A Fúria Feminina!

Edir Macedo VS. Valdemiro Santiago: a “guerra santa” dos tempos modernos

Nos últimos dias, as redes sociais on-line, blogs e grandes portais têm colocado em debate a edição do dia quatro de março do programa Fala Que Eu Te Escuto. Motivo? O programa da TV Record ficou com a vice-liderança no IBOPE ao declarar “guerra” ao apóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago.

Para quem não sabe, Valdemiro era membro da Igreja Universal do Reino de Deus, que tem como líder e também dono da Record, o bispo Edir Macedo. MAS… Valdemiro resolveu largar a barra da saia do bispo e criou sua própria igreja (a Mundial).

A Record não deixou barato, e resolveu se colocar explicitamente contra a Mundial no Fala Que Eu Te Escuto do dia quatro. O argumento usado é que o apóstolo desvia o dinheiro da Igreja para o próprio bolso. Verdade ou mentira, o fato é que a “guerra santa” deu pano para a manga nas discussões da mídia on-line.

Alguns taxam a Record de hipócrita, uma vez que acusam Edir Macedo de também desviar verba da Igreja para o próprio bolso. De qualquer maneira, os pontos de debate que eu levanto aqui são outros.

A princípio eu me pergunto o seguinte: embora a TV Record seja uma emissora com uma explícita vertente religiosa, na posição de uma das maiores emissoras de TV aberta do Brasil, e, portanto, extremamente influente entre milhões de telespectadores, teria ela o direito de colocar em xeque uma crença religiosa diferente da sua? Como entendedora supérflua do assunto, arrisco-me a dizer que o intuito das religiões cristãs é disseminar a palavra de Deus, correto? Pois eis a contradição. Cada uma deveria cumprir seu papel afim de se alcançar este objetivo, sem querer rebaixar as demais. Pode até haver alguma competição, mas uma competição saudável, em que as igrejas deveriam buscar o melhor da sua essência religiosa para transmitir aos fiéis. Mas em minha humilde opinião, ganhar notoriedade desmoralizando a religião “concorrente”, é no mínimo anti ético. E pelos números da audiência, sem dúvida alguma o embate ganhou dimensões enormes.

Na verdade meu principal questionamento é esse. Não estaria a Record e a Igreja Universal equivocadas ao agirem assim enquanto emissora de TV e religião? Não bateria de frente com os princípios básicos de ambas? Não sejamos inocentes a ponto de dizer que outras emissoras não têm posicionamento editorial. Sim, têm. Mas a forma como isso vem à tona na programação não deve ter caráter ofensivo, discriminatório e explicitamente tendencioso. Quanto às religiões, nego-me a achar normal que instituições com um objetivo em comum “pequem” por maldizerem umas às outras. E tenho dito.

Helena Sylvestre
Helena S. Sylvestre

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