A Fúria Feminina!

Posts com tag “jornalismo

“O jornalista e o assassino” – Uma reflexão sobre a ética jornalística

“O jornalista e o assassino” é um livro de leitura praticamente obrigatória a qualquer jornalista, estudante de jornalismo ou simpatizantes. Mas a minha indicação de leitura se estende a qualquer indivíduo que se interesse por se questionar a respeito de questões humanas, questões éticas e o significado “concreto” de verdades e mentiras.

Janet Malcolm, jornalista estadunidense e autora do livro, traz à tona reflexões relacionadas principalmente à ética dentro do jornalismo. Para isso, ela aborda a história de um jornalista (Joe McGinniss) que escreveu um livro sobre o médico Jeffrey MacDonald, acusado de assassinar a esposa e as duas filhas. Entretanto, até o lançamento do livro (“Fatal Vision”) McGinniss fingir estar a favor de MacDonald, dando-lhe a entender que ele acredita que o médico seja inocente. E transmite isso através de cartas enviadas a MacDonald na prisão.

É justamente essas cartas que abrem uma brecha para o médico processar o jornalista por calúnia e difamação. É justamente nesse ponto que a autora consegue captar a atenção do leitor. “Como um homem acusado (e preso) por assassinato pode recorrer ao tribunal por calúnia?”. Esse não é o foco. O fato é que Janet quis colocar a seguinte questão em xeque: “Até que ponto o jornalista pode ir para conseguir informações que lhe sejam necessárias ou úteis?”

Ética, ética, ética… Apesar de ainda muito questionado no meio jornalístico, não existem regras definidas a respeito do que é ético o jornalista fazer ou não. Entre aí a questão daquilo que comumente chamamos de “bom senso”. Se o jornalista pode “enganar” o entrevistado afim de que se consiga o que se quer, não se pode afirmar legalmente. Mas a consciência do repórter é que dará o “xeque-mate” na questão.

Ao fim do livro não é possível saber se MacDonald foi de fato o responsável pela morte da família, ou não. O eixo da obra não é esse. E mais do que se utilizar de especificidades da área jornalística ou de moralismos excessivos, Janet, apesar de se colocar contra McGinniss, traz o tempo todo argumentos utilizados por ambas as partes do processo. Tanto por aqueles que defendiam McGinniss no tribunal, quanto aqueles que eram contra. Destaco ainda os detalhes a respeito da psicopatia e sociopatia que foram descritos no livro. Interessante  em termos de Ciências Humanas e também Sociais.

De maneira geral, apesar de Janet trazer questões a respeito da ética dentro do jornalismo, o livro serve para nos fazer refletir a respeito do nosso comportamento como indivíduo social. Até que ponto podemos caracterizar nossos “passos” como éticos ou antiéticos? Até que ponto podemos infringir certos moralismos em pró de algo? (Traga isso um bem estar social ou não)

Interessante para jornalistas, para advogados, para psicólogos, e qualquer pessoa que tenha interesse por questionar a essência do ser humano o meio social em que vive.


Helena S. Sylvestre

Helena S. Sylvestre

Anúncios

No Dia da Imprensa, dê os parabéns!

Bom, você já pode dar os parabéns para as 6 meninas que escrevem nesse blog. E sabe por quê? Pelo simples fato de ontem ter sido o DIA DA IMPRENSA!

Isso mesmo! Desde 2000, no dia 01 de junho comemoramos o dia nacional da imprensa e de todos os profissionais que fazem as informações correrem o mundo, como nós jornalistas!

Pense bem: o que seria do mundo sem as mídias e as informações sendo divulgadas a todo momento? Já imaginou a alienação do povo se as falcatruas políticas não fossem divulgadas, se a manipulação social não fosse colocada em pauta? Já imaginou também se as conquistas e vitórias de nosso país não fossem levadas a todo mundo? Será que ainda pensariam que o Brasil é terra de ninguém e os índios andam nus pelas ruas?

A imprensa tem um papel fundamental no desenvolvimento de um país e para fazer acontecer é necessária a participação de jornalistas! A imprensa é a defensora dos direitos humanos, denuncia as irregularidades e injustiças e é a maior aliada para assegurar os direitos de cada um.

A imprensa no Brasil começou em 1808 com a chegada da família real portuguesa em nossas terras, já que aqui passou a ser a “sede” do Reino. O primeiro jornal editado no Brasil foi a Gazeta do Rio de Janeiro.

Hoje não consigo mais imaginar a vida dos brasileiros sem a Rede Globo, que por mais criticada que seja é a emissora e o grupo que mais exerce influência na imprensa hoje, o impresso O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e os jornais de cada estado, os portais de notícia como o G1, Terra, UOL, até mesmo as emissoras de rádio, menos utilizadas, mas não menos influentes em algumas regiões do país, enfim…

Comemorar o Dia da Imprensa é comemorar a liberdade de expressão e a certeza da segurança de nossos direitos. É saber que existem profissionais que trabalham todos os dias em prol da não alienação e de levar à população as verdades do nosso dia a dia.

É claro que devem existir resguardas em relação à toda a veracidade da informação, sempre haverá influências editoriais e econômicas nas mídias de todo o mundo, mas vale a importância de mostrar que existe uma imprensa atuante. E que luta pela obrigatoriedade do diploma.

Aliás, a gente já contou por que  decidimos trilhar esse caminho? Não? Então aqui vai:

Helena Ometto – escolheu o Jornalismo aos 13 anos de idade, mesmo sem saber ao certo para onde seria levada. Professoras de português elogiavam seus textos e acreditavam em seu dom, a paixão por escrever aumentava e tinha certeza que aquela era a melhor escolha. Prestou vestibular, passou, teve algumas decepções, mas não se imagina fazendo outra coisa. Minha primeira inspiração foi o casal nacional Fátima e William.

Juliana Baptista: sempre quis a área de comunicação, mais precisamente Audiovisual, mas passou em Jornalismo e foi ver o que era, achou que poderia dar certo. E deu. A aptidão para a escrita falou mais alto. Encontra muitos maus exemplos de jornalistas e isso a motiva a seguir na profissão e ser um exemplo melhor. Como disse:  jornalista não dura pra sempre e a inovação no jornalismo já está acontecendo!

Juliana Rosa: Não satisfeita em ser apenas uma leitora/telespectadora/ouvinte, optou pela profissão para poder compreender todo o processo que envolve o Jornalismo. Por ler coisas a respeito se interessou mais pela profissão. Tem como exemplo de profissional Heródoto Barbeiro. Quer ser ele quando crescer.

Lilian Figueiredo: a dúvida era história ou comunicação. Optou pelo jornalismo por gostar de escrever, de falar e querer mudar o mundo!

Helena Sylvestre: tudo o que diz é que escolheu Jornalismo por instinto, pela vontade não só de conhecer a sociedade, mas poder atingí-la através da informação. Uma inspiração de carreira é o jornalista André Trigueiro.

Fernanda Villa: resolveu olhar a lista de cursos mais concorridos da USP e ficou tipo “oh, jornalismo. Por que não?”. Isso na metade do segundo colegial, quando ainda pensava em direito ou R.I. E também para entrar de graça nos shows. Queria ser o Diogo Mainardi mas ele não é jornalista e tal… Na verdade não sabe o que a inspira. Queria ser o Reinaldo Azevedo, mas com cabelo de preferência.

Gostou?
haha, foi assim!

Parabéns à imprensa, à nós, jornalistas, e também a toda a população que faz as notícias acontecerem!

Helena Ometto

Helena Ometto


Jornalismo de Segunda

Mais alguém tem desânimo de olhar os jornais e portais de notícia na segunda-feira? Acho que gastam todas as energias tentando engordar os jornais de domingo e não sobra nada para começar a semana! E, no final de tudo, ainda enchem de classificados e notícia que é bom, nada! Isso no jornal impresso…

Já na internet, parece que as páginas tornam-se grandes colunas ‘Planeta Bizarro’.

Pois é, essa semana não saiu dos padrões: abra os principais portais e encontre comentários sobre a caixa preta do avião 447 da Air France; o tal do presidente do FMI e as fofocas de estupro; a moça suspeita de enforcar o namorado que se entregou para a polícia e o bicampeonato do Santos… e não nessa ordem de importância, porque no Brasil a manchete de futebol faz bem mais sucesso!

O top do momento na política brasileira é o Palocci, porque já esgotaram as piadas sobre o partido dissidente do DEM! Mantém-se a discussão do Código Florestal só pra não deixar abertamente claro – com o perdão da redundância – que é mais um sabor para o cardápio de pizzas brasileiras.

Podem vir aqueles que vão comentar o quanto essa posição é mal-humorada com relação à produção jornalística atual. Mas é muito difícil pensar de outra forma quando vemos entre as principais chamadas que a ‘Cantora Lady Gaga passa o dia como editora do jornal Metro nos EUA’. Isso me faz pensar até que ponto o jornalismo está se deixando levar como estratégia de marketing. Até que ponto o jornalismo de Segunda está se estendendo por todos os dias?!

Algumas perguntas vêm à mente sobre outros temas que poderiam ser trazidos de volta: Será que a pressão do Governo sobre o preço dos combustíveis que rendeu tantas manchetes semana passada teve efeito? As revoltas no mundo árabe já terminaram? A guerra no oriente médio sofreu algum reflexo com o assassinato de Bin Laden pelos EUA? E esses mesmos norte-americanos, estão vendendo mais armas depois disso? Enterrar o Wellington como indigente colocou um ponto final no caso de Realengo sem gerar mais nenhum movimento no Rio de Janeiro? E os morros invadidos pela polícia, as UPP’s, está tudo em Paz?

Parece que depois dos furos, pautas quentes – como queiram chamar as informações ESCOLHIDAS PELOS VEÍCULOS como assuntos de mais importância – as fofocas e as bizarrices são o recurso de segunda opção. Assim, a produção de informação se torna entretenimento e perdido nesse meio confuso fica o jornalismo. A notícia que era feita seguindo um modelo de ‘pirâmide invertida’ (da informação mais importante para a menos importante) de acordo com as teorias, especialmente na segunda-feira não passa de tijolinhos.

Os veículos de comunicação usam esses tijolinhos para montar o que quiserem e os defeitos dessa construção viram pauta do TPMídia,  ficam aqui para as colunas do Prefiro não comentar…

Lilian Figueiredo

Lilian Figueiredo


Agenda Setting: o termo técnico das repetições

No meu post de hoje eu vou falar um pouco sobre um termo técnico bastante utilizado no Jornalismo e que pode ser de interesse público, justamente para compreender melhor as notícias veiculadas: o Agenda Setting. Mas o que seria esse tal agenda-setting?

Esse nome é utilizado para indicar quando um assunto está “tão na mídia” que aparece em todos os veículos de comunicação, seja ele, televisão, rádio, impresso, eletrônico, em todas as redes sociais e até mesmo nas conversas do cotidiano. Por isso o nome! O que acontece é uma espécie de agendamento de notícia que deve ser seguido por todos os meios de comunicação midiáticos.

Mas se engana quem pensa que essa prática é rara no jornalismo do mundo moderno. Quantas vezes não assistimos um telejornal, lemos uma revista, navegamos em um portal e a mesma notícia se repete dezenas de vezes? Essa é uma prática muito comum e a batalha dos jornalistas é disputar informações ainda não divulgadas sobre aquele mesmo assunto.

Isso mesmo, é necessário correr atrás de informações novas sobre um assunto que já foi explorado em dezenas de redações, por centenas de jornalistas. Por esse motivo podemos encontrar muitas vezes algumas informações aparentemente sem sentido e sem necessidade de veiculação em uma rede de comunicação. Mas entendam que essa também é uma função do jornalista: descobrir uma nova faceta de uma assunto já batido.

O exemplo mais claro que posso citar para vocês agora é sobre, adivinhem… O casamento real, é claro! O enlace de William e Kate está em todas, absolutamente, todas as mídias e com seções especiais em algumas delas. O assunto parece já ter enjoado e não há mais o que falar às vésperas do casamento, mas os jornalistas sempre arranjam uma nova informação, nem que seja a notícia de um japonês que esculpiu o rosto dos noivos em bananas e depois as comeu. Sim, isso é verdade. Olhe: http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/posts/2011/04/27/japones-esculpe-rostos-de-william-kate-em-bananas-376989.asp

Bom gente, nem adianta eu colocar mais exemplos aqui por que já fizemos alguns posts sobre esse assunto aqui no blog e ainda teremos alguns outros com os desdobramentos depois do casamento (sim, podem esperar).

Gostaria mesmo de tê-los informado sobre porque essa repetição enjoativa de notícias acontece no Jornalismo. Agora vocês sabem que isso é uma técnica jornalística cujo nome é agenda-setting! O Jornalismo é feito por empresas que necessitam de lucros e tem concorrência, assim como as demais empresas. Para concorreram em igualdade todas eles optam por seguir uma agenda de noticias básica e buscar de forma independente as melhores informações e furos. Mas é claro que esse é apenas um aspecto do jornalismo, que também sobrevive dos furos de reportagem, instantaneidade das informações, imparcialidade, credibilidade e uma série de conceitos que poderão ser discutidos em novos posts!

Nesse vídeo que segue há uma explicação bastante interessante sobre esse processo de seleção de notícia e informações. O áudio está em espanhol, mas não é muito difícil de se entender:

Quem vos falou foi uma estudante do 3º ano de Jornalismo!

Mas e vocês? O que acham dessa técnica de agendamento? Podem postar suas opiniões nos comentários!

Libere essa fúria que existe em você.

Helena Ometto

Helena Ometto