, seja uma celebridade ou uma empresa em questão. Pois é, a moça faz aquele papel de chato da conversa, com comentários opostos ao de Bruno, tentando colocar panos quentes na situação. A idéia de trazer um humorista num jornal tradicional foi uma tentativa ousada, mas que os produtores acertaram. Bruno Motta não tem um histórico polêmico como seu colega de profissão Rafinha Bastos da Band.

Bruno faz alguns comentários ácidos, alguma brincadeira com algum time de futebol que perde um jogo, algum deslize de celebridades ou algum político envolvido em escândalo. Sempre dando um ar descontraído até mesmo para notícias mais polêmicas. Ter um comentarista que possui um olhar diferente dos demais jornalistas é uma renovação positiva no cenário do telejornalismo. Ainda mais se o humorista é alguém comedido, que mescla momentos sérios com piadas e ironias.

O comentarista é bem aproveitado quando o jornalista entende a brincadeira e não tenta dar uma colaboração sem graça, cortando os comentários do humorista e deixando um ar constrangedor no quadro. Sorte que o jornal da Record News tem uma dupla de apresentadores e pelo menos Heródoto sabe aproveitar o convidado e promover um momento de entretenimento inteligente para os telespectadores.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

TPMídia ON RADIO #11

Nesta última edição do TPMídia você confere: a falta de infra-estrutura dos transportes públicos, aulas como redução de pena para presidiários, a careca do Uchôa confundindo Bonner e a tentativa de inserir humor no jornalismo tradicional. E no De Volta para o Futuro fizemos o perfil de Marilyn Monroe e Amy Winehouse!


Uma breve reflexão sobre o jornalismo para os jovens

O período da pré-adolescência até a vida adulta é um momento muito delicado, principalmente porque o jovem está formando seu caráter, adotando valores e definindo quem ele realmente é. Por isso o jornalismo voltado para este público, garotos e garotas entre 12 e 18 anos, deve ser tratado de forma cuidadosa. Porém o que podemos ver em sua grande maioria é que os assuntos voltados para os jovens tanto em revistas, jornais ou sites são basicamente com o foco em entretenimento. Obviamente que quando se é jovem é quando temos mais tempo para o entretenimento, mas será que essa deve ser a única preocupação?

Revistas voltadas para o público jovem masculino, pra mim é uma lenda. Procurei rapidamente pela internet e o máximo que encontrei foi uma meia dúzia de sites. Será que as empresas de comunicação acham que os garotos de hoje só se interessam por esportes, vídeo games e pornografia? Ninguém se interessa em fazer uma revista especializada para esse público?

Já para as jovens garotas, revistas é o que não faltam! Podemos encontrar dezenas de sites especializados para esse público, mas será que eles abordam tudo o que elas precisam? A grande maioria das publicações para o público feminino traz basicamente: garotos, moda, sexo, comportamento e celebridades juvenis. Será que isso é o que importa para as jovens ou é o que é imposto como importante?

Os jovens, durante toda a adolescência, se preocupam em serem aceitos pelo grupo do qual fazem parte ou almejam, logo são facilmente influenciados por atitudes coletivas e padrões pré-estabelecidos. As publicações voltadas para este público deveriam incitar debates, discussões e reflexão, porém o que vemos aos montes são futilidades, superficialidades e alienação.

Será que as únicas preocupações das garotas deveriam ser o que diz o seu horóscopo, qual esmalte é a tendência, saber se o garoto está correspondendo ou como perder tantos quilos em tantos dias? Os jornalistas que escrevem para este público tem de ter a consciência que podem estar estimulando distúrbios alimentares, psicológicos e incentivando cada vez mais a superficialidade e a “coisificação” dos adolescentes.

Mas como prometi no título do texto, esta é uma BREVE reflexão. Não entrarei em questões mais profundas, senão o post ficará interminável. Para não terminar o texto com uma visão predominantemente pessimista, afirmo que esse ramo do jornalismo não está completamente perdido. Estão surgindo alguns sites e revistas online para o público jovem com o intuito que estava faltando: reflexão e informações pertinentes. A Revista Tag, Aliás e o Motim são ótimos exemplos, trazem informações de qualidade e assuntos variados para o público jovem, independente de sexo.

Escrever para o público jovem não é uma tarefa fácil e é algo que deve ser repensado. Já está mais do que na hora da mídia perceber que os jovens precisam ser estimulados a pensar e repensar seus valores.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

“Dia do Orgulho Hétero”. Qual o propósito?

A criação do projeto de lei do “Dia do Orgulho Hétero” deu o que falar nas últimas semanas. Carlos Apolinário (DEM) foi quem deu o pontapé inicial, criando o projeto, mas uma atitude um tanto quanto inesperada foi tomada por parte de Gilberto Kassab (PSD): o prefeito da capital paulista vetou o projeto. O engraçado é que há apenas dez dias, Kassab disse que não sancionaria nem vetaria o projeto, deixando para a Câmara decidir.

O que será que teria acontecido para ele mudar de ideia em um prazo de tempo tão curto? Sua colocação anterior era a de que o “Dia do Orgulho Hétero” não incentivaria a homofobia. Hoje, ele diz que o projeto é totalmente despropositado, uma vez que os heterossexuais não sofrem qualquer tipo de discriminação social. Correto. De fato não sofrem. Mas essa “conscientização” teria vindo à tona por pura espontaneidade? Acho difícil…

Agora… O ponto de discussão que eu quero trazer está ligado diretamente com o post abaixo, da Juliana Baptista. Tudo bem… A mídia por si só não interfere de fato em decisões legislativas, mas é totalmente capaz de pressionar os órgãos que têm esse poder de decisão. Para mim, foi o que de fato aconteceu.

Após o projeto ser aprovado, Apolinário teve seu site pessoal invadido por alguns ativistas, os quais deixaram como “lembrança” críticas ferrenhas às suas posições supostamente homofóbicas. Além disso, a hashtag #orgulhohetero reinou nos Trending Topics (tópicos mais comentados) do Twitter por um tempo bem razoável (bem longo, na verdade). Seria porque a maior parte dos twitteiros de plantão é a favor do projeto? Não… Muito pelo contrário. A hashtag foi parar nos TT’s justamente por indignação dos internautas.

Primeiramente coloco-lhes uma observação: temos o direito de livre expressão, à informação “democratizada”. De fato sim, mas que todos saibam que, se você tem o direito de se expressar, também tem o dever de arcar com as conseqüências da exposição de suas ideias e ideais.

Na minha humilde opinião, criar um dia para comemorar o orgulho hétero é no mínimo bastante questionável. Qual o propósito de se criar uma data comemorativa como essa? Héteros orgulham-se de que? De serem discriminados, de serem julgados o tempo todo por uma sociedade hipócrita, de ter seus direitos restritos devido à sua orientação sexual? Acho que não… Mas o melhor é a alegação do próprio Apolinário: “temos que alertar a sociedade contra esta grande mentira, que vem sendo dita pelos gays e repetida pela mídia e por formadores de opinião, dizendo que os gays são discriminados e perseguidos, quando, na verdade, querem nos calar, implantando uma verdadeira ditadura gay, pois eles se consideram intocáveis”.

OK. Agora, permitam-me fazer uma analogia. Há séculos, as mulheres também eram alvo (e ainda são) de discriminação. Foi impulsionado por essa realidade que nasceram os protestos femininos por igualdade de direito entre os sexos, e futuramente o Dia da Mulher. Resultado: foi implantada uma ditadura feminista, tornando os homens meros objetos dignos de dó? Não, também acho que não…

Mas no fim, a questão é que apesar das tentativas de imposições pela ala conservadora em uma nação que se diz “democrática”, o apelo proveniente do meio virtual vem ganhando forças, SIM! Foram principalmente o Twitter e o Facebook os responsáveis pela mobilização dos internautas, e inclusive possibilitou aos internautas a criação de flashmobs contra o projeto. Como eu havia dito, a mídia de fato não teve qualquer influência direta com a mudança de opinião de Kassab, mas a “pressão popular” interferiu de alguma forma na mudança de posicionamento do prefeito de São Paulo. Provavelmente foi o receio de ter o seu cargo político e o partido em risco.

Seja qual for o motivo, o fato é que a internet vem mostrando que nem sempre é dominada pela Disfunção Narcotizante, previamente apresentada pela TV. Apesar dos pesares, a internet pode SIM ser a ferramenta protagonista de mudanças significativas na sociedade.

Helena S. Sylvestre

Helena S. Sylvestre


O poder de persuasão na internet

Nesta semana o New York Times publicou uma entrevista com Rafinha Bastos, mais conhecido como “a pessoa mais influente do Twitter”. Alguém que ficou a frente de Barack Obama, Conan O’Brien e Kim Kardashian obviamente chamaria a atenção dos americanos. Mas o que gostaria de analisar especificamente não é a personalidade Rafinha Bastos, mas sim, todos os webstars brasileiros e seu poder de persuasão em massa.

Webstar é um termo muito novo, provavelmente criado há alguns anos e define as pessoas que são personalidades da internet. Não são famosas exclusivamente por sua profissão ou por algum ato heróico/polêmico, mas sim pelas coisas que propagam pela internet.

As personalidades da internet são muito ativas nas redes sociais, principalmente o Twitter, o lugar perfeito para disseminar informações desenfreadamente. Rafinha tem mais de dois milhões e meio de seguidores, Felipe Neto um milhão e duzentos mil, PC Siqueira tem mais de 860 mil, já os blogueiros do Não Salvo, Jacaré Banguela, Kibeloco variam de meio milhão a 200 mil seguidores.

Por serem críticos, engraçados ou até mesmo polêmicos, muitos internautas acabam se identificando com os webstars. Mas o problema disso tudo está no fato dos seguidores perderem o seu senso crítico e começarem a adotar a ideologia das personalidades internéticas como se fossem a única verdade no mundo.

Greimás defendia que o receptor possui um senso crítico, capaz de ter suas próprias reflexões e não aceita passivamente todas as informações que recebe. Mas será que isso está valendo pra grande maioria? Obviamente que a manipulação ocorre porque existe uma espécie de cumplicidade entre o manipulador e o manipulado e provavelmente isto ocorre porque algumas de suas percepções de mundo são semelhantes.

Tenho algumas teorias para explicar o sucesso de algumas destas personalidades: Rafinha Bastos surgiu em uma hora em que nós brasileiros estávamos esgotados de humor massificado, mastigado e sem graça. Então os shows de humor que ele fazia, cheios de sacadas inteligentes, duras críticas às celebridades e às pessoas comuns nos aparece como uma luz no fim do túnel. Satisfez aquela necessidade de “inteligência” no humor que o público precisava. Junto com isso, ele ganha um espaço num programa de formato diferenciado na TV brasileira. Pronto, está criado o herói. E mesmo que ele faça algumas piadas sem graça, force a barra diversas vezes, os dois milhões de seguidores não vão se importar, porque ele já conseguiu credibilidade o suficiente para poder dar algumas bolas foras.

Já Felipe Neto só se deu bem porque ninguém conhecia muito bem o gênero Videolog, hoje totalmente massificado e aderido por centenas de jovens. Ele só pegou uma câmera e começou a falar o óbvio: criticar coisas ruins e hábitos idiotas. Lógico que muitas pessoas concordariam, já que ele só estava falando o que todo mundo pensava, a única diferença é que ele gravava as reclamações e as colocava no Youtube. Sinceramente não acho inovador alguém falar mal de Restart, Justin Bieber, Crepúsculo, Políticos, Micareta… Milhares de pessoas também pensam isso e ele não é um gênio por criticar tais coisas.

Mas o mais estranho é que os fãs, mesmo sendo insultados, não deixam de acompanhar cada frase que eles tuitam. Quantas vezes não vi o Felipe Neto e o PC Siqueira chamando seus fãs de estúpidos, babacas e idiotas? Mas mesmo assim, o número de seguidores não para de crescer.

Uma das coisas que podem comprovar a minha teoria de que as pessoas estão perdendo seu senso crítico é quando vejo, por exemplo, o videolog do PC Siqueira. São centenas de comentários “PC fala de tal assunto” ou “PC o que você acha de tal banda?”. Pra quê as pessoas querem saber o que ele pensa? Se ele achar que alguma coisa é ruim, todos nós deveríamos achar também? Será que a juventude está precisando de um aval de alguém pra pensar? PC é criticado por dezenas de pessoas quando fala que não gosta de alguma banda que o público adora. O público não aceita que ele possua alguma preferência musical distinta deles. Por acaso o videologger deve ter 100% de compatibilidade com o público? Não sei o que se passa na cabeça destes jovens.

É só um desses webstars escrever alguma coisa no twitter, em um blog ou dizer em seu videolog, que automaticamente o público adere. É impressionante como as pessoas recebem as informações sem questionamentos nem reflexão.

Algo estranhamente assustador é a categoria Desafio Aceito feito pelo blog Não Salvo. Cid, o proprietário do blog pensa em alguma trollagem e pede a ajuda de seus fãs para os “desafios” que ele propõe. Um deles era assustar uma garota que promoveu sua festa de 15 anos no Facebook e deixou o evento como “público”. Cid queria que os leitores confirmassem presença na festa para zoar a garota. Assim que ele tuitou o desafio, o evento que tinha 9 pessoas, em 2 horas tinha mais de 6 mil pessoas confirmando presença. Ou em um Fórum de Segurança da internet, que em menos de 2 minutos, Cid conseguiu que mais de 3 mil seguidores entrassem no site e o derrubassem comprovando a falta de segurança.

Com apenas um tweet, 140 caracteres ou menos, eles podem mobilizar milhares de pessoas. Entendo que o Desafio Aceito não passa de uma série de brincadeiras para zoar uma pessoa e divertir outras tantas, mas o que me assusta é o poder de mobilização que essas pessoas tem.  Eles mandam um link, em coisas de segundos, centenas de pessoas compartilharam aquela informação.

A internet pode ser uma ferramenta muito útil quando o internauta sabe como utilizá-la. Porém enquanto estivermos retrocedendo e apenas recebendo passivamente as informações, sem questionamentos, sem formar nossa própria opinião, a internet servirá apenas para repassar “desinformação” para um amontoado de papagaios com banda larga.

Juliana Baptista

Juliana Baptista


Isso é engraçado?

Já que o assunto da vez é Amy Winehouse, resolvi tomar esse gancho para comentar sobre um outro aspecto do jornalismo/entretenimento brasileiro. Muito há que se comentar sobre esse agenda setting que está acontecendo em torno da morte da cantora inglesa, mas uma notícia veiculada nessa terça-feira me chamou a atenção para uma outra característica da nossa mídia: os programas humorísticos. Ou quase isso.

O site de entretenimento da Folha de São Paulo, o F5, divulgou nessa terça-feira a nota de que os humoristas do programa “Pânico na TV!”, veiculado na RedeTV!, invadiram o funeral da cantora Amy Winehouse para gravar um dos quadros do programa. Lembrando que, a pedido da família de Amy, o funeral foi fechado somente para amigos e parentes.

Essa foi apenas mais uma demonstração da qualidade do que alguns brasileiros costumam chamar de humor. Não foi a primeira vez que os chamados humoristas do Pânico tiveram uma atitude anti-ética, mas essa me chamou a atenção pela situação: era um funeral, um momento íntimo familiar e não um evento qualquer em que esse tipo de gente costuma se infiltrar.

Mas o que eu quero mesmo é falar desse humor que faz sucesso no nosso país. O “Pânico na TV!” já está no ar há 8 anos, desde 2003, e todos sabemos do sucesso que faz não somente entre os jovens, mas com pessoas de todas as idades, até mesmo crianças, por causa dos personagens que são colocados nas edições semanais.

Posso até dizer que uma coisa ou outra pode ser engraçada, mas não entendo a graça no tipo de humor caricato que tende ao preconceito, desrespeito, invasão de privacidade e outras características que descaracterizam o humorístico.

Aliás, um outro programa que está sendo redesenhado por essa estrutura parece ser o CQC, exibido pela Bandeirantes nas noites de segunda-feira. O programa é uma “cópia” do original argentino e está configurado em um humor inteligente, com pegadas políticas e temas mais culturais. Mas, de um tempo pra cá, tenho a impressão de que os quadros do CQC também estão tendendo para esse humor popularesco. Infelizmente.

Em uma de suas edições, o CQC exibiu uma matéria com o repórter Rafael Cortez visitando a festa Skol Sensation e conversando com meninas superproduzidas e caras bombados. Detalhe que a matéria terminou com o repórter beijando uma das entrevistadas. Me diz: pra quê isso?

Já existe uma campanha no Brasil para denunciar esses tipos de entretenimento chamada “Quem financia a baixaria é contra a cidadania” que todo ano divulga uma lista da baixaria na TV. Nesse ano de 2011, o 18º ranking divulgado colocou o Pânico da TV! no topo da lista dos mais denunciados pelo público. Foram 113 denúncias durante o ano de 2010 fundamentadas em exposição de pessoas ao ridículo, humor grotesco, excesso de nudez e palavras de baixo calão.

O site para denunciar baixarias e desrespeito na TV é o www.eticanatv.org.br

Isso é um sinal de que os brasileiros estão percebendo o baixo nível de seu entretenimento e formação cultural de massa da população? Espero que sim.

É fato que as produções humorísticas nacionais nunca foram ótimas, mas pelo menos não lidavam diretamente com a vida pessoal e íntima de famosos e anônimos e faziam disso um motivo de risadas. Fica a minha indignação com a atitude dos humoristas do “Pânico na TV!” e uma reflexão sobre o que a nossa mídia apresenta como engraçado.

Helena Ometto

Helena Ometto