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Lulzsec na mídia: mocinhos ou vilões?

Nesta última segunda-feira o programa CQC trouxe uma reportagem sobre os ataques aos sites do governo brasileiro e mostrou como a segurança destes sites é frágil. A reportagem focou no problema principal: mostrar que os sites, quais deveriam ser os mais seguros do país, na verdade são tão vulneráveis como qualquer outro. Um ponto que achei muito importante foi ter mostrado a diferença entre cracker e hacker e que a população não deve temer ao Lulzsec, já que o grupo tem apenas o objetivo de atacar o governo e expor os dados que envolvam corrupção de políticos.

Já na reportagem que o Fantástico fez no dia 26 de junho sobre os ataques do governo teve um foco completamente distorcido e abordou muito superficialmente o problema. A reportagem que começou falando dos ataques aos sites do governo, mudou de rumo inesperadamente e focou no problema da invasão de computadores. Pessoas que não entendem muito do assunto, logo associariam o grupo como uma ameaça à todos os usuários de internet. A reportagem trouxe especialistas para alertar a população para identificar quando seu computador pode estar sendo usado por crackers.

Claro que é importante informar a população sobre segurança, antivírus e firewall, mas emendar essas informações logo depois de falar sobre os ataques aos sites do governo é querer associar o grupo de hackers como uma ameaça a todos os internautas. Em momento algum o Fantástico citou o nome Lulzsec mesmo eles tendo assumido a autoria da invasão, obviamente não queriam promover o grupo e sim, nivelá-los com os demais grupos hackers.

O CQC entrevistou um suposto membro da Lulzsec na reportagem, mas se aquele rapaz era mesmo um hacker do grupo ou não, o importante é que a matéria conseguiu levantar o real problema, mostrou a fragilidade do governo e informou à população que ela não tem que temer aos hackers e sim, aos crackers.

Claro que eu não estava esperando que a Globo apoiasse esse tipo de grupo que tenta vazar informações de corrupção do governo, mas manipular uma matéria para que a população fique contra eles, não é justo. Mas não me surpreende.

Matéria do Fantástico aqui e a do CQC aqui.

Juliana Baptista

Juliana Baptista
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A ação da Globo no carnaval carioca



Na tarde dessa quarta-feira de cinzas aconteceu a apuração dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Por causa do incêndio ocorrido na cidade do samba na madrugada do dia 6 para o dia 7 de fevereiro, as escolas Grande Rio, Portela e União da Ilha não entraram na disputa pelo título, além de nenhuma escola ser rebaixada esse ano. Mas, o bafafá pegou mesmo foi entre as favoritas.

Ao que tudo indicava, o título do carnaval 2011 seria disputado entre a Beija Flor, Unidos da Tijuca, Mangueira e Imperatriz, mas já nos primeiros quesitos a Imperatriz saiu da disputa, restando apenas as 3 concorrentes, que se mantiveram até o final. Mas as seguidas notas 10 que foram dadas à Beija Flor começaram a destoar muito da nota das concorrentes.

Conforme a leitura das notas seguia, a Beija Flor despontava e se distanciava em primeiro lugar, deixando a tradicional Mangueira e a campeã do ano passado, Unidos da Tijuca, na disputa da vice liderança. Mas a leitura das notas tomou um rumo absurdo: a Beija Flor recebia 10 de todos os jurados em todos os quesitos, enquanto as outras duas se cansaram de receber 9,9; 9,7 a até mesmo 9 em quesitos nas quais eram favoritas, como a inexplicável nota 9 para a bateria da Mangueira.

 

Beija Flor levou Roberto Carlos no enredo

A história foi se repetindo por tantas vezes que as torcidas começaram a suspeitar da compra do carnaval pela Beija Flor, aliada ao fato do favoritismo e da torcida explicita da Rede Globo pela escola de Nilópolis, lembrando que a Globo tem o monopólio da transmissão de desfile e apuração (dá até pra reparar com a logomarca da Globeleza em tamanho gigante na bancada das notas e nas cabines dos comentaristas).

Nessa confusão, o presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, já revoltado com a palhaçada que estava acontecendo com as notas, se retirou da mesa da diretoria e foi se juntar à torcida da escola. Decisão que eu achei acertada diante das notas injustas que vinham dos “jurados”. A diretoria da Tijuca também registrava sua indignação com caras e bocas. A revolta foi tanta que as torcidas passaram a gritar: “Ei Globo, vai tomar no cu!”. O engraçado foi ver a emissora, que não esperava pela reação, transmitir os xingamentos em rede nacional por alguns instantes e tentar abafar em seguida, mas não sem escapar dos ouvidos atentos e revoltados dos espectadores.

O último ponto que causou trelelê foi entre os mangueirenses ao ver Carlinhos de Jesus, que se dizia apaixonado pela escola, de coração verde e rosa, virar a casaca para a Beija Flor, montar a comissão de frente da escola e sentar-se entre a diretoria para vibrar com as notas recebidas da escola. O povo não perdoou mesmo e Carlinhos caiu na boca do povo.

 

Comissão de Frente da Unidos da Tijuca

Eu, particularmente, concordo com a reação das torcidas. Ficou absolutamente explicito que a Rede Globo estava torcendo pela Beija Flor. Aliás, o comentarista da emissora estava irritando demais com as seguidas falas: -Aí vem a nota da líder; “-E agora mais um dez pra Beija Flor”; “-E a Beija Flor vai garantindo a liderança”, com aquele timbre de felicidade e vibração na voz e sem ficar calado no anúncio das notas das concorrentes. Simplesmente irritante. De verdade, espero que a Globo não coloque a Glenda Kozlowski e desse repórter como comentaristas do carnaval 2012. Nada contra os profissionais, que são muito bons em outros estilos de reportagem, mas para o carnaval realmente não dá.

A repercussão tão foi instantânea que em plena apuração as tags Beija Flor; marmelada; Mangueira; Globo; Ivo Meirelles se tornaram TT Brasil e algumas subiram para os TT mundial. A maioria dos tweets comentava a manipulação da Rede Globo sobre o carnaval carioca. Após o término das notas e da consagração da Beija Flor campeã, os sites publicaram comentários de famosos também revoltados com as notas injustas e ironizando o enredo que tratou sobre Roberto Carlos. Parece que a combinação Beija Flor + Globo + Roberto Carlos = campeã. Por que será?

Não acho que a Beija Flor tenha apresentado um desfile ruim, até por que o desfile foi lindo, completo, deslumbrante com tudo o que a escola sempre apresenta na avenida. Mas o que me indigna é que a Mangueira, a Unidos da Tijuca e algumas outras escolas também mostraram tudo isso, com a mesma intensidade e emoção e não foram reconhecidas. Aliás, elas não foram julgadas no meu entendimento de justiça. Concordo com a tese de que a Globo manipulou esse carnaval como nunca antes. É claro que a Beija Flor poderia ter ganhado, tinha grande potencial para levar esse título, mas com notas justas e numa disputa igualitária e independente com as concorrentes. Dessa maneira ficou feio para a escola, para a emissora e para a organização do carnaval carioca que está perdendo cada vez mais a credibilidade.
Enfim, esse campeonato foi absurdo.

Mangueira homenageou Nelson Cavaquinho
Helena Ometto

Helena Ometto