A Fúria Feminina!

Camila Vallejo em protesto da UNE: abordagens da Carta Maior e da Veja

No fim do mês de Agosto, os veículos de comunicação foram tomados por notícias sobre a vinda de Camila Vallejo para Brasília. A jovem chilena de 23 anos é líder do movimento estudantil do Chile, e foi convidada para participar do protesto da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Brasil.

Entre os veículos nacionais que deram destaque ao fato, estão a publicação eletrônica Carta Maior e a revista Veja. E, como ambas têm posicionamentos políticos e ideológicos muito contrastantes, o enquadramento que cada uma delas deu ao acontecimento tomou rumos opostos.

Por este se tratar de um movimento que tem como principal propósito combater o neoliberalismo, afim de que a educação pública no país tenha uma qualidade maior, ou seja, por se tratar de um movimento “de esquerda”, Carta Maior optou por retratar Camila como uma heroína, com um perfil construído com base nas maiores qualidade da estudante: garra, esforço, compromisso e obstinação. A matéria é totalmente focada na personagem protagonista, e isso fica explícito através da entrevista “ping-pong” que a revista realiza com ela. Sendo assim, é dado um grande destaque e importância às idéias da líder estudantil chilena, a partir da construção de perguntas que possibilitam um posicionamento favorável aos ideais esquerdistas de Camila Vallejo. Isso fica explícito, por exemplo, ao final da entrevista, quando Carta Maior questiona Camila sobre o destaque que a mídia está dando para sua beleza física em detrimento das suas habilidades intelectuais. Como resposta, ela diz que os “ataques” vêm da direita política, que segundo ela, detém a grande maioria dos veículos de comunicação.

Em contrapartida, a revista Veja, de direita política, usa as características de Camila para desmerecê-la, ou tirar credibilidade de seus argumentos. No início da matéria, Veja dá a entender que a garota só está ganhando destaque nas mídias, em partes, por ser bonita. A seguir, a matéria diz que Camila quer uma intervenção estatal na educação no país, mas Veja tira o valor de seus argumentos quando deixa explícito que foi justamente esse modelo econômico (o neoliberalismo) que tirou o Chile do atraso econômico.

Na segunda parte da matéria, Veja fala sobre a manifestação em Brasília feita pela UNE, mas novamente a revista tenta descredibilizar o movimento, ao dizer que, embora o movimento estudantil tenha elaborado uma lista de 43 reivindicações, nenhuma delas diz respeito à corrupção ou transparência do governo Brasileiro (que atualmente é dirigido pela esquerda política).

É possível perceber ainda, que, embora o título da notícia seja outro, no link da matéria no site da revista, lê-se: une-ignora-corrupcao-em-protesto-na-capital. Ou seja, para defender seus ideais políticos, Veja tenta desviar o foco do protesto contra o modelo neoliberal para a omissão dos protestantes com relação à corrupção do atual governo brasileiro.

 Helena S. Sylvestre
Helena S. Sylvestre

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s