A Fúria Feminina!

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Meme da Semana: Para nossa alegria

Um vídeo simples com três pessoas cantando uma música gospel. Mas cantando mal, muito mal.

Até aí nenhuma novidade, o Youtube está cheio de cantores fail! Mas o que me surpreendeu foi que Para Nooooossa Alegria em apenas 3 dias já tem mais de 7 milhões de visualizações só no Youtube. Ontem a noite, dos 10 vídeos mais vistos da seção Humor do Youtube, 8 eram Para nossa alegria, 1 era uma versão de umas garotas imitando este vídeo e só 1 não tinha nada a ver com o meme da semana,

Então, qual é a diferença deste vídeo e dos outros cantores sem noção que permeiam a internet?

1º Tem a senhora mãe do Jefferson e da Suelen que fica puta quando o garoto grita o refrão

2º Porque ele começou a ser divulgado pelos blogs mais famosos da intrwebs (eu mesma assisti no Não Salvo)

Blogs popstar da internet como Não Salvo, Não Intendo, Jacaré Banguela, conseguem atingir um ENORME número de pessoas em um curtíssimo espaço de tempo. Pensem que esses blogs possuem milhares de visitas diárias e estes visitantes compartilham seu conteúdo pelas redes sociais. E quando você vê, todo mundo só está falando da mesma coisa.

Os blogueiros são os gatekeepers da internet e por diversas vezes, também acabam pautando a mídia tradicional. Quando algum meme faz muito sucesso, acaba aparecendo em algum programa de TV ou ganha um espacinho nos portais de notícia.

Não se surpreenda se no final de semana este trio aparecer em algum programa de “entretenimento” dominical. Já faz um tempo que tais programas andam se pautando por estes virais da internet e acabam deixando mais popular algum conteúdo que era exclusivo da web.

O que eu achei interessante foi a paródia que a Luciana Mello, Jair Oliveira e Jair Rodrigues fizeram para promover o show deles. Ficou sensacional, eles imitaram muito bem!

Depois do sucesso do vídeo, apareceram algumas versões (claro!) e algumas imagens no Facebook para noooooossa alegria.

E adivinhem, as imagens acima foram obra do Cid do Não Salvo. Além de “lançar” os memes, ele consegue potencializar o viral fazendo o assunto render mais um pouco.

Eu tenho medo da internet.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

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Kony 2012, Revoluções de Sofá e a Disfunção Narcotizante

O vídeo que chamou atenção de muitas pessoas na última semana foi o Kony2012. O vídeo de 30 minutos que mostra a proposta da ONG Invisible Children em tornar Joseph Kony em um cara famoso. Mas a fama deste homem não seria positiva, já que a ONG quer conscientizar o público das atrocidades feitas por este homem contra milhares de crianças africanas. Só o vídeo postado no Youtube, sete dias atrás, já tem quase oitenta milhões de visualizações, se tornando o maior viral de todos os tempos.

Mas claro que junto com o vídeo, vieram as críticas. A ONG Invisible Children foi acusada pelas grandes mídias de enriquecimento ilícito, de doar apenas uma pequena porcentagem das doações para caridade de fato, que seus membros podem estar envolvidos com grupos rebeldes armados e que os Estados Unidos tem interesse no país por causa de possíveis reservas de petróleo.

Mas a principal questão que gostaria de levantar é sobre a Revolução do Sofá. Muitas pessoas criticam o ciberativismo e caímos no problema da disfunção narcotizante. Tal disfunção, discutida pela Teoria da Comunicação, trata do excesso de informação que a massa recebe e as torna menos crítica. Sabe aquela falsa sensação de “fiz a minha parte” só porque repassou a informação para outras pessoas? Então, é mais ou menos isso.Image

Óbvio que você não vai se tornar um ativista só porque assistiu a um vídeo de 30 minutos e descobriu que crianças africanas são sequestradas e forçadas a fazer parte de um grupo rebelde. Óbvio que a vida dessas crianças não vai mudar só porque você deu um “like” no Facebook e retuitou uma mensagem da ONG no Twitter. A questão é que mesmo que as pessoas não possam fazer  mudanças efetivas no conforto de seus lares, elas podem se engajar em uma ideia e conscientizar outras pessoas.

O vídeo do Kony só se tornou um viral porque mobilizou algumas pessoas que se sentiram comovidas e “aderiram” sua causa. De uma forma ou de outra, isto é um engajamento social. Fazer com que esta juventude individualista pense em alguma coisa além de seus próprios problemas, já é algo positivo. (Pense que muita gente nem sabia onde ficava a Uganda e quantas delas ainda achavam que a África é um país).

De tanto ser citado no Twitter e ter compartilhamentos no Facebook, Kony teve uma visibilidade maior do que tinha uma semana atrás. A mídia tradicional foi “forçada” a falar sobre isso em seus portais de notícias e telejornais. Particularmente acho que esta tática de usar as redes sociais e a cultura participativa para interferir nos meios de comunicação tradicionais, é válida. No mundo online, as iniciativas colaborativas podem alterar o papel do gatekeeper e dar visibilidade a causas pouco valorizadas.

A “população” das redes sociais é maior do que de muitos países e não há como negar sua influência e poder de disseminação de informações entre as pessoas. Claro que entre esses 80 milhões que se conscientizaram com a causa, muitos continuarão em frente as telas de computador, mas quantos deles realmente são pessoas que tem vontade e fazer alguma coisa e só estão precisando de um empurrãozinho? Não que você aí da sua casa possa mudar a vida de alguém na África, mas pode começar com iniciativas locais.

ImageMas também não podemos deixar os pontos negativos de lado: muitos só assistiram o vídeo, curtiram a página e não foram checar se a história narrada pelo vídeo realmente era verdadeira. Não tiveram nem a capacidade de abrir uma nova aba e dar uma pesquisadinha rápida no Google. Com esse péssimo hábito de não checar a notícia em outras fontes, o leitor fica mais passível de manipulação de opinião pública. (compartilhar informações equivocadas podem dar uma dor de cabeça inimaginável)

Não creio que o X da questão seja se as revoluções de sofá realmente são efetivas, mas sim a diferença que ela faz na vida dos usuários das redes sociais. Se você vai sair de casa, fazer um protesto, interditar uma avenida (e se isso realmente é efetivo) é uma incógnita. Se o viral deu uma visibilidade maior ao Invisible Children e 80 milhões de pessoas conheceram Joseph Kony, isso se pode afirmar sem sombra de dúvida.

Juliana Baptista

Juliana Baptista


Rafinha Bastos: o humor, o ego e o insulto

Depois de vários comentários dispensáveis, Rafinha Bastos foi convidado a “tirar uma folga” do CQC. No programa de ontem, Monica Iozzi substituiu o humorista na bancada e deu a desculpa de que Rafinha estava com cãibra na língua, por isso não estava apresentando o programa. Segundo a Band, Rafinha foi afastado do CQC, mas não da Liga, talvez seja porque na Liga o programa segue um roteiro, já no CQC o que rende dor de cabeça aos produtores são os comentários “improvisados” do apresentador.

Nesta semana, o humorista estampou a capa da Veja São Paulo, que o denominava O Rei da Baixaria e trazia a foto de Rafinha com um chapéu de bobo da corte. A revista trouxe uma reportagem sobre as piadas ofensivas que ele já protagonizou e afirma que no Brasil, os humoristas se escondem por trás da desculpa da liberdade de expressão.

A matéria trouxe a opinião de vários humoristas sobre as atitudes e brincadeiras de mau gosto do comediante. Também não esqueceu de mostrar o que pensa “os ofendidos” pelas piadas, relembrando das outras declarações que insultaram judeus, mulheres vítimas de abuso sexual e deficientes mentais. Deu a voz a Rafinha também, que preferiu não comentar muito sobre sua postura.

Porém o que mais irritou a mídia e alguns telespectadores foi o deboche de Rafinha ontem pelo twitter:

E nas fotos, ele aparecia com modelos gostosonas ao lado da TV que transmitia o CQC, outra foto está numa banheira com uma mulher lendo a Veja citada acima e na última, sendo massageado por uma moça de lingerie. Isso mostra que o humorista além de querer “ficar por cima” da situação, está tentando provar que seu afastamento não o atingiu e que não existe arrependimento em relação às suas declarações.

O que pode surpreender alguns, é o fato de seus seguidores do Twitter apoiarem a atitude do humorista. Nas fotos, muitas pessoas postaram mensagens de apoio e mais uma vez aplaudiram o deboche e a ironia de Rafinha. Fatos como estes apenas inflam o ego do rapaz e mostra que não importa o que ele faça, sempre terá alguém para aprovar suas atitudes. Não é a toa que ele possui o título de “pessoa mais influente do Twitter”.

Vários seguidores defendem a “liberdade” de expressão. Mas a discussão é: que liberdade e até onde ela vai? No momento em que se tem um canal de comunicação com abrangência nacional, é necessário medir as palavras e pensar duas vezes antes de falar qualquer coisa.  Talvez essa polêmica nos mostre a identidade do público de Rafinha Bastos: pessoas que apóiam insultos, engolem qualquer coisa sem questionar e não possuem senso crítico.

Pessoalmente, gosto de alguns quadros do CQC e sempre tive uma certa simpatia por Rafinha, mas confesso que de uns tempos pra cá reconheço que o sucesso “lhe subiu à cabeça” e o programa está pecando em qualidade.  Não podemos colocar o CQC no patamar “Pânico”, em que o escracho e baixaria são prioridades e que o público é tratado como uma massa de acéfalos sedentos por nudismo e riso gratuito. Mas faz alguns meses que o programa anda repetitivo e meio que perdeu a proposta de humor saudável com prestação de serviço.

A atitude arrogante de Rafinha fez com que o programa corra o risco de perder anunciantes. Hoje, na coluna Outro Canal da Folha de São Paulo, saiu a informação de que Marcus Buaiz (o marido de Wanessa Camargo) e Ronaldo (“o fenômeno”) estão ameaçando retirar os anúncios do CQC depois das atitudes inconseqüentes do apresentador. O programa lidera o faturamento da emissora e cobra R$130 mil reais por 30 segundos de comercial e os merchandings variam de R$240 mil a R$2,4 milhões. A Band ainda não se pronunciou sobre o caso, mas como todo mundo sabe, quando mexe no bolso, a situação muda de cara. Provavelmente esse ocorrido ainda vai dar muita discussão e repercussão.

Deve-se lembrar que antes de ser humorista, Rafinha Bastos é um comunicador. E quando se trata de meios de comunicação de massa, existem muitas coisas envolvidas. Não existe essa de “dane-se, vou falar o que quero”, o comunicador antes de tudo tem um papel social e um compromisso com o público. A empresa de comunicação deve se preocupar com a ideologia que está transmitindo e qual é a impressão que ela quer passar. Comunicadores despreparados e inconseqüentes podem dar audiência, mas não credibilidade.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

Camila Vallejo em protesto da UNE: abordagens da Carta Maior e da Veja

No fim do mês de Agosto, os veículos de comunicação foram tomados por notícias sobre a vinda de Camila Vallejo para Brasília. A jovem chilena de 23 anos é líder do movimento estudantil do Chile, e foi convidada para participar do protesto da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Brasil.

Entre os veículos nacionais que deram destaque ao fato, estão a publicação eletrônica Carta Maior e a revista Veja. E, como ambas têm posicionamentos políticos e ideológicos muito contrastantes, o enquadramento que cada uma delas deu ao acontecimento tomou rumos opostos.

Por este se tratar de um movimento que tem como principal propósito combater o neoliberalismo, afim de que a educação pública no país tenha uma qualidade maior, ou seja, por se tratar de um movimento “de esquerda”, Carta Maior optou por retratar Camila como uma heroína, com um perfil construído com base nas maiores qualidade da estudante: garra, esforço, compromisso e obstinação. A matéria é totalmente focada na personagem protagonista, e isso fica explícito através da entrevista “ping-pong” que a revista realiza com ela. Sendo assim, é dado um grande destaque e importância às idéias da líder estudantil chilena, a partir da construção de perguntas que possibilitam um posicionamento favorável aos ideais esquerdistas de Camila Vallejo. Isso fica explícito, por exemplo, ao final da entrevista, quando Carta Maior questiona Camila sobre o destaque que a mídia está dando para sua beleza física em detrimento das suas habilidades intelectuais. Como resposta, ela diz que os “ataques” vêm da direita política, que segundo ela, detém a grande maioria dos veículos de comunicação.

Em contrapartida, a revista Veja, de direita política, usa as características de Camila para desmerecê-la, ou tirar credibilidade de seus argumentos. No início da matéria, Veja dá a entender que a garota só está ganhando destaque nas mídias, em partes, por ser bonita. A seguir, a matéria diz que Camila quer uma intervenção estatal na educação no país, mas Veja tira o valor de seus argumentos quando deixa explícito que foi justamente esse modelo econômico (o neoliberalismo) que tirou o Chile do atraso econômico.

Na segunda parte da matéria, Veja fala sobre a manifestação em Brasília feita pela UNE, mas novamente a revista tenta descredibilizar o movimento, ao dizer que, embora o movimento estudantil tenha elaborado uma lista de 43 reivindicações, nenhuma delas diz respeito à corrupção ou transparência do governo Brasileiro (que atualmente é dirigido pela esquerda política).

É possível perceber ainda, que, embora o título da notícia seja outro, no link da matéria no site da revista, lê-se: une-ignora-corrupcao-em-protesto-na-capital. Ou seja, para defender seus ideais políticos, Veja tenta desviar o foco do protesto contra o modelo neoliberal para a omissão dos protestantes com relação à corrupção do atual governo brasileiro.

 Helena S. Sylvestre
Helena S. Sylvestre

 


A trágica cobertura do Rock In Rio

Um grande evento. Sites de notícias desesperados e canais de TV despreparados. Isso foi o que podemos ver na cobertura do Rock In Rio quatro.

Com apenas três dias de evento, a mídia já conseguiu proporcionar uma overdose de Rock In Rio nos telespectadores e internautas. Quem não tinha interesse no evento, não tinha como escapar da avalanche de informações e cobertura intensa. O evento foi tratado como “o carnaval da vez”. Mesmo sendo alvo de críticas, o Rock In Rio deste ano rendeu poucas matérias críticas. A mídia em geral, cobriu o evento como se ele fosse a Copa do Mundo, como se o país tivesse parado pra ele acontecesse.

A Globo prometeu muito, mas exibiu apenas segundos contados das apresentações e o Fantástico deste domingo trouxe alguns perfis de bandas, entrevistas e uma curtíssima transmissão. Quem estava dependendo da TV aberta para acompanhar o evento, teve que se contentar com matérias superficiais e segundos de shows.

Já a Multishow, só falava de Rock in Rio. O canal da TV paga exibiu todos os shows principais na íntegra e fez uma cobertura intensa do evento. Boa opção pra quem queria acompanhar o evento de casa. Mas só pra quem tem paciência e muita paciência.

As VJs Didi Wagner e Luisa Micheletti mostraram falta de experiência e desenvoltura, soltando as mais diversas pérolas. Já Dani Monteiro tinha a árdua tarefa de entrevistar o público entre os intervalos de shows. Obviamente fazendo perguntas desnecessárias, sendo alvo dos engraçadinhos da platéia e ganhando destaque na internet por entrevistar celebridades embriagadas no maior estilo Amaury Júnior.

Já Beto Lee, que também tinha a missão de entreter o público com informações dispensáveis nos intervalos, também nos proporcionou uma enxurrada de besteiras e comentários sem sentido. Beto tinha que encher lingüiça, mas não sabia como. Teve uma hora em que ele falava de experiências pessoais e até uma possível ligação do Motorhead com a Astrologia.

De longe, a cobertura da Multishow foi a pior em termos televisivos. Uma equipe pequena, apresentadores e repórteres despreparados e desinformados e falta de reportagens entre os intervalos marcaram a programação durante as 12 horas de evento.

Em relação aos sites de notícia, a cobertura despreparada não foi muito diferente. O G1 para encher a página especial do Rock In Rio, fez várias matérias desnecessárias além da cobertura dos shows.

Podemos nos deparar com matérias do tipo “Vote no visual metaleiro das famosas” ou “Cabeludos fazem escova e hidratação” e até mesmo “Veja as fotos da moda dos fãs de metal”. Que não ficaram restritas à seção EGO.

Mas a cobertura mais desesperada foi da Folha.com. No twitter da seção Ilustrada, dedicada ao entretenimento e cultura, a cada minuto surgiam matérias dispensáveis.  A Folha.com se preocupou em encher os internautas de informações, mas não que elas fossem de qualidade.

Em questão de minutos, eram publicadas várias notas de dois parágrafos sobre os assuntos mais variados. Entre eles, furto de câmera de fotógrafos, cheiro de urina no ambiente e como João Gordo traiu o movimento punk.

A cobertura do Rock In Rio nos mostra que a mídia está mais preocupada na quantidade de informação do que a qualidade dela. Se os canais de TV não estão preparados para cobrir um evento que tiveram mais de um ano para se preparar, imagine então como o caos deve reinar nas coberturas de imprevistos.

Juliana Baptista

Juliana Baptista