A Fúria Feminina!

A cobertura da Folha.com da Marcha da Maconha

No último dia 15, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso Melo, defendeu que o Estado irá garantir a proteção dos manifestantes na próxima Marcha da Maconha, evento que defende a descriminalização da droga. Muitas pessoas alegavam que proibir a marcha feria um direito constitucional, o de liberdade de expressão. A decisão do STF foi tomada depois da repercussão negativa da repressão policial na última marcha ocorrida em São Paulo no dia 21 de maio. A cobertura do evento foi discutida pela mídia e em redes sociais e depois da grande repercussão nos meios, o STF mudou a sua decisão e liberou a marcha.

Nem todos os veículos de comunicação abordaram com muita profundidade o caso, deixando desejar na cobertura de um evento que feriu os direitos dos cidadãos e também da imprensa. Porém, as reportagens que abordaram o evento mostrando o abuso de poder das autoridades e violência gratuita, certamente contribuíram para que as pessoas que não participaram da manifestação pudessem se informar do ocorrido com matérias plurais, como a citada a seguir.

O portal Folha.com publicou no dia 22 de maio na seção TV Folha, uma reportagem sobre os incidentes ocorridos na Marcha da Maconha em São Paulo. A marcha tinha sido proibida pelo STF no dia anterior com a alegação de que o movimento era uma apologia às drogas, algo proibido por lei. Durante a marcha, houve uma repressão por parte da Polícia Militar que perseguiu os manifestantes durante três quilômetros, agiu com violência e acabou agredindo até os repórteres que faziam a cobertura do evento.

A equipe da Folha conseguiu mostrar na reportagem a informação e ao mesmo tempo, fazer uma crítica à violência sofrida pelos manifestantes e aos jornalistas presentes. Entrevistou a ex-vereadora Soninha Francine, que é a favor da manifestação e também deu espaço aos policiais para que pudessem dar a sua versão do ocorrido.

Ao mesmo tempo em que dava o espaço para o policial explicar a reação da tropa de choque, mostrava as cenas do que realmente aconteceu: policiais agindo de forma violenta, atirando balas de borracha em manifestantes desarmados e jogando gás de pimenta nos jornalistas que estavam no local. Cenas que se assemelham muito com a repressão sofrida na época do regime militar. O repórter pergunta se houve algum exagero por parte da polícia, e o Capitão Del Vecchio responde “Não, foi tudo totalmente dentro dos limites” afirmando que aquele foi apenas um procedimento padrão da polícia para dispersar a multidão, porém a reportagem mostra cenas de vários policiais agredindo jovens desarmados e agindo violentamente contra os jornalistas que tentavam registrar as cenas. A filmagem é interrompida quando o cinegrafista é atingido por um policial e cai no chão.

A cobertura priorizou a informação, deu voz aos dois lados envolvidos e conseguiu mostrar ao público o incidente ocorrido durante a marcha. Muitos veículos se resumiam a abordar a repressão da polícia como apenas uma represália sofrida pelos defensores da maconha, mas a Folha fez diferente. A reportagem não focou apenas em mostrar o abuso de autoridade, mas também que a polícia bate e depois pergunta, não distingue manifestantes de imprensa.

Juliana Baptista

Juliana Baptista
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3 Respostas

  1. marcio

    A igreja, imprensa, governo e vários segmentos da sociedade já começaram um boicote ativo, após a determinação do supremo, a imprensa por sua parte não da destaque as marchas, antes quando era proibido eles destacavam datas assuntos pós passeata tipo repreensão, hoje eles dão destaques como este ä reportagem sentiu o cheiro de maconha na passeata, vide texto neste link; http://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2011/06/19/interna_nacional,234941/marchas-atraem-todo-tipo-de-protesto.shtml \.
    Outros como um jornal de Sorocaba faz um comunicado publico sem sentido dizendo que a liberação vai propagar o uso e diz o que será da nossa juventude, sem dizer outras afirmações tacanhas e de total insensatez como devemos aumentar a repreensão, veja o texto neste link; http://www.vivacidade.com.br/cidade_textos_interno.php?id_cidade=3694
    Ou como o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) que quer um plebiscito antes mesmo de um debate para conscientizar a sociedade, plebiscito este que tem como finalidade calar um segmento q enxergar que os danos o mal esta na política de combate, da guerra q vem tirando vidas e causando terror em toda sociedade, gerando gastos com policia, justiça, sistema carcerário, que poderiam se usados em saúde e educação.
    ACHO QUE O LEMA DAS PASSEATAS TEM QUE SER;
    “QUEM NÃO É A FAVOR DA DESCRIMINALIZAÇÃO DAS DROGAS É A FAVOR DO TRAFICO E DO CRIME ORGANIZADO”

    22 de junho de 2011 às 18:27

  2. marcio

    Acho q o debate vem em boa hora quem sabe assim possamos enxergar a luz no fim do túnel, pq até hoje tivemos uma época obscura, tanto quanto na idade media “caça as bruxas”, política promovida pela igreja , fato do qual até hoje só restou vergonha e omissão histórica por parte da igreja, ou nos anos 20 do século passado; quando criaram à lei seca (o erro histórico se repete) a proibição fomenta o crime, vamos debater e ver qual a opção que vai causar menos danos aos usuários, menos corrupção nos aparelhos do estado, menos armas nas ruas, e mais felicidade ao povo Parabéns Srs. Ministros

    22 de junho de 2011 às 18:28

  3. marcio

    Parabéns, se Deus quiser ainda vivo o bastante para ver uma sociedade hipócrita se transformar em algo mais justo, que se preocupe com o bem estar de seus cidadãos, em vez de ficar agindo de uma maneira demagoga, usuflando as pessoas a agirem erroneamente em função da obtenção de votos, regalias e extorsão, se liberar acaba 90% dos sofrimentos que as drogas provocam com seu efeito colateral; violência, extorsão, torturas, famílias destruídas pelo estado.

    22 de junho de 2011 às 18:30

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