A Fúria Feminina!

Rehab termina com Some Unholy War

É isso, desde sábado, dia 23 de julho, os cadernos de cultura e as páginas principais de jornais e sites estamparam o nome de Amy Winehouse. A cantora, que já foi taxada de tantos nomes diferentes, nem está mais aqui para brigar ou levantar polêmica com ninguém.

E foi assim que terminou: sozinha, ela deixou a polêmica para a mídia que sempre fez sua vida um espetáculo… e que agora faz a morte também.

A morte rende muita matéria, principalmente das “celebridades” que ACABAM – literalmente – com a vida contada e recontada, especulações sem fim e perguntas que podem ou não encontrar respostas naqueles que ficam.

Antes desse sábado, qualquer um que ouvisse aquela voz rouca dizendo ‘no, no, no’ chegaria ao nome de Winehouse como uma moça jovem, dependente de drogas e álcool, sem nenhum vínculo familiar forte e com alguns relacionamentos amorosos bem mal-sucedidos. Além dos escândalos, é claro.

Agora, os editores reviraram a história de Amy e aproveitaram o momento. Arrisco até afirmar que alguns dizem “até que enfim morre uma celebridade!”, porque isso dá assunto. Quem acompanhou os meios de comunicação viu reportagem na TV, várias matérias todos os dias na Folha e no Estadão e muitas fofocas nos portais e revistas de famosos.

Quanto a abordagem, é bem difícil não sentir o tom de fofoca nas notícias, pois a vida de Winehouse sempre foi estereotipada. O site da folha de São Paulo faz manchete sobre o ex-marido e ex-presidiário, Blake Fielder-Civil. “Minhas lágrimas nunca vão secar” é a chamada que poderia muito bem virar algum verso das letras de Amy…

“Todo mundo que me conhecia e conhecia Amy sabia o tamanho do nosso amor. Eu nunca mais vou sentir o amor que senti por ela” ex-marido, Blake Fielder-Civil

Já no blog Arquivo do Estadão, o assunto rendeu uma mostra dos jornais impressos digitalizados com matérias feitas sobre Amy durante boa parte da carreira. Os estereótipos que marcaram a cantora ficam bem claros, mas é uma forma interessante de ver as diferentes visões do veículo em cada reportagem diferente e em épocas diferentes.

Arquivo Estadão 07.07.2008
Arquivo Estadão 09.01.2011

Todo o espetáculo feito em torno da morte de Amy imortaliza definitivamente a vida – mesmo que curta – da cantora. (Como aconteceu com Cazuza, Renato Russo etc etc etc). A dependência química dá margem para a sociedade apontar que são ÍDOLOS DE MAUS EXEMPLOS. Arrisco responder que a mídia é responsável pela fama desses ídolos, durante a vida, quando expõe a intimidade e depois da morte, nos “aplausos” finais.

O taxista e a farmacêutica que aparecem “chorando a morte de seu ‘anjo’” como colocou um jornal nos últimos dias, deveriam contar como foi a infância de Amy e supor que isso tenha algo a ver com os problemas que teve na idade adulta. No entanto, Mitch Winehouse se tornou o “inspirador do talento da filha”.

Mitch Winehouse (à esquerda), pai da cantora, o irmão Alex, o namorado Reg Traviss e Janis, mãe da cantora

Como no post anterior, vale repetir, agora em homenagem: O cabelo estilo anos 80, a maquiagem de olhos pretos bem marcados, o piercing e as tatuagens. Amy foi uma mulher que colocou para fora um interior com qualidades e defeitos que fazem contraste com seu talento musical.

Rehab termina com Unholy War porque Winehouse tinha um mundo próprio em si, viveu intensamente seus erros, paixões e acertos. Toda a guerra ao seu redor foi construída com o julgamento feito pela sociedade: na própria família, em valores padronizados e mais tarde até mesmo nos fãs.

A guerra esteve nela, que seria fiel, todo tempo: Winehouse que transpôs sua vida em músicas.

In memorian, ficamos Ouvindo no Talo!  versão inédita de Some Unholy War  com Amy Winheouse!!!

Lilian Figueiredo

Juliana Baptista

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