A Fúria Feminina!

Bruna Surfistinha nas telonas

Ontem fui ao cinema com alguns amigos assistir Bruna Surfistinha. SIMM! BRUNA SURFISTINHA! Pessoas se perguntam: “porque raios fizeram um filme sobre a Bruna Surfistinha?” E claro, com certeza muita gente se nega a ver o filme por preconceito, hipocrisia ou por puro receio de se surpreender com a história de uma garota de classe média que decide virar prostituta “for fun” e por independência financeira.

O filme é baseado no livro “O doce veneno do escorpião”, escrito pela própria Raquel Pacheco (ops! Bruna Surfistinha!), no qual ela conta sobre o seu dia-a-dia como uma garota de programa da capital paulistana. Quem já leu o livro (não, eu não li, antes que alguém me pergunte) sabe que o conteúdo é realmente chocante, já que Surfistinha descreve cada detalhe de seus programas, sem pudor. Mas obviamente o filme teve que sofrer certas adaptações, já que, se fosse uma adaptação “ao pé da letra”, a classificação indicativa do filme seria 21 anos, e não 14. Além disse, seria classificado como filme pornô, e não drama. (¬¬’)

Deborah Secco foi a atriz cotada para encarnar a garota de programa mais famosa do Brasil. Eu particularmente achei que Deborah mandou muito bem no papel, dosando na medida certa as emoções e usou de “trejeitos” nos momentos adequados, sem parecer um personagem tipicamente estereotipado. A princípio confesso que fiquei com receio de ver um filme no qual a prostituição fosse vangloriada e colocada como a melhor das escolhas profissionais que alguém pode fazer. Mas aconteceu justamente o contrário. O filme não é nada moralista (os espectadores também não devem ser) e em nenhum momento a profissão é explicitamente taxada de incorreta, amoral ou vulgar. Só que, ao longo da trajetória da personagem, é possível perceber pelas entrelinhas da trama e das expressões da atriz, que Raquel Pacheco (Bruna Surfistinha é nome de guerra) não ficou nem um pouco arrependida da escolha que fez, mas que também não foi a melhor escolha que ela poderia ter feito.

De maneira geral achei o filme bem produzido, com um roteiro bem adaptado às telas de cinema e com atuações de bom tom e sem exageros. Gostei bastante também de um dos cartazes de propaganda do filme: “Vá com seu namorado, suas amigas ou sozinha. Só não vá com preconceitos”. E é isso. Se for assistir, vá com a mente aberta e esteja disposto a captar toda e qualquer mensagem que o filme se dispõe a transmitir. Provável que no mínimo, você saia da sala de cinema refletindo sobre sua vida, a vida de uma garota normal de classe média, e sobre as possibilidade de escolha que a vida nos oferece. Assista, não-moralista.

Helena Sylvestre

Helena Sylvestre

 

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