A Fúria Feminina!

Dilma, Brasil, ONU…


No último dia 21 de setembro a presidente Dilma Roussef teve uma importante participação na história das assembléias da ONU: Dilma foi a primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral de Debates da ONU. E também a primeira brasileira.

Como não poderia deixar de ser a imprensa adaptou esse fato de mil maneiras e fez dele uma pauta para toda a semana.

Todos os dias os telejornais mostravam boletins dos debates, sempre ressaltando a participação de Dilma. Até aí nada de errado. A cobertura foi pertinente, mostrando a nova cara do Brasil e a força e representatividade que o país está ganhando frente às potências mundiais. Ressaltar a participação de Dilma também foi interessante no sentido de reforçar a mudança política e social no Brasil.

Os veículos de comunicação fizeram questão de mostrar o evento como o mais marcante até o momento no governo e já entre as melhores participações internacionais do Brasil na Era Dilma.

O ponto que pode ser debatido aqui é o foco das matérias em torno desse evento.

Ao esmiuçar os fatos na tentativa de preencher as pautas de toda a semana, dada a importância do evento, a participação brasileira e exposição do momento político-econômico do país foi mostrada, mas não trabalhada em profundidade.

Muito se mostrou da performance, elogios e aplausos destinados à Dilma, mas e as questões políticas que foram debatidas? Qual a opinião dos países da ONU em relação a política brasileira nesse momento? Essas questões mais aprofundadas e focadas na política em si não foram noticiadas em profundidade.

Algumas colocações de Dilma enquanto presidente do Brasil foram citadas, como a posição do Brasil em relação à extinção das armas nucleares e a colocação do governo como favorável à formação do Estado Palestino. Assim como a priorização das relações do Brasil com o Mercosul e os emergentes do Brics.

Uma análise da cobertura televisiva indica uma prioridade em mostrar a “imagem pop” do Brasil e não a imagem política.

Não é um erro mostrar esse aspecto. Ele deve ser mostrado até mesmo para a auto estima da população e maior confiança no governo, mas as outras questões deveriam ser noticiadas para esclarecer a situação governamental do país.

Matérias como essas deixam os cidadãos alienados com o pensamento de que está tudo bem com o Brasil e sua imagem no exterior é excelente. Aliás, a oposição do governo disse em entrevistas que Dilma mostrou uma “Brasil cor-de-rosa” que na verdade não existe. Aqui pode-se pensar também numa analogia ao Brasil cor-de-rosa pela ascensão das mulheres em cargos importantes e até mesmo na esfera social comum.

Essa é uma realidade também, mas que está acontecendo aos poucos, com muito caminho pela frente.

A imprensa precisa saber mostrar todos os lados de eventos desse nível justamente para deixar os brasileiros realmente informados dos rumos do país. E não somente da atuação de uma brasileira.

Helena Ometto

Helena Ometto

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