A Fúria Feminina!

A cobertura da rede Globo da tragédia na escola do Rio

Na manhã da última quinta-feira, dia 7 de abril, um homem de 23 anos entrou na escola municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro e disparou contra vários alunos. O atirador, mais tarde identificado como Wellington Menezes de Oliveira feriu 18 pessoas e matou 11. Wellington era ex -aluno da escola e antes de cometer o crime escreveu uma carta explicando suas motivações.

Logo após o crime acontecer, a Rede Globo interrompeu a sua programação habitual e colocou Sandra Annenberg, Ana Paula Araújo e um especialista em segurança para comentar o crime em tempo real. O canal trazia imagens de helicóptero feitas da escola e algumas informações que conseguiram com a polícia. Como o crime havia acabado de acontecer, a imprensa tinha poucas informações. A transmissão se resumiu em uma repetição incessante das mesmas duas imagens da escola e das informações que o atirador tinha 23 anos, era ex- aluno do colégio e havia deixado uma carta de despedida.

O boletim informativo acabou se tornando um boletim especulativo. Tanto os jornalistas quanto o especialista apenas ficavam fazendo suposições em cima da meia dúzia de informações que tinham. Ninguém podia confirmar a motivação do crime ou as condições do atirador, então os apresentadores levantaram as mais diversas hipóteses: bullying reprimido, distúrbios psicológicos, motivação religiosa, entre outras. Tais hipóteses apenas confundiam os telespectadores que pegaram a notícia acontecendo, pois era difícil distinguir as suposições dos apresentadores dos fatos. Havia também um desencontro de informações sobre a morte do atirador, algumas vezes afirmavam que ele tinha cometido suicídio, outra hora diziam que um policial havia atirado nele.

O atirador Wellington Menezes de Oliveira

Durante muito tempo compararam o ocorrido na escola do Rio de Janeiro com o episódio de Columbine nos Estados Unidos em 99. Ao comparar as duas situações, fazia com que os telespectadores tirassem conclusões errôneas, já que nos Estados Unidos, o incidente foi causado por alunos do colégio que sofriam bullyng e no Rio de Janeiro, quem atirou nos alunos foi um homem de 23 anos que não estuda no colégio. Mais uma vez, confundindo o público.

Alguns comentários dos apresentadores mostravam a indiferença com atos de violência na escola como agressões entre alunos ou contra os professores. E muitas vezes se referiam ao acontecido como “coisas que só acontecem nos Estados Unidos”.

Ficou evidente nesta cobertura a preocupação em dar a notícia primeiro que as demais emissoras, mesmo que a informação não esteja completa. Já que não havia informações, a Globo tentou adivinhá-las com uma série de suposições, tudo em transmissão ao vivo. A emissora lembrou da agilidade, porém esqueceu da qualidade.

Juliana Baptista

Juliana Baptista

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