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A trágica cobertura do Rock In Rio

Um grande evento. Sites de notícias desesperados e canais de TV despreparados. Isso foi o que podemos ver na cobertura do Rock In Rio quatro.

Com apenas três dias de evento, a mídia já conseguiu proporcionar uma overdose de Rock In Rio nos telespectadores e internautas. Quem não tinha interesse no evento, não tinha como escapar da avalanche de informações e cobertura intensa. O evento foi tratado como “o carnaval da vez”. Mesmo sendo alvo de críticas, o Rock In Rio deste ano rendeu poucas matérias críticas. A mídia em geral, cobriu o evento como se ele fosse a Copa do Mundo, como se o país tivesse parado pra ele acontecesse.

A Globo prometeu muito, mas exibiu apenas segundos contados das apresentações e o Fantástico deste domingo trouxe alguns perfis de bandas, entrevistas e uma curtíssima transmissão. Quem estava dependendo da TV aberta para acompanhar o evento, teve que se contentar com matérias superficiais e segundos de shows.

Já a Multishow, só falava de Rock in Rio. O canal da TV paga exibiu todos os shows principais na íntegra e fez uma cobertura intensa do evento. Boa opção pra quem queria acompanhar o evento de casa. Mas só pra quem tem paciência e muita paciência.

As VJs Didi Wagner e Luisa Micheletti mostraram falta de experiência e desenvoltura, soltando as mais diversas pérolas. Já Dani Monteiro tinha a árdua tarefa de entrevistar o público entre os intervalos de shows. Obviamente fazendo perguntas desnecessárias, sendo alvo dos engraçadinhos da platéia e ganhando destaque na internet por entrevistar celebridades embriagadas no maior estilo Amaury Júnior.

Já Beto Lee, que também tinha a missão de entreter o público com informações dispensáveis nos intervalos, também nos proporcionou uma enxurrada de besteiras e comentários sem sentido. Beto tinha que encher lingüiça, mas não sabia como. Teve uma hora em que ele falava de experiências pessoais e até uma possível ligação do Motorhead com a Astrologia.

De longe, a cobertura da Multishow foi a pior em termos televisivos. Uma equipe pequena, apresentadores e repórteres despreparados e desinformados e falta de reportagens entre os intervalos marcaram a programação durante as 12 horas de evento.

Em relação aos sites de notícia, a cobertura despreparada não foi muito diferente. O G1 para encher a página especial do Rock In Rio, fez várias matérias desnecessárias além da cobertura dos shows.

Podemos nos deparar com matérias do tipo “Vote no visual metaleiro das famosas” ou “Cabeludos fazem escova e hidratação” e até mesmo “Veja as fotos da moda dos fãs de metal”. Que não ficaram restritas à seção EGO.

Mas a cobertura mais desesperada foi da Folha.com. No twitter da seção Ilustrada, dedicada ao entretenimento e cultura, a cada minuto surgiam matérias dispensáveis.  A Folha.com se preocupou em encher os internautas de informações, mas não que elas fossem de qualidade.

Em questão de minutos, eram publicadas várias notas de dois parágrafos sobre os assuntos mais variados. Entre eles, furto de câmera de fotógrafos, cheiro de urina no ambiente e como João Gordo traiu o movimento punk.

A cobertura do Rock In Rio nos mostra que a mídia está mais preocupada na quantidade de informação do que a qualidade dela. Se os canais de TV não estão preparados para cobrir um evento que tiveram mais de um ano para se preparar, imagine então como o caos deve reinar nas coberturas de imprevistos.

Juliana Baptista

Juliana Baptista
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Lulzsec na mídia: mocinhos ou vilões?

Nesta última segunda-feira o programa CQC trouxe uma reportagem sobre os ataques aos sites do governo brasileiro e mostrou como a segurança destes sites é frágil. A reportagem focou no problema principal: mostrar que os sites, quais deveriam ser os mais seguros do país, na verdade são tão vulneráveis como qualquer outro. Um ponto que achei muito importante foi ter mostrado a diferença entre cracker e hacker e que a população não deve temer ao Lulzsec, já que o grupo tem apenas o objetivo de atacar o governo e expor os dados que envolvam corrupção de políticos.

Já na reportagem que o Fantástico fez no dia 26 de junho sobre os ataques do governo teve um foco completamente distorcido e abordou muito superficialmente o problema. A reportagem que começou falando dos ataques aos sites do governo, mudou de rumo inesperadamente e focou no problema da invasão de computadores. Pessoas que não entendem muito do assunto, logo associariam o grupo como uma ameaça à todos os usuários de internet. A reportagem trouxe especialistas para alertar a população para identificar quando seu computador pode estar sendo usado por crackers.

Claro que é importante informar a população sobre segurança, antivírus e firewall, mas emendar essas informações logo depois de falar sobre os ataques aos sites do governo é querer associar o grupo de hackers como uma ameaça a todos os internautas. Em momento algum o Fantástico citou o nome Lulzsec mesmo eles tendo assumido a autoria da invasão, obviamente não queriam promover o grupo e sim, nivelá-los com os demais grupos hackers.

O CQC entrevistou um suposto membro da Lulzsec na reportagem, mas se aquele rapaz era mesmo um hacker do grupo ou não, o importante é que a matéria conseguiu levantar o real problema, mostrou a fragilidade do governo e informou à população que ela não tem que temer aos hackers e sim, aos crackers.

Claro que eu não estava esperando que a Globo apoiasse esse tipo de grupo que tenta vazar informações de corrupção do governo, mas manipular uma matéria para que a população fique contra eles, não é justo. Mas não me surpreende.

Matéria do Fantástico aqui e a do CQC aqui.

Juliana Baptista

Juliana Baptista