A Fúria Feminina!

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Isso é engraçado?

Já que o assunto da vez é Amy Winehouse, resolvi tomar esse gancho para comentar sobre um outro aspecto do jornalismo/entretenimento brasileiro. Muito há que se comentar sobre esse agenda setting que está acontecendo em torno da morte da cantora inglesa, mas uma notícia veiculada nessa terça-feira me chamou a atenção para uma outra característica da nossa mídia: os programas humorísticos. Ou quase isso.

O site de entretenimento da Folha de São Paulo, o F5, divulgou nessa terça-feira a nota de que os humoristas do programa “Pânico na TV!”, veiculado na RedeTV!, invadiram o funeral da cantora Amy Winehouse para gravar um dos quadros do programa. Lembrando que, a pedido da família de Amy, o funeral foi fechado somente para amigos e parentes.

Essa foi apenas mais uma demonstração da qualidade do que alguns brasileiros costumam chamar de humor. Não foi a primeira vez que os chamados humoristas do Pânico tiveram uma atitude anti-ética, mas essa me chamou a atenção pela situação: era um funeral, um momento íntimo familiar e não um evento qualquer em que esse tipo de gente costuma se infiltrar.

Mas o que eu quero mesmo é falar desse humor que faz sucesso no nosso país. O “Pânico na TV!” já está no ar há 8 anos, desde 2003, e todos sabemos do sucesso que faz não somente entre os jovens, mas com pessoas de todas as idades, até mesmo crianças, por causa dos personagens que são colocados nas edições semanais.

Posso até dizer que uma coisa ou outra pode ser engraçada, mas não entendo a graça no tipo de humor caricato que tende ao preconceito, desrespeito, invasão de privacidade e outras características que descaracterizam o humorístico.

Aliás, um outro programa que está sendo redesenhado por essa estrutura parece ser o CQC, exibido pela Bandeirantes nas noites de segunda-feira. O programa é uma “cópia” do original argentino e está configurado em um humor inteligente, com pegadas políticas e temas mais culturais. Mas, de um tempo pra cá, tenho a impressão de que os quadros do CQC também estão tendendo para esse humor popularesco. Infelizmente.

Em uma de suas edições, o CQC exibiu uma matéria com o repórter Rafael Cortez visitando a festa Skol Sensation e conversando com meninas superproduzidas e caras bombados. Detalhe que a matéria terminou com o repórter beijando uma das entrevistadas. Me diz: pra quê isso?

Já existe uma campanha no Brasil para denunciar esses tipos de entretenimento chamada “Quem financia a baixaria é contra a cidadania” que todo ano divulga uma lista da baixaria na TV. Nesse ano de 2011, o 18º ranking divulgado colocou o Pânico da TV! no topo da lista dos mais denunciados pelo público. Foram 113 denúncias durante o ano de 2010 fundamentadas em exposição de pessoas ao ridículo, humor grotesco, excesso de nudez e palavras de baixo calão.

O site para denunciar baixarias e desrespeito na TV é o www.eticanatv.org.br

Isso é um sinal de que os brasileiros estão percebendo o baixo nível de seu entretenimento e formação cultural de massa da população? Espero que sim.

É fato que as produções humorísticas nacionais nunca foram ótimas, mas pelo menos não lidavam diretamente com a vida pessoal e íntima de famosos e anônimos e faziam disso um motivo de risadas. Fica a minha indignação com a atitude dos humoristas do “Pânico na TV!” e uma reflexão sobre o que a nossa mídia apresenta como engraçado.

Helena Ometto

Helena Ometto

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TV 60: A história da televisão brasileira

 
Logotipo da série
Para comemorar as seis décadas da televisão brasileira a TV Cultura vem exibindo todas as quintas-feiras às 23h15 uma série de documentários que conta a história da TV no Brasil. A série TV 60, de Carlos Alberto Vizeu, relata em vários capítulos a história da televisão brasileira através de depoimentos, imagens e entrevistas com os principais personagens entizando a  inauguração do primeiro canal brasileiro e da primeira televisão da América Latina, a PRF-3-TV, que mais tarde passou a chamar TV Tupi, entrando no ar em 18 de setembro de 1950, em São Paulo.
 

Vídeo da inauguração da TV Tupi

  

 “Ninguém me contou, eu estava aqui”, frase tida pelo ator Lima Duarte em depoimento na frente do edifico onde funcionou a primeira emissora de TV do país abre a série. A trajetória da televisão segue ilustrada  por cenas que mostram os programas iniciais, os atores e novelas pioneiros, as dificuldades enfrentadas, os improvisos, os momentos notáveis e o impacto da novidade trazida pelo televisor.

1ª parte da série

A chegada da televisão no país é atribuída ao jornalista Assis Chateaubriand que havia comprado uma estação, mas não sabia exatamente o que fazer, que tipo de equipamento usar e quantas câmeras seriam necessárias para emissora entrar em operação. Decidiu trazer técnicos da RCA – America Radio Corporation – e implantou a televisão no Brasil. A estreia foi transmitida em 200 aparelhos e há controvérsias quanto à primeira transmissão de imagens.

2 ª parte da série

Ao longo dos episódios, são exibidos fatos que marcaram a história da televisão, tais como a inauguração das novas emissoras que entraram no ar após a TV Tupi e os programas memoráveis apresentados por nomes como Chacrinha, Blota Júnior, Flávio Cavalcanti, Dercy Gonçalves, Hebe Camargo, entre outros. A série apresenta também cenas e relatos dos artistas pioneiros e que fizeram grande sucesso como Lolita Rodrigues, Lima Duarte, Walter Avancini, Cassiano Gabus Mendes, Janete Clair, Tarcísio Meira, Glória Menezes, Regina Duarte, Fernanda Montenegro, entre outros.

3ª parte da série

Além disso, os telespectadores podem conferir como o teatro foi parar na telinha e a conquista de espaço do futebol na mesma. A série de documentários aborda assuntos variados como o telejornalismo, a teledramaturgia, os humorísticos, os programas infantis, a tecnologia na TV, a TV pública, entre outros temas.

Programa de excelente qualidade que deve ser visto, não somente por profissionais e estudantes de área de Comunicação, mas por todos aqueles que buscam conhecer sobre a relevância da história da televisão brasileira. Uma boa pedida para as noites de quintas-feiras e um acréscimo no conteúdo visto em sala de aula por nós, estudantes de Jornalismo, para não ficarmos apenas com divagações gregas de nossos professores.

Juliana Santa Rosa