A Fúria Feminina!

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A saúde da presidenta…

A crítica de mídia de hoje será sobre a saúde da nossa presidente e como seu quadro médico foi veiculado na mídia, especificamente na Revista Época. Na edição do dia 27 de maio, a revista trouxe na capa uma foto da presidente Dilma com a seguinte manchete: “A saúde de Dilma”. Época teve acesso a exames, lista de remédios e relatos médicos. Por que seu estado ainda exige atenção?

A matéria é necessária para explicar à população o que está acontecendo com a saúde de Dilma, afinal ela é a presidente do país e os brasileiros precisam conhecer sua situação política. Mas a Época exagerou na importância e repercussão que deu à matéria. Já na capa, a impressão foi a de que quiseram transformar a pneumonia de Dilma em uma doença terminal. A foto de capa mostra Dilma sobre um fundo preto, vestida de vermelho e com os olhos fechados. A expressão é de cansaço e mal estar. A Época pretendeu mostrar uma presidente literalmente fraca em termos de saúde, mas teria sido também uma analogia à sua suposta fraqueza de atuação política?

A matéria também trouxe o histórico da doença, desde o primeiro resfriado,  a temperatura da febre, a sequência de remédios e opiniões dos médicos, os sintomas e mal estares da presidente e até mesmo o nível das enzimas de seu organismo. Esse panorama deixou a impressão de que Dilma estaria sofrendo cada vez mais e enfraquecendo gradativamente. Será que ela teria que sair do cargo para se recuperar? Talvez esse tenha sido o objetivo de interpretação da revista.

(clique em cima da imagem para aumentar a visualização)

Fotos de Dilma tossindo nas últimas semanas em eventos públicos foram colocadas lado a lado com imagens da época de seu tratamento contra o câncer linfático. No mínimo essa montagem quis lembrar aos leitores que se ela já foi afastada uma vez por motivo de doença isso poderia acontecer de novo a qualquer momento.

Não há nada de errado em produzir uma matéria sobre o quadro de saúde de Dilma, muito pelo contrário. Ela é a presidente do país e deve satisfações para os brasileiros, mesmo que informações sejam mais íntimas que de costume. Mas o problema é saber até onde uma notícia desse porte pode ser vinculada com a imagem profissional de alguém, saindo do âmbito pessoal. Parece que essa foi a intenção da Revista Época ao sugerir tantas recaídas: Dilma pode ser tão fraca politicamente como é fisiologicamente.

Imagens: Época online

Helena Ometto

Helena Ometto


Obama: Ilustre mas nem tanto

O Brasil acordou mais cedo, arrumou a casa, abriu as janelas e tudo mais que podia para receber uma visita que de tão ilustre ficou sem graça. Sim, estou falando de Barack Obama, o “simpático presidente negro” dos Estados Unidos que pisou nas nossas terras nesse último final de semana. Mais do que isso, o que despertou minha atenção foi a expectativa gerada em torno disso: um misto de desconfiança com a alegria e receptividade características no nosso povo. Bastou a notícia da visita se confirmar que cartazes, blogs, sites, enquetes e as redes sociais não tinham outro assunto. Contra ou a favor, as reações foram diversas.

Cartaz de divulgação da vinda do presidente dos EUA

Para a nossa presidente Dilma Rousseff, se todas as visitas diplomáticas tivessem apresentação de armas e cerimônias solenes no Planalto, Brasília viveria em função das festas. O Rio de Janeiro iria parar de funcionar e a segurança nacional viveria em estado de alerta, porque as principais ruas eram só polícia em todos os cantos. E já pensou se a moda pega em visitar as favelas?

Sintam a contradição: A Cinelândia estava sendo preparada e limpa há quase uma semana, e o principal discurso que lá seria foi desmarcado por falta de segurança, e depois não é que o homem foi parar nas UPP’s da favela? Porque não fez o discurso por lá? Vejo uma clara intenção de “imagem montada” que quer desmanchar a carranca de Bush e aproximar Obama dos brasileiros. Pois gostaria que o Mr. não fizesse show com as pessoas desse país, com licença?

Cartaz divulgando o discurso que foi cancelado

Sergio Cabral já falava em “first family” e Eduardo Paes “sentiu-se honrado de recebê-lo”, assim governador e prefeito do Rio de Janeiro, respectivamente, também “babaram seu ovo” em cima de Obama, Michelle e as filhas. Outros falaram da roupa e cabelo da primeira-dama americana, os estrangeiros e a mídia passaram algumas horas na frente do hotel aguardando uma saidinha. Assunto teve bastante!

A pena, literalmente, foi pra quem acabou preso. No Rio de Janeiro, alguns manifestantes que protestavam com faixas menos acolhedoras como “Obama go home!” acabaram silenciados em alguma cela da cidade maravilhosa.

 

Protesto no Rio de Janeiro que acabou em prisões

No final da “ilustre visita”, para a grande imprensa não houve nenhum avanço significativo, somente 10 tratados assinados sobre o comércio entre Brasil e EUA. O que eles dizem?

Depois dessa, acho que vale o ditado: “não está mais aqui quem falou”… Embarcou para o Chile!

Então prefiro não comentar…

 

Lilian Figueiredo

Lilian Figueiredo